Top 5: os melhores livros lidos em 2010

Como já é tradição a dois anos no Depokafé, o primeiro post do ano é sobre os melhores livros lidos no ano anterior. Então vamos lá, tradições não podem ser quebradas, por mais que me doa no coração ter que deixar alguns excelentes livros de fora da lista.

O príncipe maldito

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Biografias nunca faltam na minha lista dos melhores livros, pois é um gênero que eu realmente gosto. Esse foi um ano lamentável para biografias, que foram banalizadas de vez. Geisy Arruda e Fiuk lançando biografias foi demais para mim, mas continuarei na minha difícil missão de encontrar biografias que valem a pena ser lidas.

Esse é o caso da biografia de Pedro de Alcântara Augusto Luís Maria Miguel Rafael Gonzaga de Saxe-Coburgo e Bragança, primeiro neto de Dom Pedro II. O livro é muito bem escrito e a pesquisa feita pela autora é cuidadosa e bem feita. O biografado teve uma vida e tanto. De um assustado garoto órfão aos seis anos até o adulto que conspirava nos bastidores para ser o sucessor do avô imperador, Pedro Augusto teve muita história para contar. Com alguns “ses” nos lugares certos e toda a história do Brasil teria sido diferente.

Infelizmente não foi, e Pedro Augusto terminou os seus dias louco num hospício, internado por mais de 30 anos. Uma história dramática, uma pesquisa bem feita e um livro bem escrito. Não precisa nem dizer que eu recomendo o livro, não é mesmo ?

O morro dos ventos uivantes

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Lamentavelmente, eu li pouquíssimos clássicos. Em 2010 eu tentei remediar um pouco isso, e como a obra de Emily Bronte estava facilmente acessível graças a coleção da Editora Abril, e numa tradução renomada ainda por cima, eu decidi tirar o atraso.

Alguns poucos livros me deixam com a sensação de “Caramba, como o(a) autor(a) conseguiu escrever isso ?”. Assim, de cabeça, me lembro de ter tido essa sensação com o eterno “Cem anos de solidão” e com o épico “O Silmarillion” e também com esse livro. É impressionante como uma autora reclusa como Emily conseguiu escrever uma obra com personagens tão fortes e com uma história tão bem amarrada como nessa obra. Um assombro de genialidade, sem dúvida. Alguns lamentam a morte precoce de Emily e ficam imaginando quantas outras obras ela escreveria, mas para mim já basta ela ter escrito este. Dificilmente ela conseguira fazer melhor.

Ainda sobre esse livro, preciso fazer um mea culpa. Eu, assim como muita “gente boa” por aí, criticou o fato do livro ter sido reeditado com uma capa ao estilo Crepúsculo e com a indicação que era um dos livros favoritos de uma das personagens da popular série de livros “sobrenatural teen”. Mas, quando eu fui cadastrar a leitura no Skoob dei uma olhada nas resenhas e comentários sobre o livro e vi que muitos jovens que só leram o livro por causa disso realmente gostaram do que leram. Alguns produziram resenhas que não ficam nada a dever a bons blogs literários por aí.

Acho que as vezes nós temos um preconceito contra determinadas obras e seus leitores, como classificar todos os leitores de Crepúsculo de ignorantes que gostam de uma obra literária que, dizem, está abaixo da crítica. Serviu de lição para mim. Assim como não podemos julgar um livro pela capa, também não podemos julgar um leitor pelos livros que ele lê.

As crônicas de Nárnia

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Mais um clássico lido no ano. E se é para ler um clássico, que seja logo a obra completa, um “catatau” de 750 páginas desconfortável de manusear, mas que vale a pena.

Gostei muito desse livro. Falam muito de “A feiticeira, o leão e o guarda-roupa”, que virou até filme (que eu ainda não vi), mas gostei bastante também de “O cavalo e seu menino” e  de “A última batalha”. O final, aliás, pode parecer meio estranho a princípio, mas depois de uma segunda leitura deu para perceber que se encaixa perfeitamente com o resto das histórias.

Como eu escrevi nas Saturnais na época que li o livro, não vou ficar aqui analisando a fundo o livro de CS Lewis, deixo isso para os especialistas. Tem gente que procura conexões malucas em tudo o que lê, que vê influências onde ninguém viu, mas eu não me preocupo com isso. Foi uma leitura divertida, valeu a pena e gostei bastante. É o que basta. Se você ainda não leu, faça-o. Não se arrependerá, tenho certeza.

Os mistérios de Mitra

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A editora Madras de vez em quando dá uma dentro. Republicar esse livro, escrito no começo do século passado, foi uma delas. Há uma carência de bom material sobre esse assunto, e este livro com certeza é muito bom.

Esquisotéricos em geral adoram apregoar aos quatro ventos que os rituais católicos são meras cópias dos rituais mitraicos, que estavam na “crista da onda” em Roma antes do cristianismo tomar de assalto o império romano. Esse livro não toma esse caminho fácil. Ele aponta as semelhanças, que em muitos casos são óbvias, mas sempre tem um pé atrás em fazer afirmações “bombásticas” e é bem ponderado. No fim, você acaba descobrindo que há semelhanças, mas que a essência é diferente, e isso muda tudo.

Infelizmente, não é um livro popular. Só tem um leitor no Skoob, eu mesmo. Será que esse ano eu encontro alguém que também o tenha lido ? Quem viver, verá…ou não.

