As mulheres e a matemática

Em agosto do ano passado a atriz e matemática Danica McKellar lançou com grande sucesso em terras estadunidenses um livro dedicado a matemática para garotas do equiavalente ao nosso ensino médio. Em poucos meses “Math Doesn’t Suck” se tornou um sucesso editorial.

Danica posa orgulhosa na capa do seu livro

O que há de tão extraordinário nisso ? Porque um livro de matemática para garotas ?

Danica (a doce Winnie de “Anos Incríveis” se você ainda não ligou o nome à pessoa), hoje uma matemática reconhecida, formada na UCLA e co-autora do Teorema de Chayes-McKellar-Winn (tem algo a ver com magnetismo, campos de indução, essas coisas) pretende estimular o gosto das garotas por matemática e ciências exatas em geral porque, na sua opinião, as garotas são desencorajadas a seguir tais carreiras e até discriminadas por isso.

E se passarmos os olhos pela lista dos mais importantes matemáticos da história vamos ver que realmente a Winnie, digo, a Danica (eu não consigo separar a personagem da pessoa facilmente) tem razão. Poucas mulheres ousaram entrar no “Clube do Bolinha” da Matemática.

Uma das primeiras mulheres matemáticas que se tem notícia foi Theano, esposa de Pitágoras, no século VI a.C. Pitágoras era bem liberal e permitia mulheres na sua Irmandade Pitagórica. Conta-se que a dita irmandade chegou a ter 28 mulheres.

No século IV Hipácia foi uma matemática reconhecida em Alexandria, no Egito. Mas ela estava no lugar errado na hora mais errada ainda. O intolerante Cirilo, patriarca da cidade, resolveu varrer da face da Terra os filósofos “pagãos” e sobrou para Hipácia, que foi morta brutalmente.

Já no século XVIII, Maria Agnesi fez um excelente trabalho sobre tangentes e curvas, mas teve seu pedido para ser pesquisadora nas faculdades francesas sistematicamente recusado. O mesmo aconteceria no começo do século XX com Emmy Noether, que foi impedida de ser professora em uma universidade alemã porque seria “humilhante nossos soldados voltarem da guerra e aprenderem aos pés de uma mulher”. Que belo “argumento”, não ?

A lista de excelentes matemáticas mulheres que foram discriminadas ainda inclui a francesa Sophie Germain, que teve que estudar disfarçada de homem, o que não a impediu de ser admirada pelo grande Carl Friedrich Gauss, considerado “O príncipe dos matemáticos”, a quem ajudou a salvar a vida quando da invasão de Napoleão à Alemanha. Já sua contemporânea, Mary Sommerville, tinha que estudar às escuras, pois seus pais confiscaram suas velas para desestimular seu estudos matemáticos.

De Theano à Danica muita coisa mudou, mas a matemática continua sendo uma atividade majoritariamente masculina. Será por puro preconceito, tradicionalismo ou medo ?

Tomara que num futuro não muito distante livros como o de Danica não sejam mais necessários e as mulheres sejam estimuladas naturalmente a seguirem carreiras brilhantes na matemática, na física e em outras ciências exatas. Porque um pouco da graça e charme femininos nunca fazem mal algum, não é mesmo ?

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6 comentários sobre “As mulheres e a matemática

  1. É, mas temos uqe levar em conta que a maioria dos professores de matematica, seja no ensino fundamental/medio/superior são do sexo feminino…

  2. Ah vai, eu achei que estava sendo mais “exclusiva” usando este que eu nunca tinha visto ninguém usar. Será que terei que mudar?? Fica isso pro próximo mês.

    Ahh, veio a calhar a visita bem com esse post. Afinal eu acho que a matemática pode SIM, pertencer às mulheres, tal qual a engenharia (já puixando a brasa pro meu lado).

    Mas matemática é uma das minhas paixões, e fico muito feliz pelo fato de que hoje em dia mais mulheres embarcam nesse barco das exatas. Conheço até mulheres na Engenharia Elétrica!!!

    abraço!

  3. ““Clube do Bolinha” da Matemática.”
    Na filosofia também reclamam a existência de uma “panela” masculina, Hannah Arendt reclamava disso, uma das poucas que se arriscou e foi “considerada” a época, inclusive.

    “Será por puro preconceito, tradicionalismo ou medo ?”

    Eu ficaria com o preconceito.

  4. As mulheres são mais inteligentes que os homens.
    Tenho professoras que são feras na área das exatas.
    Eu amo matemática _ física também _ e conheço muitas meninas que também amam e, assim como eu, irão fazer engenharia.

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