Mulheres piratas

O Depokafé pode ser um blog estranho, mas não pode ser acusado de misoginia: temos em nossa “equipe” (sic) duas mulheres (que quase nunca aparecem) e já louvamos as mulheres que cantam bem, são inteligentes e belas. Pois agora é hora de mostrar a face perversa de algumas mulheres: as que se tornaram piratas.

Sim, houve mulheres piratas. A mais importante e famosa delas foi a chinesa Cheng I Sao.

O império pirata de Cheng I colocava no chinelo qualquer esquadra pirata ocidental. Em determinado momento, ela chegou a ter sob seu comando 200 navios e algo entre 20 mil e 40 mil homens. Cheng I também “diversificou” a sua atividade criminosa. Além do saque de navios e cidades, ela também bloqueava portos e só os liberava com pagamento de resgate, além de cobrar uma “proteção” anual de comerciantes que ganhavam salvo-conduto para não serem atacados por seus piratas, e cobrava resgate por passageiros ilustres que por um acaso fossem capturados em suas incursões.

Tudo ia bem, mas, em 1810, Cheng I perdeu um dos seus comandantes, O-potae, que desertou com 8 mil homens e conseguiu um indulto da marinha imperial chinesa e passou a persegui-la. Com sua frota reduzida e literalmente caçada, Cheng I, em abril do mesmo ano, pediu e conseguiu indulto para si e 17 mil de seus homens. Seu esposo, Chang Pao, conseguiu ser nomeado capitão da marinha imperial. Cheng I se tornou comerciante em Cantão e morreu em 1844, aos 69 anos.

Igual sorte não teve a irlandesa Grace O’Malley, a maior pirata ocidental de que se tem notícia. Nascida de uma rica família de pescadores, ela se tornou a pirata mais temida das águas inglesas. Extremamente corajosa, conta-se que deu a luz ao seu primeiro filho, Theobaldo, quando seu navio estava sendo atacado e que, logo após o parto, subiu ao convés para encorajar seus homens à luta.

Mas Grace também se envolveu nas disputas entre os irlandeses e os odiados senhores ingleses que dominavam a Ilha Esmeralda. Por conta disso foi caçada pelo governador inglês da Irlanda, Sir Richard Binghan, que matou um dos seus filhos e convenceu outro a mudar de lado, o que fez com que ela atacasse o próprio filho. Em 1593 ela decidiu ir falar direto com “a dona dos porcos” e navegou pelo Rio Tâmisa até Londres, onde se encontrou com a rainha Elizabeth I, num episódio que entrou para o folclore irlandês. Conseguiu permissão da rainha para reconstruir sua frota, que deixou a cargo do seu primeiro filho. Morreu em 1603, aos 70 anos.

Mas a história mais surpreendente de piratas mulheres é a de Anne Bonny e Mary Read, que vamos contar juntas.

Mary Read nasceu na Inglatera, e foi criada como menino para enganar os parentes. Vestida como homem ela serviu no exército e depois foi para o Caribe tentar a sorte.

Já Anne Bonny era irlandesa, filha bastarda de um advogado com uma criada. Seu pai se separou da esposa e foi viver com a mãe de Anne nos Estados Unidos. Ainda adolescente, Anne se enamorou de um pirata, e fugiu com ele para a Ilha Providence, reduto conhecido de piratas na época.

Foi lá que as histórias de Anne e Mary se cruzaram. Anne se apaixonou pelo pirata John Rackmam, largou o esposo e embarcou em seu navio, onde também embarcou Mary, disfarçada de homem.

O disfarce de Mary não durou muito tempo, e então John Rackmam passou a ter duas esposas. Juntos, os três “botaram o terror” nos mares do Caribe, e acabaram caçados pela marinha inglesa, que os encurralou. Apesar de Mary e Anne terem lutado bravamente, seu navio acabou capturado.

Em novembro de 1820 John Rackman e alguns de seus homens foram enforcados por pirataria. O julgamento das duas mulheres foi feito em separado, e elas também foram condenadas à forca. Mas, logo após o veredicto, elas anunciaram que estavam grávidas, e a execução foi suspensa.

Mary Read contraiu uma frebre e morreu durante a gravidez. Já Anne Bonny teve seu bebê, e sua execução nunca foi realizada. Ela sumiu da história depois disso, e só podemos supor que ela levou uma vida “honesta” depois do nascimento do seu filho. Mesmo para uma pirata sanguinária, a maternidade deve ter mudado a sua vida. Ah, essas mulheres…

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5 comentários sobre “Mulheres piratas

  1. uau,eu amo piratas e é otimo que existiram piratas mulheres.se eu tivesse nascido naquela época seria uma pirata.não pra roubar mas viver livre e ter altas aventuras.

  2. mulheres…piratas….um exemplo de que mulher não é fraca…e nem o tipo sexo frágil,
    o qual por muitos são conhecidas…a ditadura machista de que mulher obrigatoriamente deve ser delicada e gentil..um conceito de dama das antigas…que não pensa e não luta..mulher tem por direito assim como qualquer ser humano a ter liberdade de escolha, devem poder decidir como querem ser, quantas vezes mulheres já provaram ser fortes ..passam por tantas coisas; eu sou uma mulher e gosto por exemplo de boxe…o que é um esporte de contato..muitos já me falaram isso não é coisa para mulher..mas assim como estas mulheres piratas ..provo a sociedade machista e ultrapassada que nós mulheres só somos fracas quando queremos..
    não somos fracas por que nascemos fracas..mas sim por que fomos criadas em uma sociedade onde o ideal feminino é ser fraca..por isso ..viva as mulheres q mostraram seu valor na história e continuam a fazer mudanças de conceitos e atitudes sociais.

  3. po muito massa….. hehehe essas que realmente lutaram…. nas tripulações piratas era comum ter mulheres, mas claro pouquissimas lutavam.
    beijos

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