Hoje na História: terremoto na Armênia

E a trepidante (preciso parar com esses trocadilhos infames) série “Hoje na História” volta 20 anos no tempo para relembrar um dos piores terremotos do século XX, acontecido em 1988 na Armênia.

A Armênia é um dos mais pobres países que pertenciam à antiga URSS. Em parte pelo fato de não ter boas relações com seus vizinhos do Azerbaijão – com quem disputam a posse de Nargono-Karabah – e da Turquia, que teima em não reconhecer o Genocídio Armênio ocorrido no começo do século passado. E também por causa do terremoto de 20 anos atrás.

As 11h41 da manhã do dia 7 de dezembro de 1988 um terremoto de 6,9 graus na escala Richter atingiu a região da cidade de Leninake. Quatro minutos depois um outro terremoto, agora de 5,8 graus de magnitude aconteceu. Dois terremotos poderosos em uma região em que as casas eram precariamente construídas só poderia resultar em uma coisa: desastre.

Num raio de 50 quilômetros do epicentro do terremoto todos os prédios com mais de dois andares caíram. Vários hospitais foram atingidos e 80 % dos profissionais de saúde morreram. Isso fez com que muitos feridos não pudessem ser tratados a tempo. O resultado foi 55 mil mortos, 15 mil feridos e 500 mil desabrigados.

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A Igreja da Santa Salvação em Gyumri após o terremoto

A URSS vivia o começo do fim naquele 1988. Gorbatchev havia implementado as primeiras mudanças que levariam ao fim do colosso soviético pouco mais de três anos depois do terremoto armênio. Como fruto das políticas liberalizantes de Gorbatchev, os soviéticos aceitaram pela primeira vez ajuda humanitária de outros países (em Chernobil, somente dois anos antes, isso não aconteceu). Um show com estrelas do rock, nomeado “Rock Aid Armenia” que contou com nomes como Bon Jovi e Led Zepellin chegou a ser organizado para arrecadar fundos para ajudar na reconstrução do país. Apesar disso, a reconstrução foi lenta. Dez anos depois do terremoto ainda havia pessoas morando em barracas improvisadas.

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Gyumri hoje em dia, totalmente reconstruída

É uma pena que um país com tanta história como a Armênia esteja em situação difícil. A Armênia foi o primeiro país cristão do mundo, tendo adotado o cristianismo já no ano 301, doze anos antes da poderosa Roma. Depois do genocídio armênio, em que estima-se tenham morrido 1,5 milhões de armênios,  aconteceu uma grande diáspora no país. São descendentes de armênios grandes nomes como Alain Prost e Charles Aznavour. Aqui no Brasil os atores Stepan Nercessian e Aracy Balabanian (a famosa Dona Armênia, lembra ?) também são descendentes de armênios.

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2 comentários sobre “Hoje na História: terremoto na Armênia

  1. A calamidade nunca bate antes de entrar e, dessa vez, ela derrubou a porta.

    Susanna tinha ido à casa de Karine provar um vestido. Era 7 de dezembro de 1988, 11h30 da manhã. O tremor de terra ocorreu às 11h41. Ela havia tirado o vestido e estava apenas de meias e anágua quando o quinto andar do edifício começou a tremer. Susanna agarrou sua filha e deu apenas alguns passos quando o piso se abriu e elas caíram. Susanna, Gayaney e Karine caíram no subsolo do prédio de nove andares, cercadas de escombros.

    “Mamãe, eu estou com muita sede. Por favor, me dê alguma coisa para beber!”

    Não havia nada que Susanna pudesse fazer.

    Ela estava deitada debaixo dos escombros. Uma viga de concreto sobre sua cabeça e um cano d’água sobre os ombros a impediam de se levantar. Tateando no escuro, ela encontrou um pote de geléia que havia caído no porão. Ela deu toda a geléia para sua filha comer. Já havia passado o segundo dia.

    “Mamãe estou com muita sede!”

    Susanna sabia que ia morrer, mas queria pelo menos poder salvar sua filha. Encontrou um vestido, talvez fosse aquele que viera provar, e improvisou uma cama para Gayaney. Apesar de estar fazendo muito frio, ela tirou suas meias e as colocou sobre sua filha para aquecê-la.

    As duas ficaram ali durante oito dias.

    Por causa da escuridão Susanna perdeu a noção do tempo. Por causa do frio, perdeu a sensibilidade dos dedos das mãos e dos pés. Por causa dessa impossibilidade de se mover perdeu a esperança. “Eu estava apenas esperando a morte chegar!”

