Lido: Trilogia Alexandros

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Romances históricos nunca foram o meu tipo de leitura favorito. Sempre achei que a História por si só já é suficientemente interessante. Mas sempre é bom ler algo diferente, as credenciais do autor são boas (é historiador e arqueólogo) e os livros estavam em promoção, então resolvi dar uma chance para a trilogia Aléxandros. E não me arrependi.

A primeira parte, “O sonho de Olympias” cobre desde o nascimento de Alexandre até os preparativos para a invasão da Ásia. O autor dá bastante espaço para o tempo que Alexandre e seus amigos passaram com Aristóteles. Ele descreve bem o relacionamento difícil entre Alexandre e seu pai e faz uma excelente descrição do assassinato de Filipe. Há pouca ação, porém. A batalha mais importante foi Queronéia, mas o autor não foi feliz ao relata-la. Esse defeito vai acompanhar toda a obra, que não prima pela boa descrição das batalhas.

“As areias de Amon” cobre a primeira parte da invasão de Alexandre à Ásia, até a confirmação da sua condição divina pelo oráculo egípcio. Nessa parte o autor se enrolou um pouco. Ele dá muita ênfase à tomada de Halicarnasso e ao embate entre Alexandre e o mercenário grego Mennon, transformado pelo autor em um grande personagem, com direito a morte heróica e tudo. As batalhas, que poderiam ser o ponto alto do livro, são mais uma vez fracas. As batalhas de Granico e de Issus são descritas quase que sumariamente. Já o cerco a Tiro é bem mais detalhado e ficou excelente. No posfácio o autor explica que esteve em visita às ruinas da cidade e isso pode explicar porque ficou tão bom.

A última parte, “Os confins do mundo” relata o final da expedição de Alexandre, a conquista plena da Ásia, a expedição à Índia e por fim a morte de Alexandre. Mais uma vez o autor perdeu a mão na descrição de algumas batalhas importantes. A de Gaugamela ficou insípida, ousaria dizer que até a descrição da mesma na Wikipédia ficou melhor do que no livro. Mas há méritos nessa parte. O autor faz bem a transição entre o Alexandre guerreiro e o divino, que se considerava um semi-deus. A tensão entre Alexandre e seus companheiros macedônios fica palpável a cada capítulo, a partir da destruição de Persépolis por Alexandre. A expedição à Índia conta também com muitos detalhes, muitos que eu jamais havia lido.

Ao terminar as quase mil páginas de Aléxandros, eu cheguei a algumas conclusões. Primeiro, que o autor se preocupou mais com a pessoa de Alexandre do que com as suas conquistas. Há mais diálogo do que ação, com especial interesse para as suas relações com seus amigos e seu exército. Segundo, que o autor tomou algumas liberdades, como aumentar o papel de alguns personagens como o mercenário Mennon ou o espião Eumolpo de Sollis. E terceiro, que ele dá pouca atenção às personagens femininas, com a exceção de Olimpia no primeiro livro.

Mas, no geral, a obra é boa. Escrita em linguagem acessível e com um bom ritmo na maior parte do tempo, a leitura não cansa e passa rápido. Para quem quiser entender melhor quem foi Alexandre pode ser uma boa pedida.

Veredito final: uma boa trilogia, bem escrita, mas com alguns pequenos defeitos. Nota sete.

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