A globalização da fome

Por essa nem os ativistas anti-globalização, como aquele francês maluco que ataca inocentes lojas do MacDonalds não esperavam: a fome também está se globalizando. Enquanto isso ele está mais preocupado em legalizar a maconha (vejam no link acima).

Pode ser culpa dos biocombustíveis (o pessoal do PIG adoraria colocar a culpa no Lula. E ainda vão fazer isso, acredite), da alta do preço do petróleo ou do aumento da renda das pessoas que vivem em países “em desenvolvimento” (o que aconteceu com a expressão “Terceiro mundo” ?) o fato é que o mundo já vive uma epidemia de fome. Afinal, a ONU estima que 24 mil pessoas morram de fome todos os dias. Se isso não for uma epidemia de fome eu não sei mais o que é.

Mas, infelizmente, fome não é um problema novo. Nova é a atenção que está se dando ao problema e o fato de que a epidemia dessa vez pode atingir todo o planeta, ou uma boa parte dele. E não faltam exemplos de tragédias causadas por epidemias de fome ao longo da história da humanidade.

Por exemplo: a grande fome da batata na Irlanda entre 1845 e 1850 matou mais de um milhão de pessoas e provocou a migração de 1,1 milhão. Isso para um país  com 8 milhões de habitantes na época. Hoje são 4,3 milhões. Não é exagero dizer que a Irlanda ainda não se recuperou dessa tragédia.

Se a fome irlandesa do século XIX foi causada pelo fungo phytophthora infestans outras epidemias de fome foram causadas por um tipo de animal muito comum nesse planeta: o homo sapiens sapiens.

Foi o caso das epidemias de fome ocorridas na Ucrânia em 1921 e 1932. Juntas elas mataram 12 milhões de pessoas. A coletivização das lavouras empreendida por Stalin e o seu, digamos, desapego por vidas humanas que fez obrigatória a exportação dos grãos produzidos nas férteis terras ucranianas enquanto a população morria de fome causaram uma tragédia sem precedentes no país da Europa oriental.

E se não bastasse a inépcia de certos seres humanos, ás vezes o clima também resolve dar uma forcinha. E quando os dois se juntam então a tragédia fica maior ainda. Foi o que aconteceu na Índia entre 1896 e 1901, quando uma seca catastrófica e a morosidade dos ingleses em tentar resolver o problema ceifou a vida de 8 milhões e 250 mil pessoas. Como o meu prezado leitor e a minha cara leitora devem ter percebido, 8,25 milhões de mortos em 5 anos significa uma média de 4.700 mortes por dia. Enquanto isso os colonizadores britânicos tomavam seu chá das cinco regularmente.

Infelizmente para as 24 mil pessoas que morrem de fome por dia as coisas não são muito diferentes agora.  Enquanto são feitas acusações, muitas vezes improcedentes, sobre os biocombustíveis e se fazem intermináveis reuniões na ONU e na FAO que não vão resolver o problema o número de mortos aumenta. No futuro será tudo uma questão de estatística e os livros de história vão falar da catastrófica epidemia de fome global do começo do século XXI e vão, justamente, dizer que nós pouco fizemos para ajudar a resolve-la. Que belo modo de se entrar para a história, não ?

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4 comentários sobre “A globalização da fome

  1. A questão da fome mundial é muito complexa com a ascensão chinesa o mundo ganha alguns milhões de consumidores a mais que tem maior poder aquisitivo e portanto poderão comprar o básico. Interessante pensar que no contexto de diminuição da desigualdade também se cria maior escacez de alimentos.

