Meio que escondido no noticiário internacional, uma notícia na BBC Brasil me chamou a atenção outro dia: Vaticano divulga documento que absolve Templários.
Quem leu o tristemente célebre Código da Vinci (ou seja, quase todo mundo) não tem dúvidas de que os Templários se tornaram poderosos porque sabiam do segredo do Santo Graal ser a Maria Madalena e talvez fiquem surpresos ao saber que a Ordem foi extinta. E mais estranho ainda, foi extinta sem nunca ter sido condenada. E você achando que só no Brasil que as decisões da Justiça eram estranhas, hein ?
Escrever uma história completa dos Templários demandaria uma série de posts maior do que Os treze do Orkut. Então vamos pular o começo, a influência decisiva de São Bernardo – e não do tal Santo Graal – no começo da ordem, os privilégios que os papas concederam a eles durante gerações, a sua bravura, as batalhas que eles participaram e vamos direto ao ponto: porque a Ordem dos Cavaleiros Pobres do Templo de Salomão foi extinta se não foi considerada culpada ?
Primeiro, o contexto histórico. Em 1291 caiu Acra, o último bastião dos cristãos na Terra Santa. Ninguém mais tinha ânimo para mais uma cruzada. Com isso o Vaticano ficou com um pepino na mão: tinha duas ordens militares (a outra era os Hospitalários) fortemente armadas, poderosas e ricas (principalmente os Templários, que eram muito ricos) e não tinha o que fazer com elas.
Em 1306 o Papa Clemente V teve uma idéia genial: unir as duas ordens militares em uma só. Não era a solução, mas pelo menos era alguma coisa.
O grão-mestre do Hospital apoiou entusiasticamente a fusão, mas Jacques de Molay, que viria a ser o último grão-mestre dos Templários, não gostou da idéia.
Os Templários sempre tiveram a fama de serem orgulhosos e mesquinhos. Cobravam 10 % de juros em empréstimos, recebiam “doações” como pagamento de despesas de viagem à Terra Santa, guardavam dinheiro de reis e imperadores, tinham centenas de castelos. Uma união com uma ordem bem mais “modesta” (mas não menos corajosa no calor da batalha) seria um ultraje para eles.
Enquanto as discussões sobre a fusão se arrastavam na burocracia do Vaticano, alguém resolveu fazer alguma coisa. Esse alguém foi Filipe, o Belo, rei da França.
Filipe tinha uns papagaios pendurados com os Templários. Ou, dizendo de uma forma mais elegante, devia uma grana alta para eles. Afim de resolver o problema, ele resolveu acusar os Templários e, de quebra, ainda tentou que seu filho fosse o grão-mestre de uma futura Ordem unificada Templários-Hospitalários, que nunca saiu do papel.
A má fama dos Templários ajudou nas acusações. Nenhum grupo pode ter tantos privilégios como os Templários tiveram por mais de 200 anos e não ser impopular. O fato é que as acusações de Filipe eram um tanto vagas: que os membros praticavam sodomia, “beijos obscenos” (seja lá o que for isso), que os padres da Ordem não consagravam a hóstia, que eles eram idólatras, etc. Mas, mesmo assim, a Inquisição expediu uma ordem para a prisão imediata dos Templários em toda a Europa, que foi executada em 13 de setembro de 1307 (menos em Portugal, que se recusou), uma sexta-feira. Dizem até que é por causa disso que as sextas-feiras treze são consideradas dias de azar.
Jacques de Molay tentou de todo o modo defender sua ordem, e realmente não havia provas contra ela. O processo se arrastou até 1312, e como estava demorando demais o Papa Clemente V convocou o Concílio de Viena e, cercado por tropas de Filipe (pressão ? não, imagina) expediu a bula papal Vox in excelso, extinguindo a Ordem dos Templários e passando seus bens para os Hospitalários e para alguns reis locais. E o processo de acusação foi arquivado, claro.
Com o processo extinto, Jacques de Molay que, supostamente sob tortura, havia confessado sua culpa, voltou atrás e tentou desesperadamente defender sua ordem. Como voltar atrás em uma confissão era considerado reincidência de pecado, a Inquisição não pode fazer nada: Jacques de Molay morreu queimado em uma fogueira em 18 de março de 1314.
Quanto aos Hospitalários, esses se deram bem. Mudaram o foco de ordem militar para ordem de caridade e mudaram de nome para Ordem de Malta. E continuam a existir até hoje.
Resumindo, os Templários foram suprimidos por causa de um rei caloteiro, um Papa fraco, uma má fama generalizada e uma ganância desmedida. Nada de teorias da conspiração malucas, de Maria Madalena, Santo Graal, nada. A História é mais simples do que algumas pessoas querem fazer parecer. Mas não menos interessante, ao meu ver.





Deveria se falar mais a respeito de, porquê o papa que era a única pessoa a quem os templários deviam obediência concordou com a extinção da Ordem do templo. Será que não havia nenhum acordo do rei Filipe IV com o então Arcebispo de Bodeaux Bertrand deGot, alguns anos depois nomeado papa Clemente V.
Deveria se falar mais de minuciosamente de como ocorreu a captura do Grão-Mestre da Ordem e seus cavaleiros dentro do Castelo do Rei.
Quem tiver acesso a essas informações, Principalmente se referente ao que aconteceu detalhadamente na noite da prisão, por favor envie para o meu email.
[...] reconquista dos territórios cristãos no Oriente Médio. Mas enquanto os famosos templários foram suprimidos numa polêmica decisão, os hospitalários continuaram a existir, primeiro em Rodes e depois em Malta. Hoje são uma [...]
Parece que o autor desse “artigo” não tem informes claro sobre quem eram, de fato, os templários, dos atos e fatos praticados pelo maior representante da Igreja Católica Apostólica Romana e do monarca Felipe, o Belo. Deve-se concordar com a fraca figura do Papa Clemente, da má catadura de Felipe, mas deve-se manter presente os poderes dos Cavaleiros Templários, da famosa frase proferida por Jacques de Molay ao receber sua sentença. Isso não foi expresso no “artigo” Depokafé. uma cenário deve ser visto por inteiro e não apenas alguns afrescos que o compõe. As figuras clássicas deste evento: Clemente, Felipe e de Molay, fazem parte da História, assim como a Ordem dos Cavaleiros Templários. No entanto, não existe um relato histórico que comprove a existência de Maria Madalena, exceto a Biblia, assim como a de um Jesus de Nazaré excetuada a mesma fonte. Creio que a História deva ser a fonte fidedigna para que um fato seja comprovado, não qualquer fanatismo religioso ou citações em cima de uma leitura rápida sobre um tema qualquer.
Antes de mais nada, meu caro João Carlos, só uma ressalva: isso não é um artigo. É um post. E isso aqui não é uma revista científica: é um blog.
Isto posto, creio que você há de compreender que existe uma diferença de linguagem (e de público) entre um post e um artigo.
Agora, devo confessar que não entendi a sua crítica ao meu post. A forma está boa, mas não entendi a crítica a Maria Madalena e nem porque eu não ter citado uma declaração de Jacques de Molay desabone o meu post. Se você puder me explicar, eu ficaria muito grato.
Ótimo post!
Claro que, para se mostrar toda a contextualização deste evento histórico, seria necessário escrever muito mais, mas percebo não ser este o objetivo do post.
Leitura agradável, de acesso a todos.
Meus parabéns!