Os misteriosos “raios N”

Começo do século XX. Os físicos ainda se debruçavam sobre duas assombrossas descobertas acontecidas no final do século XIX: Wilhelm Conrad Röntgen tinha descoberto os raios X e os Curie deram os primeiros passos para desvendar a radiotividade.

Estamos em 1903. Trabalhando com os raios X de Röntgen, o físico francês René Blondlot se depara com uma nova espécie de radiação. De acordo com ele, os “raios N” (batizados em homenagem a Nancy, cidade onde ele trabalhava) eram emitidos pelos mesmos tubos catódicos que produzem os raios X. Eles atravessavam o papel, a madeira, não produzem fluorescência (como a radiotividade) e nem efeito fotográfico (como os raios X). Eles só são detectáveis graças a uma característica bem peculiar: eles aumentam a luminescência de centelhas elétricas, pequenas chamas ou materias fosforecentes quando eles estão na penumbra.

A descoberta de Blondlot chama a atenção de outros físicos no mundo todo, numa época em que se estava descobrindo todo um novo mundo de radiações estranhas. Animado com a repercussão, ele continua a fazer descobertas interessantes.

Blondlot descobre em seguida outras fontes de “raios N”: certos metais, quando em brasa ou quando expostos ao Sol durante o dia. Ele também alega que ao se olhar para uma fonte de “raios N” os torna mais sensíveis à luz, permitindo se ver no escuro ! Pelos seus feitos, Blondlot recebe 50 mil francos de prêmio da Academia de Ciências francesa.

Estava bom demais para ser verdade. Porém, no exerior, outros pesquisadores não conseguem obter os mesmos resultados dos franceses. Apesar disso, os “raios N” de Blondlot continuam a fazer sucesso em sua terra natal. Médicos dizem ter visto “raios N” no sistema nervoso, e o assunto é discutido no VI Congresso Internacional de Fisiologia em Bruxelas. Outros transmitem “raios N” por fios, como a eletricidade. Logo surge outra fonte de “raios N”: fermentos solúveis !

Um físico americano, Robert Williams Wood, vai até Nancy para ver os efeitos dos “raios N” com seus próprios olhos. E não consegue ver nada. O aumento da luminiscência, única forma de detectar os “raios N”, não acontece. Só Blondlot e seus assistentes conseguem ver o efeito.

Wood publica um texto arrassador na revista Nature de setembro de 1904: os “raios N” não existem. Blondlot e seus assistentes “viam o que queriam ver”. Para Wood, na penumbra, onde são realizadas as experiências, é fácil se enganar. Ele dá então seu veredicto: Blondlot agiu de boa-fé, mas foi enganado por si mesmo. Ou, em outras palavras: quem acreditava, via.

A matéria cai como uma bomba na França. Muitos ainda acreditam na existência dos “raios N” mas nos anos seguintes as experiências são taxativas: eles não existem mesmo. Humilhado, René Blondlot pediu uma aposentadoria antecipada da Universidade de Nancy em 1910. Morreu em 1930, aos 81 anos, indo parar direto para os rodapés dos livros de História da Ciência ou para posts de blogs como esse…

Este é René Blondlot. Que cara de mau, não ?

Este é René Blondlot. Que cara de mau, não ?

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3 comentários sobre “Os misteriosos “raios N”

  1. Estanho que uma história como esta seja tão pouco popular na Web, apenas uns poucos resultados no google… Acho que os humanos não gostam da idéia de que suas mentes estão sujeitas as mais tolas ilusões.

  2. O seu texto está interessante, porém omite alguns fatos. Blondlot realizou uma série de experimento onde (de modo indireto) afirmava observar os efeitos dos raios N. Pesquisar sobre História da Ciênci é uma tarefa árdua, mas muito interessante.

  3. OS RAIOS “N” EXISTEM. DA MESMA FORMA QUE EXISTE A CLARIVIDÊNCIA. ESSE TIPO DE VISÃO PARTICULAR PODE VIR A ECLODIR EM DETERMINADAS PESSOAS, INDEPENDENTE DO GRAU DE ESCOLARIDADE, RAÇA, CRENÇA OU MEDIUNIDADE.

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