E aconteceu de novo. Mais um terremoto na China e até agora cerca de 10 mil pessoas morreram. Agora já são 50 mil mortos.
Num país com mais de 1 bilhão de habitantes um acontecimento em que morram cerca de 10 mil 50 mil pessoas nem pode ser considerado assim uma grande tragédia. Mesmo porque já aconteceram tragédias muito piores.
O pior terremoto ocorrido na China foi em 23 de janeiro de 1556 e matou 830 mil pessoas. Estimativas apontam que o terremoto deve ter atingido 8,3 graus na escala Richter. O número tão elevado de vítimas se deve ao fato de muitas pessoas naquela época morarem dentro de cavernas escavadas em laterais de montanhas. Milhares foram literalmente enterrados vivos quando o poderoso terremoto aconteceu.
Mas se você acha que 830 mil mortos é muito, você ainda não viu nada. Entre 1333 e 1347 uma seca prolongada causou um surto de fome e de peste bubônica que ceifou a vida de 9 milhões de chineses.
E não foi só a seca, a fome e a peste bubônica que causaram toda essa tragédia. No auge da seca, em 1334, uma tempestade matou nada menos que 400 mil pessoas nas províncias do sul do país. O surto de peste bubônica que se seguiu às inundações matou cerca de 5 milhões de chineses. E muitos pesquisadores acreditam que o surto de peste bubônica ocorrido nessa época na China tenha sido o responsável pela terrível Peste Negra que exterminou 75 milhões de europeus entre 1347 (curiosamente o mesmo ano em que as coisas começaram a melhorar na China) e 1351.
Enquanto o sul da China sofria com as enchentes outras áreas sofriam com a seca, com direito a um “revival” dos tempos bíblicos com uma praga de gafanhotos. Como desgraça pouca é bobagem, entre 1340 e 1344 uma série de terremotos e um tsunami atingiram o país. Há relatos de terremotos que teriam durado até dez dias.
E, só para completar, ainda temos as inundações dos rios Amarelo e Yang-tsé. A primeira inundação registrada data de 2297 a.C. e teria durado 13 anos. Em 1887 morreram 900 mil pessoas na inundação. Em 1911, 200 mil pereceram. Em 1931 as estimativas de mortos apontam para 140 mil pessoas afogadas e cerca de 3,7 milhões foram atingidas pela fome e doenças decorrentes da inundação. Em abril de 1938, para deter o exército japonês que avançava pelo país uma barragem foi dinamitada e 500 mil pessoas morreram. Outras 500 mil morreriam no ano seguinte quando a temporada de chuvas chegou. Não é a toa que os chineses gastaram os tubos para fazer a Represa das Três Gargantas para, entre outras coisas, controlar as cheias do Rio Yang-tsé.
Depois dessas tragédias todas eu só não consigo entender uma coisa: como um povo pode sobreviver por tanto tempo num território tão inóspito como esse e ainda ter a maior população do planeta ?





Belíssimo texto, como de costume.
Todo esse contexto me fez lembrar Thomas Robert Malthus e seus estudos sobre a natureza intervindo no controle populacional.
Agora, sobre a pergunta em questão, a resposta concatena simplicidade e complexidade, simultaneamente: quantos são os lugares do planeta que apresentam condições realmente favoráveis? As variáveis clima, vegetação, movimentos esculturais e estruturais do relevo, regime de chuvas e marés, entre outros, fazem com que este levantamento chegue a zero ou muito próximo disso.
Portanto, talvez seja mais fácil explicar a demasiada concentração populacional a partir de aspectos “humanos” do que físicos. E para tal, a História nos proporciona uma série de argumentações. A forma de produção, os fluxos migratórios asiáticos, o perfil familiar, a estrutura fundiária, enfim, uma série de fatores.
Parabéns pelo texto, novamente.
Um forte abraço.
[...] na China ? Como eu escrevi a três posts atrás, terremotos que matam milhares na China não são uma ocorrência assim tão rara. Inclusive o [...]
isso é uma coisa besta….
que ninguém esta interessado em saber
o que me interessa saber sobre tragédias
eu quero saber do presente e não do passado
se liga……….
Se você quer saber do presente é só ligar a TV, meu caro…
Gosteei (y)