O homem que todos deviam odiar

Esse aí embaixo, meu caro leitor, minha prezada leitora, é Thomas Midgley Jr. Você vai odiá-lo daqui a pouco. Ou pelo menos ficar bem chateado com ele.

Você devia odiar esse cara

Thomas Midgley Jr. nasceu em 18 de maio de 1889, e o mundo teria sido um lugar mais seguro para se viver se isso não tivesse acontecido.

Engenheiro de formação, mas atuando na área da química, em 1921 ele estava trabalhando para a General Motors quando descobriu que a adição de chumbo à gasolina faria com que o motores parassem de “bater”.

Isso foi uma grande descoberta para a industria automobilística, mas uma péssima invenção para eu, você e algumas outras milhões de formas de vida no planeta.

Isso porque o chumbo é um metal pesado e tóxico. O seu acúmulo no corpo humano causa, entre outras coisas, anemia, aumento da pressão sanguínea, diminuição na fertilidade masculina e danos ao cérebro, como você pode constatar nesse artigo da Wikipedia.

A partir de 1923 a Ethyl Corporation começou a vender chumbo para adição à gasolina, mas adotando o nome mais amigável de “etilo”. Curiosamente, o site da empresa não faz nenhuma menção à Midgley, apesar da empresa continuar faturando cerca de 25,1 milhões de dólares ao ano com a venda do produto.

Quem primeiro deu o alerta para os perigos do chumbo foi Clair Patterson, que esbarrou nele enquanto fazia sua pesquisa sobre a idade da Terra, em 1953 (foi ele quem descobriu que nosso planeta tem 4,5 bilhões de anos). Graças a sua atuação, os EUA baniram o chumbo da gasolina em 1986 (o Brasil faria isso em 1989). Mas, como o chumbo se acumula na atmosfera e em nosso corpo, estima-se que um estadunidense tenha hoje 625 vezes mais chumbo no sangue do que alguém que tenha vivido antes de 1923. E tudo graças a Thomas Midgley Jr.

Bem, se até agora você ainda não ficou com vontade de depredar o túmulo de Midgley (ele morreu em 1944), sossegue. A contribuição de Midgley para tornar esse mundo um lugar inabitável para formas de vida baseadas em carbono e descendentes dos primatas não se restringiu somente ao chumbo na gasolina.

Movido pela melhor das intenções – e de boas intenções o inferno está cheio – Midgley resolveu melhorar os refrigeradores. Até o trabalho de Midgley, o fluido usado para o resfriamento era a amônia ou o dióxido de enxofre, gases venenosos com cheiro desagradável e facilmente combustíveis. Para resolver isso ele criou um gás estável, não inflamável, não corrosivo e que era seguro de se respirar. Os clorofluorcarbonos, ou CFCs.

Sim, você leu certo. O responsável pelo rombo na camada de ozônio é Thomas Midgley Jr. Hoje, cerca de 3 a 5 % da camada de ozônio já foi destruída. E já estamos sofrendo as consequências: os casos de câncer de pele nos EUA aumentaram 1000 % entre 1950 e 1990. Já especula-se que os CFCs também podem contribuir para o efeito estufa. Efeitos na cadeia alimentar dos oceanos e na mutação genética só devem ser percebidos a longo prazo. Valeu, Thomas Midgley Jr.

Talvez sirva de consolo saber que Thomas Midgley Jr. teve uma morte no mínimo, incomum. Afetado pela paralisia infantil, ele inventou um dispositivo com cordas e roldanas que o levanta e virava na cama (não se esqueça que ele era engenheiro). Em 2 de novembro de 1944 ele ficou embaraçado nas cordas e acabou morrendo estrangulado.

Se depois desse texto você não odiar, ou pelo menos ficar chateado pela existência de Thomas Midgley Jr., me procure. Você deve ser alguma espécie de espírito superior e eu tenho muito a aprender com você.

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3 comentários sobre “O homem que todos deviam odiar

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