  2. Estava fazendo uma pesquisa ou melhor “fazendonãoseioque” e topei com o site de vocês “DEPOUKAFÉ” e achei que o assunto colocado em pauta é de uma baita sacada ou melhor todos assuntos. Perdi o rumo da minha pesquisa. Estava numa reunião com os meus sócios e saiu o assunto sobre os inventores, e na tal reunião foi me perguntado aonde o Padre Landel De Moura estava enterrado. ‘EURÉKA” ,”PINBA” descobri, na minha cidade Porto Alegre,na igreja do Rosario,RS_ Brasil. Legal não!!!!!!!!!!!!
    Não muito espaço para o meu comentário sobre a fome Globalizada.
    Porque não se pode falar somente da fome isoladamente.
    Existem fatores que são extremamente importante para o ser HOMO SAPIENS, sobreviver neste planeta:
    A) E um dos fatores mais importante é o meio ambiente.
    b) E dependemos totalmente de grãos e para plantarmos esses grãos, necessitamos de um combustível. Que atualmente nos usamos o diesel para serviços pesado.
    c) Dependemos totalmente das reservas de combustível fóssil, para plantar, para gerar eletricidade e para transportar grãos e pessoas (transporte coletivo em massa).
    d) E, para usar esse combustível, (diesel), usamos O Motor de Combustão Interna, um motor que é altamente poluente, e que é uma velha máquina pesada e ultrapassada, inventado lá pelo ano de 1886 e sempre esteve, desde suas origens, em constante mutação.
    E, todos esses fatores estão interligados, estão drasticamente em conflito e estão, paulatinamente, comprometendo a vida do planeta.
    Consumo de água no mundo
    Existe uma crescente preocupação com a disponibilidade mundial da água, dada uma nova consciência relacionada com o uso deste recurso.
    A nova consciência advém dos problemas que já ocorrem pelo manejo não sustentável dos recursos ambientais em pontos distintos do planeta.
    A água potável encontrada na natureza é essencial para a sobrevivência do planeta. Passados os anos do desenvolvimento propiciado pelo homem, esta riqueza tem se tornado cada vez mais escassa.
    Estima-se que 97,50% da disponibilidade mundial da água está nos oceanos (água salgada) e 2,493% encontra-se em regiões polares ou subterrâneas (aqüíferos), de difícil aproveitamento. A água dos oceanos somente poderia ser aproveitada para o consumo humano caso fosse realizado um processo de dessalinização, processo este que demanda um investimento muito alto. Somente 0,007% da água doce disponível é própria para o consumo humano e encontra-se em rios, lagos e pântanos. Estes 0,007% estão ainda divididos da seguinte forma:
    Agricultura 70%
    Indústria 22%
    Individual 8% (clubes; hospitais; residências; escritórios; outros)
    “É muito comum ouvir hoje em dia que as guerras futuras na região provavelmente envolverão a disputa pela água e não pelo petróleo. Talvez. Mas, considerando a dificuldade de se vencer uma guerra da água, a competição pelo precioso líquido será deve ocorrer nos mercados mundiais de grãos. Os países que “ganharão” essa competição serão aqueles com maior força financeira, e não militar.”
    Depois vem a fome. E a fome no mundo é uma realidade dolorosa, persistente e desnecessária. No momento, existe suficiente terra, energia e água para bem alimentar mais do que o dobro da população humana, contudo a metade dos grãos produzidos é destinado aos animais enquanto milhões de seres humanos passam fome. Em 1984, quando centenas de etíopes morriam diariamente de fome, a Etiópia continuava a cultivar e exportar milhões de dólares em alimento para o gado do Reino Unido e outras nações da Europa.
    Número de pessoas que morreram como resultado de desnutrição e fome em 1992: 20.000.000
    Número de crianças que morrem em decorrência da desnutrição e fome a cada dia: 38.000
    Freqüência com que morre uma criança na terra como resultado de desnutrição e fome: a cada 2,3 segundos
    Quantidade de cereal e soja, em quilos, necessária para produzir um quilo de carne hoje no Mundo:7
    Pessoas que podem ser nutridas usando a terra, a água e a energia que seriam liberadas se nos reduzissem seu consumo de carne em 10%: 100.000.000
    Graça E Paz …felipe

  3. Vou tentar complementar mais um poko isso aki…
    A fome que vemos hoje vem acompanhada do modelo excludente que o mundo vive desde o séc. XV com a implantação do modelo econômico denomidado Capitalismo. Infelizmente essa problemática está sendo resolvida por políticas empresariais, os países periféricos e de economia exportadora não conseguem administrar seu Estado por falta de uma política que de fato combata a corrupção. Outro fator que está interegindo é justamente o “Globalismo” este modele que atingiu o capital se espalhando por toda superficie terrestre. O modelo de globalização endeusa o consumo e maximiza quem tem poder de compra, a política adotada pelo Estado influencia de uma forma gigantesca, pois adotam o neoliberalismo, privatizam-se hospitais, escolas, bancos, siderurgícas, hidrelétricas, rodovias. Todo setor econômico é entregue a política de transnacionais que não estão interessados em investir no desenvolvimento humano.
    O brasil possui muitos analfabetos funcionais – sabem ler e escrever mas não sabem interpretar e não possuem criticidade – o que dificulta uma marcha por mudanças, o povo esta alienado, a tv conseguiu absorver o cérebro de uma boa parte da população. A educação caiu de nível, a sociedade adormeceu, qualquer pensamento novo que não seja esteriotipado pela tv não é aceito, esquecemos que mudanças só acontecem quando mudamos nossa forma de pensar e nos confrontamos com o modelo que queremos mudar.
    O problema da fome é uma coisa que nós escolhemos e estamos aceitando, hoje nós não conseguimos aceitar a idéia de algué ser escravo, mas durante muito tempo isso foi visto como uma coisa normal e que afetava um povo desprovido de alma – isso quem dizia era a pr[orpia igreja – hoje nós sabemos que escravos existiram para ampliar o comércio dos Europeus e aumentarem assim suas riquezas, foi uma coisa imposta, a fome hoje está sendo tratada como se fosse um destino de quem nasce pobre, que não tem solução, mas não podemos esquecer aqui mais uma vez que a fome é uma condição do atual modelo econômico regido por uma só potência – os Estados Unidos da América.
    Com essa atual crise decorrente da má administração das imobiliárias americanas que já afeta todo o mundo em todos setores, prova-se mais uma vez que este modelo de globalização é diretamente depende dos E.U.A, mas fica um aviso, toda crise gera protesto gera organizações e revoluções. O mundo pode estar perto de novos rumos à modelos diferentes e econômicos, mas que sem a interferência dinâmica da população do globo nascerá mais outro modelo excludente.

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