Grandes figuraças da ciência: Henry Cavendish

Henry Cavendish foi um gênio. Nobre e de família rica, pode dedicar toda a sua longa vida à ciência, onde fez descobertas importantes sobre eletricidade e gravidade.

Mas, se fosse vivo hoje em dia, é bem provável que Cavendish estivesse nesse exato momento no divã de um psicólogo e tão chapado de Rivotril que não ia sobrar muito dele para se dedicar à ciência.

O que acontece é que Cavendish tinha, de acordo com um dos seus biógrafos, uma “timidez que beirava à doença”. Hoje seria diagnosticado com fobia social menos de cinco minutos depois de adentrar o consultório de um psiquiatra. Se alguém conseguisse levar ele até lá, claro.

Cavendish era tão, digamos, reservado, que se comunicava com o próprio caseiro da sua propriedade por carta. Certa feita, um admirador vindo da Áustria foi visitá-lo. Cavendish abriu a porta para ele, ouviu os elogios e saiu correndo em pânico. Só concordou em voltar para casa depois que o admirador, decepcionado, foi embora.

Mas um gênio como Cavendish não podia ter “somente” fobia social. Ele também era paranóico ao extremo quando o assunto era as suas descobertas científicas.

Assim como Newton, Cavendish costumava esconder os seus trabalhos. Escondeu tão bem que alguns deles só chegaram ao público um século depois da sua morte, quando James Clerk Maxwell resolveu editar os seus trabalhos.

Entre outras coisas, Cavendish descobriu ou previu a lei da conversação da energia, a lei de Ohm, a lei das pressões parciais de Dalton, a lei das proporções recíprocas de Richter e a lei dos gases de Charles. Mas como ele nunca contou nada para ninguém, outros ficaram com o crédito.

Os trabalhos de Cavendish sobre a eletricidade  também não foram lá muito “normais”. Enquanto Benjamin Franklin arriscava a vida soltando pipa numa tempestade, Cavendish se submetia a descargas cada vez maiores de eletricidade, anotando diligentemente os efeitos causados, até que desmaiou uma vez. Um psiquiatra mais diligente veria aí um impulso de auto-destruição e aumentaria a dose do Rivotril. Ou recomendaria uma internação, já que ele era rico. Ou seja, se Cavendish vivesse hoje em dia, seria taxado de maluco, ou no mínimo de excêntrico.

Ainda bem que ele viveu em outros tempos. Porque, mesmo com medo de sair de casa, em 1798 ele calculou que a massa da Terra (massa não é a mesma coisa que peso, procure um professor de física para entender isso direito) era de 6 bilhões de trilhões de toneladas. Hoje em dia, com nossos modernos equipamentos, sabemos que a massa do planeta é de 5,9725 bilhões de trilhões de toneladas. Um erro de somente 1 % numa medição feita a mais de 200 anos. Nada mal para quem tinha medo da própria sombra e mais uma prova que, muitas vezes, na ciência, ser diferente é normal.

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