De volta à ilha – parte 5

A canoa ainda estava no mesmo lugar onde Priscila a tinha deixado quando Onesíforo chegou. Seus braços doíam do esforço de remar até a ilha, mas ele não tinha tempo para se queixar. Desembarcou e reconheceu sem demora as pegadas da filha. Elas iam até a floresta, e foi para lá que ele seguiu, apertando com força o revólver nas mãos.

A mata era mais fechada do que parecia vista da praia. Logo a luz do Sol se foi quase que completamente. Era difícil seguir o rastro na penumbra, mas não havia dúvida que ele deveria seguir em frente, em direção ao morro. O caminho começou a ficar mais íngreme e escorregadio, até que ele encontrou o paredão. Como aquelas pedras enormes tinham sido movidas até ali ? Quem as trouxera ? Onesíforo não tinha tempo para divagações. Viu uma mancha de sangue nas pedras a sua esquerda e foi para lá que seguiu.

Seguiu lentamente e com dificuldades até que avistou o portão. Era de ferro, com um belo brasão no meio. Onesíforo estava se perguntando se conseguiria arrombá-lo quando o portão se abriu com um estrondo. Um homem de capuz saiu. Ele estendeu a mão para a direção onde Onesíforo estava, e ele se sentiu paralisado, como se estivesse sendo contido por cordas invisíveis. Tentou falar, mas não conseguiu. A respiração começou a ficar difícil. A visão se turvava. Ele ia morrer, e ia ser logo.

Mas uma figura feminina apareceu ao lado do homem de capuz. Ele tinha certeza que era sua filha. Ela se ajoelhou ao lado do homem, como se implorasse. Ele não conseguia ouvir o que eles diziam, mas o homem abaixou ligeiramente a mão e ele sentiu sua respiração mais fácil de novo. A garota se aproximou dele.

- Pai, o senhor não devia ter vindo. Ele ia matá-lo, mas não vai faze-lo se você for embora. Por favor, pai, não chore. É o meu destino. Volte para casa, por favor. – Ela se aproximou e lhe deu um beijo no rosto, enquanto colocava rapidamente algo no seu bolso.

Sua filha voltou para perto do homem, e os dois entraram portão adentro e o fecharam. Nesse momento Onesíforo retomou os seus movimentos. Sentiu ganas de esmurrar o portão, mas sabia que não podia. As lágrimas de decepção e raiva rolaram pelo seu rosto. Sua filha estava perdida para ele. Levou a mão até o bolso. Encontrou um pequeno papel escrito com a letra bonita de Priscila. Antes de se voltar para ir embora, Onesíforo fez um juramento.

- Nos vemos em quatro gerações, seu bastardo. Meus descendentes não falharão. Não mais.

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