    Ela começou a ter alucinações. Seus pensamentos vagueavam. De vez em quando um sono providencial a livrava dos horrores do sepultamento: o frio, a fome, ou, mais freqüentemente, a voz de sua filha.

    “Mamãe, estou com sede.”

    Em algum ponto daquela noite eterna Susanna teve uma idéia. Ela se lembrou de um programa de televisão em que um explorador do Ártico estava morrendo de sede. Seu companheiro deu um corte profundo na mão e deu seu próprio sangue para ele beber.

    “Eu não tinha água, nenhum suco de fruta, nenhum líquido. Foi aí que me lembrei que tinha meu próprio sangue!”

    Tateando com os dedos dormentes de frio, encontrou um pedaço de vidro quebrado. Abriu com ele o dedo polegar da mão esquerda e o deu para sua filha chupar.

    As gotas de sangue não eram suficientes, “Por favor, mamãe, um pouco mais. Corte outro dedo.” Susanna não se lembra de quantas vezes teve que se cortar. Ela sabe apenas que, se não houvesse feito isto antes, Gayaney teria morrido. Seu sangue era a única esperança de sua filha.

    “Este cálice é o novo pacto em meu sangue”, explicou Jesus, apontando para o vinho.[1]

    Esta afirmação deve ter causado admiração aos apóstolos. Eles haviam aprendido a história do vinho da Páscoa. Ele simbolizava o sangue do cordeiro com que os israelitas, escravos do Egito no passado, haviam pintado os umbrais das portas de suas casas. Aquele sangue guardou seus lares da morte e salvou seus primogênitos. Ele os ajudou a se livrar do cativeiro egípcio.

    Por muitas gerações, os judeus observaram a Páscoa, sacrificando um cordeiro. Todo ano o sangue era derramado, e todo ano o livramento era celebrado.

    A lei exigia o sangue de um cordeiro. Isto era suficiente.

    Era suficiente para cumprir as exigências da lei. Era bastante para atender ao mandamento. Era suficiente para atender à exigência da justiça de Deus.

    Mas não era suficiente para retirar o pecado.

    “… porque é impossível que o sangue de touros e de bodes tire pecados.”‘[2]

    Os sacrifícios podiam oferecer soluções temporárias, mas somente Deus pode oferecer solução eterna.

    Assim Ele o fez.

    Debaixo dos escombros de um mundo decaído, Ele feriu suas mãos. Nos destroços de uma humanidade Ele feriu o seu lado. Seus filhos estavam soterrados, então ele lhes deu seu próprio sangue.

    Era tudo o que ele tinha. Seus amigos tinham desaparecido. Suas forças estavam diminuindo. Seus bens haviam sido roubados. O próprio Pai lhe havia escondido o rosto. Seu sangue era tudo o que tinha. Mas seu sangue foi suficiente.

    ‘Se alguém tem sede, venha a mim e beba’[3]

    Não é fácil admitir que temos sede. Fontes falsas aclamam nossa sede com goles açucarados de prazer. Mas chega o momento em que o prazer não satisfaz. Vem a hora tenebrosa da vida em que o mundo cai e somos soterrados nos escombros da realidade, chamuscados e moribundos.

    Alguns preferem morrer a admitir que têm sede. Outros admitem e escapam da morte.

    “Senhor, eu preciso de ajuda!”

    Por isso os sedentos vêm. Somos um grupo de esfarrapados, unidos por sonhos irrealizados e promessas fracassadas. Riquezas que nunca acumulamos. Famílias que nunca construímos. Promessas que nunca cumprimos. Crianças de olhos arregalados soterradas no subsolo de nossos próprios fracassos.

    Estamos com muita sede.

    Não é sede de fama, riqueza, paixão ou romance. Já bebemos de tudo isto. São águas amargas no deserto. Elas não matam a sede – elas matam a nós.

    “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça…”

    Justiça. Isto mesmo. É disto que temos sede. Temos sede de uma consciência tranqüila. Desejamos uma vida limpa. Queremos um novo começo. Pedimos que uma mão entre na escura caverna de nosso mundo e faça por nós uma coisa que não podemos fazer — tornar-nos retos novamente.[4]

    “Mamãe, estou com sede”, rogava Gayaney.

    “Foi aí que me lembrei que tinha meu próprio sangue”, explicou Susanna.

    E, então, o dedo foi cortado, o sangue foi derramado e a criança foi salva.

    “Deus, estou com sede”, oramos.

    “Isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados”,[5] declara Jesus.

    E sua mão foi ferida,
    o sangue derramado,
    e os filhos foram salvos.

    Obs. Extraído do Site http://www.hermeneutica.com.br

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