Hoje na História: a maldição da múmia

Prezados leitores, caras leitoras, o Depokafé começa hoje mais uma série de posts, que se estenderão pelos próximos doze meses. Reviramos os baús da História atrás de pequenos e grandes fatos que quase ninguém lembra mas que merecem um post. E nada melhor para começar essa série histórica do que falando de múmias. No dia de hoje, a 86 anos atrás, Howard Carter descobriu a tumba do faraó Tutancâmon. Deixemos que ele mesmo fale sobre a descoberta:

“O dia 26 de novembro devia tornar-se o mais belo de minha vida… A dez metros da primeira porta tinha aparecido uma segunda, selada também… Os selos eram de Tutancâmon e da necrópole real… Com as mãos trêmulas, abri um pequeno buraco no canto superior esquerdo. Lá introduzi uma barra de ferro que não tocava em nada… alarguei o buraco e olhei…”

A história da descoberta da tumba de Tutancâmon é envolta em mistério. Lord Carnarvon, que financiava a empreitada, morreu quatro meses depois da descoberta da entrada secreta, depois de ser picado por um mosquito. Dizem que no dia da sua morte o seu canário de estimação foi comido por uma cobra. Seu cachorro, que estava na Inglaterra, também teria morrido. E consta que a cidade do Cairo também teria ficado sem eletricidade nesse dia.

Essas coincidências todas levaram a imprensa da época a especular sobre uma “maldição da múmia”. Curiosamente, quem acreditou nessa história foi ninguém menos que Arthur Conan Doyle (ele mesmo, o criador de Sherlock Holmes) que era um espiritualista fanático e tinha inclusive acreditado na farsa das fotos de fadas de Cottingley.

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Uma caricatura ridicularizando as crenças esotéricas de Conan Doyle, publicada num jornal da época

Você já deve ter ouvido falar da famosa inscrição na tumba de Tutancâmon que amaldiçoava quem a profanasse. Pura balela. A verdadeira inscrição no túmulo dizia somente: “Sou eu quem impede a areia de obstruir a câmara secreta. Eu sou a proteção do falecido.” Aquela história toda de morte aos profanadores do túmulo foi só papagaiada para vender jornal. E nós ainda reclamamos da imprensa hoje em dia…

Curiosamente, a suposta “maldição” não atingiu Howard Carter, que tecnicamente foi quem “profanou” o túmulo. Ele viveria até março de 1939. Mas uma maldição, mesmo que inventada, não se rende assim tão fácil.

Em 1979 a máscara mortuária de Tutancâmon estava em uma exposição em São Francisco. Em setembro daquele ano George LaBrash estava de guarda na sala em que estava a máscara quando teve um derrame (ou AVC, se você preferir). Ele processou o museu dizendo que havia sido vítima da maldição da múmia. O juiz, é claro, não aceitou abrir o processo. Em algum lugar do Além, o jovem faraó Tut deve ter dado boas risadas…

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