Ilhados, parte 2

continuando o nosso conto… (caso você tenha perdido a primeira parte, leia aqui)


16:00 A essa hora todos já sabiam do que estava acontecendo na cidade, e varias teorias já haviam sido levantadas para explicar o que estava acontecendo.
Das mais simples, como um cabo de comunicação quebrado, as mais estapafúrdias como uma mancha solar que estava interferindo nas comunicações por satélite.
Mas nenhuma das explicações eram boas o suficiente. Os celulares se comunicam por cabo apenas até a central, que se encontra na cidade, depois a comunicação é feita por satélite. Já os telefones fixos não são afetados por problemas em satélites, pelo menos não em nível regional. Estaríamos isolados de outras regiões, mas pelo menos os telefones locais, como o 190 da policia estaria funcionando.
Nada explicava a aparente bolha de isolamento tecnológico pela qual a cidade estava passando…
A nuvens negras já haviam tomado todo o horizonte, e o vento agora estava soprando insistentemente. Uma tempestade era eminente, e pelo visto ela seria de grandes proporções.
18:15 Estava no ônibus que me levaria para uma faculdade da cidade vizinha. Logo logo eu saberia se o isolamento era apenas na cidade, ou se os problemas na comunicação tomavam toda a região.
Quando estávamos perto da saída da cidade, cruzaram pelo ônibus duas viaturas do corpo de bombeiros em alta velocidade. Pelo visto havia ocorrido algum acidente na estrada.
Para nossa surpresa o acidente era na entrada da cidade. Um caminhão bi-trem (aqueles com duas carretas) de soja havia tombado e espalhado toda a carga pela pista. Segundo os bombeiros no momento seria impossível entrar ou sair da cidade.
Apenas uma coisa estava estranha em tudo aquilo: Nenhum dos bombeiros que estavam atendendo a ocorrência eram conhecidos. Em uma cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo, principalmente quando se trata de policias ou bombeiros, mas nenhum dos que estavam ali eram familiares, tanto a mim quanto aos meus companheiros de viagem.
A solução seria o ônibus dar meia volta e tentar a saída alternativa da cidade.18:30 Comecei a analisar os fatos enquanto nos encaminhávamos para a saída alternativa da cidade: estávamos sem nenhum tipo de comunicação com o mundo exterior. Nem telefones fixos, nem celulares ou internet. Agora não tínhamos como sair da cidade pelas vias comuns. Nem os telefones de emergência funcionavam, e uma tempestade de grandes proporções se anunciava no horizonte.
Quando chegamos na outra saída da cidade, tivemos uma desagradável surpresa. A ponte que ligava a vicinal à rodovia principal estava caída. Teríamos de voltar para casa, não tínhamos como sair da cidade.
Agora a ficha havia caído: estávamos completamente isolados: Não tínhamos como nos comunicar com ninguém fora da cidade, e não havia como entrar ou sair dela. Estávamos Ilhados.19:00 De volta para casa, a única coisa que interessa saber era realmente o que estava acontecendo. Porque a nossa cidade estava ilhada do resto do mundo. E a tempestade que antes se anunciava no horizonte, agora era praticamente uma realidade. Ventava forte, e já se podia sentir o cheiro de terra molhada.
Os fatos que estavam acontecendo, isolados não queriam dizer nada. Mas tudo acontecendo de uma vez era preocupante.
Uma coisa dentro de mim dizia que os fatos estavam correlacionados. Não me saia da cabeça um fato ocorrido a alguns meses, que virou noticia nacional: Uma torre de TV tinha sido derrubada para que os moradores de uma cidade do interior de minas não vissem uma matéria no fantástico sobre a corrupção do prefeito e de alguns vereadores.
Mas aqui a coisa era muito mais grave. Nem tv, nem telefone, nem internet funcionavam. As saídas da cidade também estavam bloqueadas supostamente por um acidente e uma queda de ponte. Quem fosse que estivesse por trás de toda essa coisa havia feito o serviço muito bem.
E alem de tudo havia essa tempestade por vir. Talvez fosse meu estado de nervos, por toda essa situação incomum, mas essa tempestade não parecia normal.As nuvens, que antes eram apenas uma pequena marca no horizonte, agora estavam absurdamente negras, e tomavam todo o céu, como se nem ele fosse permitido para os habitantes da nossa cidade.
Só nos restava esperar…<Continua…>

Ilhados, Parte 3

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