A maior tragédia aérea

Apesar das autoridades brasileiras parecerem estar se esforçando para nosso país conseguir mais esse recorde (ou seria record ?) ainda não foi dessa vez que a maior tragédia aérea foi superada.

Em 27 de março de 1977 uma bomba terrorista do ETA explodiu no aeroporto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias. Por causa disso, todos os vôos que iriam pousar lá foram desviados para o aeroporto de Los Rodeos, em Tenerife, na mesma ilha.

O vôos 4805 da KLM Royal Dutch Airlines vindo de Amsterdan e 1736 da PanAm vindo de Nova York, foram desviados para o aeroporto de Tenerife, onde pousaram com uma diferença de 40 minutos.

Quatro horas depois, os dois aviões receberam ordens para iniciar as manobras de decolagem. O avião da KLM começou a decolagem, em rota de colisão com o avião da PanAm, que estava ainda taxiando pelo lado oposto da pista.
“Lá vem ele..olha lá ! Desgraçado…aquele imbecil está vindo ! Sai daí ! Saí daí ! Saí !”

O desespero do primeiro-oficial Bragg, do vôo da PanAm, recuperado depois pela caixa-preta, resume bem a situação. O avião da PanAM ainda tentou desviar, mas o jato da KLM levantou vôo e o trem de aterrissagem e uma turbina bateram no Boeing da PanAm, que se partiu em diversos pedaços e pegou fogo ainda no chão. Somente 61 pessoas sobreviveram.

O jato da KLM continuou a ganhar altitude, chegou até a uns 90 metros de altura e depois caiu, a cerca de 900 metros da cabeceira da pista. Ninguém sobreviveu.

Saldo total da tragédia: 583 mortos.

Nas investigações que se seguiram,  descobriu-se que os controladores de vôo (sempre eles) haviam dado instruções ambíguas para os comandantes dos aviões, que se posicionaram em lados opostos da pista. O avião da PanAM deveria ter manobrado e saído da pista de decolagem, mas seu comandante não conseguiu enxergar o caminho por causa da espessa neblina.

Enquanto isso o comandante Jakob van Zanten, do vôo da KLM, não respeitou – ou não entendeu, devido ao forte sotaque espanhol dos controladores de vôo – a ordem para aguardar permissão para decolagem e saiu com tudo. Especulou-se que o comandante van Zanten estaria com pressa para retornar pois o seu tempo máximo de vôo permitido estava para estourar e isso implicaria em atraso ou adiamento no vôo, causando enorme prejuízo à companhia aérea. Provavelmente ele também não viu o avião da PanAm na mesma pista, por causa da neblina. Ou achou que dava para “tirar uma fina”. Vai saber.

Em virtude do terrível acidente, as regras para o taxiamento nas pistas de decolagem e de comunicação entre os controladores de vôo e os comandantes dos aviões foram mudadas e tornadas mais rígidas. Pouco mais de trinta anos depois, os controladores de vôo continuam nos holofotes da mídia, agora no Brasil. Certas coisas não mudam mesmo. Só trocam de lugar. Inclusive as tragédias. Infelizmente.

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