O rapaz do ponto de ônibus – pt1

Aline desceu as escadas quase correndo. Depois de mais uma semana de aulas, tudo o que ela queria agora era chegar em casa o mais rápido possível, e tomar um bom banho. O calor estava sufocante.

No volante de seu carro, Aline sai do estacionamento e acelera pela avenida. Mas logo tem que parar. Sinal fechado.

“Que droga !” impacienta-se ela. Enquanto espera o sinal abrir, começa a observar um grupo de pessoas num ponto de ônibus. Entre elas, um rapaz chama a sua atenção.

Era jovem, devia ter a mesma idade do que ela. Barba rala, cabelos curtos e negros, alto e magro. Estava de camisa vermelha, walkman no ouvido e mochila nas costas. Devia ser aluno da faculdade, apesar da Aline nunca o ter visto lá antes. Estava distraído e nem percebeu que ela o estava observando.

Embevecida, Aline tomou um susto quando o carro de trás buzinou, e só então percebeu que o sinal tinha aberto. Rapidamente ela acelera o carro e segue em frente.

Mas ela já não estava mais sozinha. A lembrança do enigmático rapaz no ponto de ônibus a acompanhou até em casa. Dirigindo distraída, ao dobrar a esquina perto de sua casa, não repara num rapaz que atravessa a rua. Quando percebe, está quase em cima dele, e pisa com tudo no freio.

Benditos freios ABS. O carro para sem atingir o rapaz que, distraído com o walkman, nem percebeu o que aconteceu. Ele estava de camisa vermelha e com uma mochila nas costas. Apesar de ser impossível, era o mesmo rapaz do ponto de ônibus.

Com o coração batendo forte de susto, Aline só observa enquanto o misterioso rapaz atravessa a rua, dobra a esquina e some. Sua mente ágil pensa rápido: não tinha como aquele ser o mesmo rapaz do ponto de ônibus. Só devem ser muito parecidos, ela não tinha visto o rapaz de perto lá no ponto de ônibus…afinal, quantas pessoas de mochila e walkman deviam existir naquela cidade ?

Ainda pensando na estranha coincidência – afinal, só podia ser isso, uma coincidência – Aline chega em casa, toma um relaxante banho, almoça e resolver atacar os trabalhos da faculdade antes que se acumulem durante o final de semana.

A noite, depois de horas cansativas de estudo, Aline se afasta dos livros e se aproxima da janela do seu quarto. Ah, uma linda Lua cheia estampa um céu estrelado e sem nuvens, um cenário que ela nunca se cansa de admirar.

Olhando distraída para a Lua, com o pensamento a quilômetros dali, Aline é tirada, de repente, do seu embevecimento. Uma estranha sensação a percorre, quase como um choque. O coração dispara, e subitamente ela tem a certeza de estar sendo observada.

Instintivamente, ela olha para a rua. Mesmo com pouca luz, ela reconhece o vulto que, de longe, a observa. Usava camisa vermelha, era alto e magro. Só podia ser ele. O rapaz do ponto de ônibus.

A sensação estranha deu lugar ao pânico. Ela estava sozinha em casa. E se ele fosse um maníaco ? Um assaltante ? Um seqüestrador ? E se a tivesse observando a dias, e ela só tivesse percebido agora ? O que fazer, chamar a polícia ? Mil pensamentos ao mesmo tempo….

Então, para sua surpresa, o rapaz começa a se afastar. Vai em direção à mesma esquina do quase-atropelamento e desaparece. Aline respira aliviada. E corre para trancar a casa.

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Depois do fiasco de Os 13 do Orkut eu não postei mais nenhum conto. Bom, isso acabou de mudar. Começou hoje e vai ter mais dois capítulos – nada mais de “novelas” de 10 capítulos, eu aprendi a lição – “O rapaz do ponto de ônibus”. Não percam !

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