“Estou atrasado de novo !” – Adenilson Silva, 21, contínuo, universitário de Psicologia e neto amoroso, dois segundos antes de atravessar uma esquina sem olhar para os lados e ser atropelado por um ônibus.
“Não vai dar tempo !” – Severino Barbosa, 45, motorista de ônibus, churrasqueiro “oficial” da firma e ex-alcoólatra, ao tentar parar o coletivo que dirigia antes que atingisse um pedestre que apareceu do nada na sua frente.
“Motorista filho da puta !” – Verinha Almeida, 32, corretora de imóveis, contralto no coral da Igreja e nenhum acidente de trânsito na vida, antes de bater na traseira de um ônibus que freou bruscamente num cruzamento.
“Tinha que ser loira. Barbeira !” – Valdomiro Souza, 59, fiscal de trânsito, roncolho e pedófilo, ao ver um carro bater na traseira de um ônibus parado.
“Adoro homem de uniforme. Hummmm….” – Carlinha Pikninha, 22, garota de programa e mãe dedicada de uma futura bailarina, ao se virar para ver um fiscal de trânsito passar apressado para atender uma ocorrência na outra esquina.
“Garotinha nojenta” – Carolina Rerrera, 47, comerciante e fã de Roberto Carlos, gesticulando depois de esbarrar numa garota de saia curta e maquiagem carregada.
“Hahahaha. A gordinha ficou puta da vida” – Josenildo Françoaldo, 27, advogado e mestre em bondage, com especialização em Shibari, ao ver uma mulher acima do peso quase ser derrubada por uma jovem apressada.
“Aff, usando terno com esse calor. Isso é que é gostar de sofrer” – Clara dos Anjos, 15, estudante, leitora do Paulo Coelho e a oito meses de ficar dezoito horas em trabalho de parto do seu primeiro filho, ao passar por um engravatado sorridente.
“Ah, se eu tivesse idade…” – Ataxerxes de Almeida, 68, aposentado, diabético e torcedor do Santos, ao reparar nas belas pernas de fora de uma estudante com cara de enfezada.
“Velhinho tarado. Hehehehe” – Letisgo dos Santos, 24, motoboy, rapper e pai não conhecido de cinco filhos, ao reparar num velhinho reumático comendo com os olhos uma estudante gostosa.
“Odeio motoboys. Gentinha. Humpf.” – Isabelli Costa, 26, secretária bilíngue, estudante de bruxaria e homossexual enrustida, ao receber um maço de documentos e uma péssima cantada quase ao mesmo tempo.
“Gostosa ! Pena que não dá bola para mim…” – Marinaldo Coelho, 41, executivo, pai de três filhos e duas pontes de safena, ao dividir o elevador com a secretária bonitona do departamento em frente.
“Aí, seu Marinaldo já chegou e nada do Adenilson ! Desse jeito ele perde o emprego, coitado.” – Clotilde das Dores, 45, faxineira, filha-de-santo e casada com um jovem 20 anos mais novo, ao ver o chefe do seu departamento chegando.
“Sabia que esse moleque não ia durar muito tempo aqui” – Suzenildo Santiago, 34, ajudante de departamento de pessoal e com um câncer ainda não diagnosticado no pâncreas, ao preencher mais uma papelada de demissão.
“Espero que esse jovem aprenda a valorizar a pontualidade em seu novo emprego” – Josenilda Joaquim, 59, chefe de departamento de pessoal, ao assinar uma demissão e cinco minutos antes de receber uma ligação do IML.





Sensacional, Henderson!
Muitos personagens ligados sem saber e no final, o círculo se fecha. Muito bem bolado, inclusive as descrições cheias de sutilezas.
Grande abraço!