Corram que o asteróide vem aí !

Não, esse post não é sobre a brilhante (sic) campanha de marketing da Citroen e nem sobre o asteróide Pallas. O espaço está cheio de pedregulhos de verdade para a gente ficar se preocupando com um asteróide imaginário…

A Academia de Ciências Francesa deve se ressentir muito com esses pedregulhos espaciais. No século retrasado ela afirmou, categoricamente, que meteoros não existiam. As pessoas que viam pedras cair do céu estavam simplesmente delirando.

Inclusive o barão de Cuvier, naturalista francês que formulou as leis da anatomia comparada e lançou as bases da paleontologia animal, declarou categoricamente que “pedras não podem cair do céu, porque não existem pedras no céu.”. Então tá, ué. Isso que dá ouvir um biólogo, por mais brilhante do que seja, ao invés de ouvir um astrônomo…

Hoje em dia ninguém duvida da existência de pedras no espaço. E alguns ficam muito preocupados que alguma dessas pedras caia por aqui e acabe com a nossa civilização.

Um dos medos desse pessoal é o asteróide Apophis, descoberto em 2004. De acordo com os cálculos, em 2029 ele vai “tirar uma fina” da Terra. Vai passar a cerca de 50.000 km do planeta. Só para comparar, a Lua está a cerca de 384.000 Km da Terra. Vai dar até para vê-lo a olho nu.

Depois dessa fina, especula-se que a trajetória do asteróide possa ser influenciada pelo campo gravitacional da Terra e que na próxima passagem, em 2036, ele possa colidir com o planeta. De acordo com os cálculos ele tem uma chance de 0,2 % de bater na Terra. Isso mesmo, 0,2 % !

Uma pergunta que eu sempre me faço é qual sistema operacional que eles usam para fazer esses cálculos. Porque se for no Windows estamos ferrados, até a calculadora por lá é imprecisa.

Mas, voltando ao tema, o Apophis vai fazer um bom estrago se aparecer por aqui. Ele tem 320 metros de diâmetro. Não vai dar para acabar com a vida na Terra, mas talvez dê para destruir um pequeno país ou uma grande cidade. Ou quem sabe gerar um tsnumani que vai deixar aquele de 2004 parecendo uma marola inofensiva.

Mas o Apophis não vai ser o primeiro asteróide a tirar uma fina na Terra. Em julho de 2006 o XP14 (quem batiza esses asteróides ?) passou a 435.000 km do planeta e pôde ser visto com telescópios amadores. Ele tinha, ou melhor, tem 600 metros de diâmetro. É, escapamos de boa.

Os mais catastrofistas alegam que tudo é uma questão de tempo, que um asteróide gigantesco ainda vai acabar dizimando quase toda a vida na Terra. Dizem que as baratas vão sobreviver, pelo menos.

Mas então eu me pergunto: e daí ?

Quem garante que isso não aconteceu antes e que alguma civilização pré-existente não tenha sido dizimada antes da nossa ? Será que isso não explicaria as lendas sobre continentes perdidos e estranhas ruínas que existem por aí ?

E, pensando pelo lado positivo, quem garante que a próxima forma de vida inteligente não vai ser melhor do que a nossa ? Afinal nós já estamos destruindo o planeta mesmo. Se vier uma montanha gigante dos céus e antecipar o trabalho que estamos fazendo, que mal há nisso ?

O grande problema é esse nosso pensamento ocidental. Porque tudo tem que ter começo, meio e fim ? A filosofia oriental não vê problemas em enxergar um universo cíclico, um grande “bis” cósmico. A doutrina da reencarnação, por exemplo, se baseia nisso. Vida-morte-vida e assim vai, por séculos e séculos a fio, até que você faça um “upgrade” para o nível deus avançado e não precise mais voltar.

Isso sem contar que os esquisotéricos que adoram uma profecia iam amar uma tragédia desse tipo. Afinal, tem pelo menos uma dúzia de profecias – maias, aztecas, da pirâmide de Gizé (!) – que preconizam o fim do mundo, o “início de uma nova era” (só se for para as baratas). Então que venha a destruição final. É capaz dessa gente até fazer festa quando a montanha assassina estiver a caminho.

O que fazer então ? Nada, oras. O que tiver que ser, será. Enquanto isso eu vou ali assistir (de novo) Armageddon e já volto.

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