Doa-se um livro incompreensível

Eu sou um leitor voraz. Não é exagero dizer que eu leio até bulas de remédio, porque eu trabalhei um tempo em uma farmácia e adorava ler os efeitos colaterais nas bulas. É sério.

Nessas muitas décadas de leituras eu já li livros bons, excelentes, ruins, péssimos, e “A Terra dos Sonhos” de James Paul Blaylock.

Já faz pelo menos uns 15 anos ou mais que eu tive o primeiro contato com esse livro. Comprei-o em algum ano-que-não-me-lembro-qual-foi dos anos 90 do século passado no finado “Circulo do Livro”, onde você escolhia seus exemplares através de um catálogo. Era uma ótima alternativa para alguém como eu, que morava num lugar sem livrarias. Bom, ainda hoje não há livrarias laicas por aqui, mas pelo menos a Internet está aí para me salvar…

O problema desse livro é um só: eu não entendi a história dele.  Eu ia bem até mais ou menos a metade. Começou com os clichês de sempre: o herói órfão, os amigos sofredores no orfanato, o médico que faz às vezes de “cientista maluco”, a diretora carrasca do orfanato. Nada que eu e você já não tenhamos visto em dezenas de livros infanto-juvenis. Mas aí acontece alguma coisa importante, que eu não entendi o que é, mas tem a ver com um solstício que acontece a cada doze anos (mas não tem solstício todo ano ?) e a história fica confusa, e de repente o livro acaba. Eu acho que o que acontece é tão óbvio que o escritor não se deu ao trabalho de explicar com todas as palavras. Acontece que deve ser óbvio só para ele…

Enquanto só eu não estava entendendo o livro eu estava tranqüilo (sim, com trema. Eu sou contra a reforma ortográfica). Afinal, o fato de eu ser um leitor voraz não quer dizer que eu seja um gênio da interpretação de textos. Mas o dito cujo passou na mão de pelo menos uma dezena de pessoas, incluindo aí meu irmão e minha mãe (que usou o seu sagrado direito de não terminar um livro e me devolveu ele rapidinho) e ninguém conseguiu entender a história.

Você, meu prezado leitor, minha cara leitora, se interessou pela “A Terra dos Sonhos” de James Paul Blaylock ? Então ele é seu. Sim, isso mesmo. O primeiro comentário nesse texto (com um e-mail para eu entrar em contato, é claro) dizendo que você quer o livro e ele será seu. Eu envio para você, em qualquer lugar do Brasil, sem custos adicionais. Ele está bem conservado, tem capa dura, e 314 páginas. Mas tem uma condição. Uma coisinha besta. Se você ler e entender o livro, você se compromete e me mandar um resumo, ou a postar ele no seu blog, se tiver um. E, se não entender, se compromete a passar o livro adiante até que alguém o compreenda, ou que o livro se desfaça nas poeiras do tempo. Combinado ?

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12 comentários sobre “Doa-se um livro incompreensível

  1. Coincidência eu estar lendo meus feeds. Já agradeço o livro! Eu sou como você, adoro ler até mesmo bula de remédio, porque eu não sou louco de tomar qualquer porcaria.
    Gostaria de retribuir o livro com outro: Vermelho Vivo, que ainda não está pronto, mas você pode ir ler o que já está em meu site. Abraços.

  2. OK, fiquei intrigado com o lance do livro imcompreesível. Fiquei curioso com o fato de não haver mais nenhum comentário sobre. Alguém devolveu algum comentário sobre a comprensão do livro?

    • Infelizmente não, Geniovan. A pessoa que ganhou o livro não me mandou notícias, nem para dizer se o livro chegou nem para dizer se ele entendeu o dito cujo. Uma pena.

  3. É realmente uma pena…

    Pois aqui estou eu, 6 anos após a publicação deste post.
    São exatamente 5:33 da matina no momento em que escrevo este texto. Me pergunto se o criador do post vai ler um dia.
    Desde, aproximadamente, 4:30 da manhã que eu procurei este livro na internet. Por algum motivo, decidi que só pararia a procura quando o encontrasse, e assim o fiz. Sim, pois o li este livro até a metade na biblioteca do meu trabalho, mas ele foi roubado por uma leitora qualquer que foi demitida e não devolveu. E isso foi há quase um ano. Resultado, fiquei sem o livro, e sem saber quem era o autor, porque não memorizei e com o pior de tudo: a curiosidade de saber o que diabos aquele livro queria dizer, que -embora gostei muito até onde li- não entendia quase nada da linha de raciocínio do autor.
    Procurei feito louco a obra no google, mas só aparece o da Alysson Noel, por ser famoso. Então me deparo com um cara que tem a extrema boa vontade de doar o livro pra qualquer lugar do Brasil sem nenhum custo. Bom demais pra ser verdade, vem um cidadão, solicita o livro e sequer cumpre sua parte do acordo.

    Bem, mesmo assim estou feliz por ter encontrado o nome do autor do livro que procurei por tanto tempo. Agora posso descansar até dar a hora de ir trabalhar novamente. Haha!

    Tudo de bom e um grande abraço!

  4. Que pena. Estou em pleno 2014 aguardando o desfecho desse caso. Comentários de quem recebeu. Se não entendeu, pra quem passou e nada. Simplesmente quem ganhou não se comprometeu? Humpf! Vou continuar dando um Google para ver se encontro um desfecho para a minha curiosidade em torno desse livro…

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