1822

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E, para terminar, um best-seller histórico. Eu duvida que ele fosse tão bom quanto 1808, mas o Laurentino Gomes está se especializando nesse tipo de livro histórico e está se saindo muito bem.

Dom Pedro I, é claro, é o personagem principal do livro, mas a obra não se limita a ele e tem bastante informações sobre outros personagens importantes para o desenrolar dos fatos como a Marquesa de Santos, José Bonifácio e o Chalaça. Nesse ponto ele se aproxima do clássico “1808-1834 – As Maluquices do imperador” que também é muito bom, mas o tom é diferente, não tão satírico e mais preciso nas fontes.

Com certeza o nosso primeiro imperador teve uma vida fascinante, tanto aqui como em Portugal. Ele mereceria mais do que alguns livros, quem sabe um filme em estilo americano. Seria um sucesso. Nossa independência foi feita no melhor estilo “jeitinho brasileiro” e, mesmo contra todas as probabilidades, deu certo. E só deu certo porque D. Pedro I era um enérgico, mas também inconsequente, líder. Leia esse livro e descubra isso e muito mais.

Então é isso. Esse ano, como eu já havia anunciado, vou dar um caráter mais literário a esse blog, sem descuidar de outros assuntos, é claro. Para começar já tenho duas resenhas agendadas para os próximos dias. Se não ficarem boas, pelo menos vão servir para facilitar a minha tarefa de elaborar essa lista no ano que vem. Aguardem então, e bom 2011 para todos.

8 thoughts on “Top 5: os melhores livros lidos em 2010

  1. Henderson, com relação a 4 dos 5 tops que vc citou, nada a remendar, mas…

    Quanto ao seu comentário aos “Mistérios de Mitra”: com certeza, depois de substituir elementos e interpolar dogmas sobre os princípios da religião de Mitra, a religião católica adquiriu um cheirinho de nova, até pq a tônica da caridade (ao melhor estilo ocidental fanático) inexistia na Religião Mitraica. O que o catolicismo fazia era desviar a atenção dos romanos pra os “mistérios” recém-criados, dando-lhes caráter sagrado que até então não tinha, além de outros “trabalhinhos” sobre escrituras, na forma que melhor lhe convinha.

    Não esqueçamos que não é apenas a Mitra que o Catolicismo se reportou. O mito de um deus encarnado, nascido a 25 de dezembro (ou como queiram, logo após o solstício de verão, aqui), de uma concepção virginal e lendária, também é verificado nos Mistérios de Osíris, ainda mais antigos que os de Mitra. Eis uma das razões que motivaram o incêndio criminoso da Biblioteca de Alexandria, onde além de ciência, astronomia e Matemática, encontraríamos todas as Tradições Antigas das Nações, descritas em minúcias.

    Mitra e Osíris são mitos solares, o que evoca o poder patriarcal, e era esse poder que Roma queria forjar, à sua maneira, na mente dos coitados e “desesperançados”.

    Abçs e ótimo 2011 pra vc!

    • Ebrael:
      Eu não quis dizer que o mitraísmo não influenciou o cristianismo. Mas concluir que a essência do cristianismo é uma mera cópia modificada do mistraísmo é uma conclusão reducionista e errada. O buraco é BEM mais embaixo, já que o próprio judaísmo foi muito influenciado pelo zoroatrismo muitos séculos antes.

      A própria disputa entre mitraísmo e cristianismo deixa claro as diferenças entre ambos. O mitraísmo carregava em sua liturgia muitos rituais que não eram aceitáveis ao pensamento ocidental greco-romano, ao contrário do cristianismo.

      As coisas não são tão simples como o seu comentário faz crer, meu caro. Sugiro a leitura desse livro, você vai se surpreender.

      Amplexos festivos.

  2. Caríssimo, dois comentários:

    - eu gosto de reler O Morro… porque ele é um daqueles livros que me fazem passar o mesmo frio que os personagens, sentir a umidade de Wuthering H., etc. Acaba com o meu espírito, fico maus, mas amo.

    - eu não tive as manhas de ler o catatau do Lewis inteiro, mas a crônica com a criação de Nárnia é uma das coisas mais bonitas que já percorri com os olhos.

    - Hey, procure pra ler A Condessa do Barral – a paixão do Imperador. É da Del Priore tumém.

    - Invejo a disposição e a disciplina de vocês, que conseguem manter blogs funcionando decentemente. Sério.

    Ops, foram quatro comentários. Mals aí.

  3. Olá Henderson,

    que boa lista! O Morro dos ventos uivantes é um dos meus livros preferidos; também comprei a edição da abril, mas estou deixando para saborear de novo com calma. E se as fãs de crepúsculo o estão lendo por indicação da “Bella”, melhor ainda. Apesar de essa nova edição crepuscular ser uma bela apelação da editora .

    O príncipe maldito – querido irmão leu e praticamente já me contou o livro todo, assim como o 1822. estão na lista de empréstimos fraternais e futuras leituras. Como é bom ter um irmão que gosta de bons livros e empresta pra irmãzinha…. (hehe)

    Nárnia e Mitra não li; apesar de ter visto o primeiro filme, acho que esgotei minha cota de fantasia com Harry Potter e O Senhor dos Anéis, se for pra começar outra série acho que vou de Pratchett ou Neil Gaiman (culpa da Naomi).

    Abraços, e feliz 2011!

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