Em que nós somos bons

O homo sapiens sapiens – aquela espécie heterogênea que engloba eu, você, o Bin Laden, o Bush e mais uns 6 bilhões de pessoas nesse planeta – pode ser boa em muitas coisas, pode ter criado uma ciência bem avançada, pode ter descoberto a cura de muitas doenças, mas se supera mesmo numa coisa – exterminar outras formas de vida.

Hoje, por exemplo, só há quatro espécies de animais terrestres com mais de uma tonelada métrica: elefantes, rinocerontes, girafas e hipopótamos. O resto ? Extinguimos todos. Inclua aí nessa lista preguiças gigantes, tartarugas do tamanho de um carro pequeno, lagartos-monitores de seis metros e mamutes.

Se os nossos ancestrais tiveram uma boa desculpa para exterminar toda essa fauna – comer, é claro – as extinções modernas não são assim tão desculpáveis.

Veja o caso do pássaro Dodô. Tudo bem que ele era meio idiota: bastava capturar um e fazê-lo guinchar para que todos os outros que estivessem por perto aparecessem. Mas ele era o maior representante da família dos pombos em todos os tempos. O que resta hoje dele ? Uma cabeça e um pedaço de asa empalhados e alguns outros ossos, além de alguns desenhos. Não temos sequer um ovo de Dodô, ou uma descrição científica de como ele era.

Esse pássaro era estúpido

Mas o caso do pássaro Dodô é só o mais conhecido. O último lobo-da-tasmânia, um animal parecido com um cão com listras de tigre nas costas e que foi o único grande marsupial carnívoro a viver nos tempos modernos, morreu em 1936 e foi empalhado. Anos depois, foi jogado no lixo. Só o que resta dele agora são fotografias.

Mais um exemplo: o periquito da Carolina, bela ave canora da América do Norte, foi extinta no começo do século passado porque era considerada uma praga e porque tentava socorrer os seus companheiros feridos pelas armas de fogo. O último exemplar morreu e foi empalhado em 1918. Onde ele está hoje ? Foi perdido. Só restam desenhos.

Para uma espécie que se vangloria de ser o ápice da evolução, isso é uma vergonha. E nós continuamos extinguindo a vida do planeta. As estimativas variam de 600 por semana – incluídas aí todas as formas de vida, incluindo animais grandes, insetos e plantas – a somente duas no mesmo período. Ou seja, não fazemos a mínima idéia.

Não fazemos sequer idéia de quantas espécies existem ao todo. São registradas cerca de quinze mil espécies novas por ano (somadas plantas e animais). Muito mais do que isso pode ser extinta no mesmo período. Nós somos tão ignorantes que não sabemos nem quantas espécies conhecidas de minhoca existem no mundo ! Alguns falam em quatro mil, outros em doze mil. Para uma espécie que se orgulha do seu saber, isso é vergonhoso, não acham ?

Se as coisas continuarem nesse ritmo só vão sobrar no planeta as espécies domesticadas e as economicamente viáveis. Aí quem sabe o homo sapiens sapiens resolva se extinguir a si mesmo. Não seria uma má idéia. Pelo menos para a natureza.

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