Lido: O último teorema de Fermat

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Pierre de Fermat é considerado entre os matemáticos como “o príncipe dos amadores”. Mesmo não sendo um matemático “profissional”, ele contribuiu em vários ramos da nobre ciência matemática. Mas ele se tornou conhecido do grande público por causa de uma anotação na margem de um livro de aritmética. Ele afirmou que a equação xn + yn = zn não tem solução inteira não-nula para x, y e z quando n for maior do que 2. Ou, dizendo em termos leigos, essa conta não vai “bater” se o expoente for maior do que dois. E ele afirmava que tinha a prova disso, pois escreveu:

"Encontrei uma demonstração verdadeiramente maravilhosa disto, mas esta margem é estreita demais para contê-la."

“O último teorema de Fermat” conta a história de como, por trezentos anos, alguns dos mais talentosos matemáticos do planeta tentaram demonstrar se Fermat estava certo ou não, (já que a demonstração de Fermat nunca apareceu) até que um britânico obcecado pelo problema o resolveu depois de dez anos de estudos e mais de 100 páginas de cálculos.

O livro começa como esse post, contando a história de Fermat e do teorema que leva o seu nome. Prossegue contando como vários matemáticos tentaram resolver esse problema, e porque e como eles falharam. Essa é uma parte muito interessante da obra, já que o autor a enriquece com vários detalhes sobre a vida e os feitos desses matemáticos notáveis. Há inclusive uma excelente parte sobre matemáticas do sexo feminino e sua contribuição para essa ciência que vale a pena ser lida.

Em todo o livro Simon Singh tenta ser o mais didático possível ao explicar as complicadas teorias matemáticas. Isso se torna mais difícil na parte final da obra, quando entra em cena aquele que entraria para a história como aquele que resolveu finalmente o problema, o matemático britânico Andrew Wiles.

Wiles era um obcecado pelo teorema de Fermat e abriu mão da própria carreira para tentar descobrir a solução do enigma. Trabalhando sozinho, o que é incomum num trabalho desse porte, ele finalmente chegou à solução, mas o fez de forma indireta. Em termos leigos, ele demonstrou que um outro problema, a conjectura de Taniyama-Shimura, que depende do teorema de Fermat para ser verdadeira, estava correta. Mesmo se esforçando para “traduzir” isso de forma entendível para não matemáticos, o assunto é complexo e exige uma leitura atenta e uma boa dose de raciocínio abstrato para ser compreendido. Mas o autor fez o que pôde, e de forma louvável.

A partir do anúncio da solução do Teorema de Fermat, o livro fica laudatório até demais sobre o autor da façanha. Sim, Wiles é um gênio, mereceu o título de cavaleiro do império britânico que lhe foi outorgado, e o prêmio em dinheiro que um industrial alemão deixou para quem resolvesse o problema desde o começo do século passado, depois que o teorema de Fermat lhe salvou a vida (uma história deveras curiosa e que o autor conta em detalhes) mas o tom de “rasgação de seda” me pareceu exagerado em alguns pontos. Mas esse pequeno deslize não tira o brilho da obra, que é muito bom.

Veredito final: Um bom livro, mas que deve ser lido com atenção. É também uma boa fonte de informação sobre alguns matemáticos famosos. Nota nove.

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