Hoje na História: a morte de James Joyce

E a série “Hoje na História” está bem literária nesse mês de janeiro. Depois de T. S. Eliot e Agatha Christie, outra lenda literária escolheu o mês de janeiro para “bater as botas”: James Joyce, o autor do grande romance (em todos os sentidos) Ulisses, morreu a 68 anos atrás.

James Joyce nasceu na Irlanda em 1882, em uma família falida, mas que mesmo assim o conseguiu encaminhar para uma faculdade de Medicina. Mas, para a sorte da literatura mundial, Joyce resolveu “viver da pena”. Mas o começo não foi nada fácil. Seu livro de contos Dubliners foi rejeitado por vinte e dois editores e queimado por um, que o considerou “moralmente repugnante”.

E James Joyce realmente não era nenhum modelo de virtude. Teve uma amante pela vida inteira – Nora Barnacle – e nunca chegou a se casar com ela. Em cartas de amor para ela, Joyce mostrava seu lado, digamos, sadomasoquista. “Gostaria que você me batesse ou até mesmo me açoitasse” escreveu ele em uma das cartas. Em outra, ele louva os “peitos cheios e grandes” e a “bunda cheia de peidos” da sua amante. Imaginem só se essas cartas tivessem chegado ao público naquela época carola…

Depois que atingiu a fama, Joyce se transformou num presunçoso incorrigível. Consta que uma vez ele foi abordado numa rua de Zurique por um jovem que pediu para “beijar a mão que tinha escrito Ulisses”. Joyce recusou dizendo que “esta mão fez muitas outras coisas também”. Seu encontro com o poeta W. B. Yeats (ganhador do prêmio Nobel de literatura em 1923) foi um desastre. Joyce menosprezou a obra de Yeats, seu gosto pela literatura de Honoré de Balzac e o chamou de velho, ainda por cima. Apesar disso, Yeats tinha uma boa imagem de Joyce: “Tal colossal autopresunção, com um gênio literário tão liliputiano, eu jamais vi combinados em uma única pessoa”, escreveu ele.

Praticamente cego no fim da vida – passou por 11 cirurgias oftalmológicas, até uma infecção na íris o deixar com pouquíssima visão – Joyce ditou sua última obra – Finnegans Wake – ao seu amigo Samuel Beckett, autor da peça “Esperando Godot” e que ganharia o Nobel de Literatura em 1969. É, Joyce escolheu um datilógrafo bem conceituado, não é mesmo ?

Em 10 de janeiro de 1941 Joyce teve uma úlcera duodenal rompida e entrou em coma. Ele despertou uma única vez, para dizer sua última frase: “Será que ninguém entende ?”. O que ele quis dizer com isso é um mistério que ele levou para o túmulo. Joyce morreria três dias depois, em 13 de janeiro. Foi enterrado no Cemitério Flutern, em Zurique.

joycejames

A lápide simples de Joyce em Zurique

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