Massacre em Acre

Atenção: Esse não é um texto sobre o estado brasileiro que tem a sua existência contestada.

Acre, ou Acra para alguns, é atualmente uma cidade costeira em Israel. Tem 45 mil habitantes e a parte antiga da cidade é considerada patrimônio da humanidade pela ONU.

Tudo muito bonito e pacífico, mas as coisas não foram sempre assim em Acre. Um dos maiores generais da história da humanidade cometeu um massacre justamente lá. Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra, foi o autor da carnificina.

Depois que Saladino havia vencido a “tropa de elite” cristã – Templários e Hospitalários – na Batalha de Hattin em 1187, o Papa Gregório VIII convocou a Terceira Cruzada para tirar Jerusalém das mãos dos “infiéis”. Além de Ricardo deveriam participar também o rei do Sacro Império Romano-Germânico, Frederico Barbaruiva e o monarca da França, Felipe Augusto. Mas Frederico morreu afogado ao se dirigir para a Terra Santa e Felipe ficou com ciúmes do sucesso de Ricardo (tipicamente francês, não ?) e abandonou a Cruzada. Mas pelo menos deixou alguns homens para ajudar na tarefa.

Ricardo, imortalizado na fria pedra, como seu coração com os pobres prisioneiros de Acre (dramático, não ?)

Com a “bucha” em mãos, Ricardo se mostrou um excelente general. Em 1191 ele pôs a cidade de Acre (chamada pelos cristãos de São João de Acre) em cerco. Depois de um mês ele conquistou-a e fez 3 mil prisioneiros.

Logo após a batalha Ricardo tentou negociar com Saladino a libertação dos prisioneiros em troca de 200 mil dinares. Saladino, como todo bom árabe, tentou negociar: primeiro quis pagar em duas prestações, sendo que metade dos prisioneiros deveria ser libertada de cada vez. Ricardo aceitou, mas Saladino tentou mudar os termos do acordo querendo que a maioria dos prisioneiros fosse libertada após o primeiro pagamento. Ricardo se irritou e mandou matar todos os 3 mil prisioneiros em campo aberto, defronte à cidade de Acre, bem em frente das tropas de Saladino.

Ricardo alegou que não teria como alimentar os três mil prisioneiros e, se os libertasse, eles voltariam para a batalha contra ele. Apesar disso, muitos historiadores acham que ele podia ter vendido os prisioneiros como escravos, que era um costume “normal” para a época.

Saladino, é claro, não gostou da execução dos reféns. A partir daí ordenou que qualquer cristão feito prisioneiro deveria ser morto imediatamente. Mas isso não surpreendia vindo de Saladino: na Batalha de Hattin ele havia ordenado a morte de todos os Templários e Hospitalários que haviam sido aprisionados. O que faz todo sentido, pois os membros das duas ordens militares eram considerados a “tropa de elite” da cristandade na época.

Curiosamente, 600 anos depois, outro grande general, Napoleão Bonaparte, cometeu um massacre semelhante no mesmo lugar. O ano era 1799 e o general francês estava a caminho da conquista do Egito quando fez 4000 prisioneiros em Acre. Sem ter como alimentá-los – a mesma justificativa de Ricardo – Napoleão autorizou o massacre dos prisioneiros. Para economizar a preciosa pólvora, seus soldados massacram os prisioneiros na ponta da espada mesmo. Alguns tiveram a “sorte” de serem afogados.

Os massacres cometidos em Acre mancharam a reputação de Ricardo e Napoleão, mas de formas diferentes. O primeiro estava envolvido numa “guerra total” contra os mulçumanos “infiéis” onde a ferocidade das batalhas impressionava. Mas o massacre de inocentes por um imperador cristão que estava “defendendo a cruz” não pegou bem para ele.

Já Napoleão não foi julgado tão severamente pela sua ação. Com tantas batalhas e milhares de mortos nas costas, o massacre em Acre não consta nem nos rodapés da maioria dos livros de história sobre ele. Que injustiça, não ?

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3 comentários sobre “Massacre em Acre

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