Éééééééééééé do Brasil !

Fazer ciência no Brasil não é fácil. Na maior parte do tempo nossos bravos cientistas e inventores são sumamente ignorados no resto do mundo. Santos Dumont é só o exemplo mais conhecido, mas há outros.

Padre Landell de Moura, por exemplo, foi um dos pioneiros na invenção do rádio, e é desconhecido em grande parte do nosso próprio país. A glória da descoberta ficou com Marconi, só porque ele foi mais rápido ao registrar uma patente.

César Lattes, o mais brilhante físico surgido em terras tupiniquins, foi “esquecido”  na hora de receber o Nobel de Física pela descoberta do méson-pi (uma partícula sub-atômica). A honraria (e a grana) acabaram indo para o chefe dele, Cecil Powell.

Outro padre-cientista quase desconhecido no Brasil foi o padre Francisco João de Azevedo, o inventor da máquina de escrever. Apesar de existirem patentes mais antigas de equipamentos semelhantes ao de padre Francisco, a sua invenção foi a primeira a ser construída. Mas o crédito acabaria ficando com Philo Remington, que patenteou a invenção de Padre Francisco e usou uma estratégia de marketing agressiva (contratou ninguém menos do que Mark Twain como garoto-propaganda) para colocar seu nome nos livros de História.

Como o meu nobre leitor e a minha prezada leitora devem ter depreendido, no Brasil, a menos que você invente algum novo tipo de dança idiota, a vida de cientista e inventor não vale muito a pena.

Mas isso está começando a mudar. Astolfo G. Mello Araujo, da Universidade de São Paulo, e José Carlos Marcelino, do Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo, ganharam o Prêmio IgNobel de Arqueologia por um trabalho que prova, entre outras coisas, que os tatus podem atrapalhar as pesquisas arqueológicas desde que os estratos estejam a menos de 20 cm de distância.

O prêmio IgNobel é distribuído todo ano pela Revista Anais das Pesquisas Improváveis para “honrar façanhas que primeiro nos fazem rir e depois pensar”. É o contra-ponto bem humorado do sisudo Premio Nobel.

Então é isso. Não temos Nobel, mas temos IgNobel. Acho que essa notícia deveria ser mais divulgada. Quem sabe nossos jovens começam a se interessar por ciência. Depois que pararem de rir, claro. Porque criativos nós somos. Só falta um pouco mais de senso comercial.

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