O cigarro mata

Não, esse não é um texto antitabagista. É a história de como uma bituca de cigarro foi responsável pela morte de 552 pessoas e causou prejuízos de mais de 100 milhões de dólares.

Aconteceu numa quarta-feira, 16 de abril de 1947 no porto da cidade do Texas, Estados Unidos.

Quatro dias antes o cargueiro francês Grandcamp havia chegado ao porto carregando algodão, barbante e amendoim. Nesse mesmo dia ele começou a ser carregado com 2.300 toneladas de nitrato de amônia, um produto químico usado para fazer fertilizantes e altamente inflamável.

No porto também estava o cargueiro americano High Flyer, sendo carregado com uma grande quantidade do mesmo produto químico.

E, a 200 metros do porto, a industria Monsanto possuía uma instalação cheia de produtos inflamáveis. Estava armado o cenário para a tragédia.

No fatídico 16 de abril um idiota, no convés inferior do Grandcamp, jogou uma bituca de cigarro onde não devia. Começou aí um pequeno incêndio.

A tripulação não quis usar muita água para apagar o fogo, pois ela podia estragar os produtos armazenados. Por causa dessa negligência, o fogo se alastrou.

As autoridades portuárias foram avisadas e ordenaram que o Grandcamp fosse rebocado para fora do porto. Mas já era tarde demais. O cargueiro explodiu.

A explosão foi ouvida a mais de 250 km de distância e registrada pelo sismógrafo de Denver, a 1600 km de distância.

Todas as janelas da cidade do Texas foram destruídas, assim como metade das de Galveston, localizada a 16 km, do outro lado da baía.

Dois aviões que sobrevoavam a cidade do Texas a 300 metros de altura foram partidos ao meio e seus tripulantes morreram.

Mas a tragédia estava apenas começando.

O fogo atingiu as instalações da Monsato, que explodiram junto com três tanques cheios de petróleo que se encontravam nas imediações.

“Pelo amor de Deus, chamem a Cruz Vermelha ! A cidade explodiu ! “ – o pedido de ajuda desesperado de uma telefonista da cidade do Texas resume bem a situação.

Equipes de resgate chegaram em pouco tempo e encontraram um cenário assustador. Centenas de carros haviam sido completamente esmagados em segundos, muitos deles levando passageiros. Pedaços de metal do barco e da fábrica foram arremessados com tamanha velocidade que muitas vítimas que estavam perto da explosão foram decapitadas e/ou mutiladas. Mas ainda não havia acabado.

No dia seguinte o cargueiro americano High Flyer foi atingido pelos incêndios iniciados no dia anterior e também explodiu. Depois de mais essa explosão muitos habitantes da cidade fugiram para nunca mais voltar.

Saldo final da tragédia: 552 mortos e mais de 100 milhões de dólares de prejuízos. E tudo isso por causa de uma bituca de cigarro. Por isso, quando disserem que o cigarro mata, acredite. E nem sempre mata de câncer.

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3 comentários sobre “O cigarro mata

  1. Obrigado pelo elogio, Gabriel. Estou tentando manter uma média de um texto a cada dois dias. No começo eu pensava em fazer posts diários, mas a prática é diferente da teoria. Como eu não gosto de postar qualquer besteira às vezes fica difícil. Mas vou me esforçar para melhorar a média.

    Será um prazer tê-lo como leitor. Um abraço.

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