Poupée de Cire, Poupée de Son

Tá bom, completamos um ano, o Alan e o Frank ressuscitaram das tumbas cibernéticas que eles se encontravam, mas vamos mudar de assunto, senão isso aqui vai ficar parecendo um daqueles meta-blogs que fazem parte da blogonanosfera…

Vamos falar então de música. Não é um assunto muito comentado por aqui, então merece um post.

Falemos da música que dá título a esse post. “Poupée de Cire, Poupée de Son” (Boneca de cera, boneca de som) foi a música vencedora do Festival Eurovision da Canção em 1965, interpretada por France Gall. Se você nem faz idéia do que eu estou me referindo o vídeo abaixo pode te ajudar:

Bom, e porque essa música merece um post ? Por várias coisas.

A primeira polêmica envolvendo a música foi o fato de France Gall, apesar de francesa, ganhou o prêmio do Festival Eurovision defendendo Luxemburgo. Isso criou um certo ressentimento nacionalista por parte dos franceses.

Mas o bairrismo francês não resistiria ao sucesso seguinte da jovem cantora (então com somente dezoito anos): “Les Sucettes” (Os pirulitos).

As duas músicas tinham muita coisa em comum. Eram de autoria de Serge Gainsbourg e tinham uma temática infantil. Poupée… é sobre uma boneca de cera que canta sobre o amor e Les Sucettes sobre uma garota que ama os seus pirulitos.

Mas, será que as músicas eram assim tão ingênuas mesmo ? O autor das duas músicas, o cantor fracassado (suas músicas só faziam sucesso na voz de outros) Serge Gainsbourg era conhecido por suas letras com duplo sentido e cheias de trocadilhos. Havia algo mais por trás das “inocentes” músicas infantis cantadas pela ninfeta France Gall ?

Sim, havia. Em Poupée… os trocadilhos e jogos de palavras de Serge são difíceis de serem detectados para quem não fala a língua de De Gaulle. Isso faz dela praticamente um “cult”. Há mais interpretações para a letra de Poupée… do que para a trilogia de Matrix ou para “O Senhor dos Anéis”. Juntos.

Já quando Les Sucettes chegou ao topo das paradas francesas a letra estava explícita demais, falava abertamente de sexo oral. Só France Gall, na inocência dos seus dezenove anos (lembre-se que estamos falando dos anos 60) que não percebia. Quando ela soube do conteúdo digamos, oculto, da letra, rompeu a bem sucedida parceira com Serge. Ela declarou na época que “havia cantado as canções de Sergue com uma inocência da qual me orgulho”. E desde então se recusa a cantar as músicas dele em seus shows. Já Serge não se abalou. Continuou sendo um compositor de talento. Muito tempo depois chegou a declarar que Les sucettes foi “a música mais ousada do século”.

Por essas viradas do destino, hoje em dia Poupée… é mais conhecida do que o polêmico pirulito erótico de Les sucettes. Vira e mexe alguém grava a música com algum novo arranjo. Por exemplo a banda ex-índie Belle and Sebastian, em uma apresentação na França em 1999, com a magnífica Isobel Campbell nos vocais e o desempenho espetacular de Mick Cooke no trompete ou então essa versão rockeira de Lucie no programa Star Academy 7 (o Ídolos da França) ou essa inacreditável versão em japonês, a boneca de cera que canta a vida através de lentes rosa da música ainda continua fazendo sucesso.

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