Baalbek, uma pedra no sapato

O sítio arqueológico de Baalbek fica a 70 quilômetros a leste de Beirute, no Líbano. E, não fosse por algumas pedras de tamanho gigantesco seria somente mais um lugar esquecido no Líbano. Por causa delas, muita coisa foi escrita, deduzida e viajada na maionese por muita gente. Mas continuam até hoje inexplicáveis.

Baalbek se constitui basicamente de um terraço com cerca de 750 metros de cada lado. Sobre esse imenso terraço acredita-se que havia um templo para o deus Baal e sua companheira, Astarte. Posteriormente, sobre as ruínas desses templos, seria construído um templo romano para o deus Júpiter, cujas ruínas existem até hoje.

Esse terraço, ou plataforma sob a qual os templos foram construídos é que vem dando dor de cabeça a muito tempo. Porque basicamente as pedras que o compõe são grandes e pesadas demais para terem sido movidas por povos que viveram cerca de 6.000 a.C., que acreditam alguns ser a idade das ruínas (os céticos acham que são do período romano, como veremos mais tarde).

Algumas dessas pedras que compõe a magnífica plataforma tem 24 metros de comprimento por 4,5 metros de espessura, pesando entre 750 e 1500 toneladas, dependo da fonte que você consulta (os esotéricos de plantão, é claro, preferem o segundo valor, como veremos).

Mas mesmo que pesem “somente” 750 toneladas cada pedra das que compõe a plataforma de Baalbek não conseguiria ser movida facilmente hoje em dia nem pelo mais poderoso guindaste ou grua. O fato de uma pedra ainda maior, com cerca de 1000 a 2000 toneladas estar repousando placidamente numa pedreira a 800 metros da plataforma de Baalbek não ajuda muito também. Como se explica que pedras assim tão colossais tenham sido colocadas em perfeita ordem ? Como elas foram construídas ? Como foram movidas ? Com qual propósito ? Aí que está. Ninguém sabe. É aí que começam os problemas e muita gente viaja na maionese sobre como e para que foi construída Baalbek.

Charles Berlitz e um cientista soviético chamado dr. Agrest sugerem que Baalbek tenha sido uma pista de pouso para naves extraterrestres.

O escritor e estudioso da Suméria Zecharia Sitchin acredita que Baalbek era um centro de lançamento de foguetes, tipo Cabo Canaveral.

David Hatcher Childress, por sua vez, diz que Baalbek era uma base do Império Osiriano, que foi contemporâneo de Atlântida e da Lemúria, antes que todos fossem destruídos numa guerra entre eles e que seriam os ancestrais dos egípcios  E foi uma guerra nuclear, de acordo com ele. Qualquer dia escrevo um post sobre esse tema.

Essas três teorias podem parecer malucas para a maior parte de nós, mas alguns acreditam piamente que existiram civilizações muito avançadas num passado remoto e que de certa forma nós hoje somos “descendentes” delas. Outros vão mais longe e acreditam que essas civilizações avançadas seriam de extraterrestres que povoaram a Terra. E Baalbek é apresentada como prova dessas civilizações perdidas, assim como as pirâmides, a pilha de Bagdá e os relevos de Dendera, só para citar alguns poucos exemplos.

Para complicar mais ainda a situação, nós temos a Bíblia. O Livro Sagrado fala de uma raça de gigantes que viviam em Israel quando os judeus chegaram fugidos do Egito. Só isso já basta para que alguns especulem sobre a existência de uma raça de gigantes que teria povoado aquela região e construído Baalbek. Resumindo: tiram-se alguns versículos do contexto, interpretam a coisa ao pé da letra e a bagunça só aumenta.

Mas nem o ceticismo cientifico dos tempos modernos pode dar uma explicação satisfatória. Os céticos geralmente citam uma investigação feita por cientistas alemães em 1904-1905, a primeira a escavar sistematicamente o local. E jogam na cara dos crédulos a verdade inquebrantável: somente as “bordas” da imensa plataforma foram feitas de pedras gigantes. Todo o resto foi construído com escombros e tijolos normais. Inclusive os alicerces dos templos se apóiam na pedra bruta, porque seu peso não seria suportado pela plataforma. As pedras gigantes seriam somente um muro de contenção. E a plataforma é da época romana, não de milhares de anos antes de Cristo. Touché !

Mas, que me desculpem os céticos, essa explicação também não me satisfaz. Não importa se toda a plataforma ou somente o muro externo dela foi feito com pedras gigantes. Alguém construiu aquelas pedras, alguém as moveu. Mesmo que elas pesem “somente” 750 toneladas ou até menos (os céticos dão uma estimativa de 600 toneladas por pedra) ainda assim seria um esforço considerável move-las, mesmo com a pedreira tão perto. Concordo com os céticos quando eles dizem que os romanos teriam condições técnicas de faze-lo, mas me pergunto de novo: para que ? Para que erguer templos a Júpiter (esse o maior templo dedicado ao deus que se conhece até hoje), Baco, Hermes e Vênus naquele local, longe de grandes cidades ? Resumindo: para que tanto trabalho justamente naquele local ? Os achados arqueológicos apontam indubitavelmente para uma origem romana de Baalbek, mas e se o uso que os romanos fizeram da plataforma tiver apagado os registros mais antigos ?

Para mim ainda há dúvidas demais, nenhuma teoria me satisfaz (rimou !). Em uma palavra, para mim Baalbek é inexplicável. E isso basta.

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3 comentários sobre “Baalbek, uma pedra no sapato

  1. Parece que o livro de Enuma elish conta que Gilgamesh, um homem que era 2/3 deus 1/3 homem, se aventurou até as Florestas de Cedro do Líbano justamente para procurar uma plataforma de lançamento para ir ao planeta de seu pai para poder ter vida eterna. Não sei se seria esse o local, de qualquer maneira, assim como as Pirêmides de Gizé, Baalbek, O Templo de Jerusalém também tem pedras colossais creio que das mesmas proporçòes das de Baalbek.
    Abraço.

  2. Amigo, se essas pedras têm esse tamanho e esse peso, acho que nem hoje poderiam ser construídas e movidas! Com nenhuma ferramenta se poderia fazer uma artesania dessas mesmo hoje em dia! Além do mais, algum guindaste moderno até poderia levantar um monólito desses… Mas como se faria o transporte? Nenhuma carreta, por mais potente que seja, poderia! Locomotivas com vagões nem pensar, pois o terreno do local também não é propício pra isso!
    Realmente é um mistério intrincado mesmo, uma pedra no sapato dos céticos, dos que raciocinam com bom senso, e até dos que são crédulos demais! Duvido que mesmo esses últimos concebam uma explicação plausível para a construção de um monumento com monólitos dessa magnitude! Quem quer que tenha construído, em qualquer época que tenha sido, tenha sido extraterrestre (não acredito muito) ou não, fez pra durar! E fez também de modo que ninguém pudesse imitar!

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