Hoje na História: o naufrágio do Sultana

E a série Hoje na História está de volta para relembrar os 144 anos do maior acidente naval já acontecido em águas estadunidenses: o naufrágio do Sultana.

Nossa história começa em 21 de abril de 1865 em Nova Órleans. O SS Sultana, um navio a vapor com rodas laterais que pesava 1700 toneladas, partiu do porto da cidade em direção à Cincinnati carregando pouco mais de 300 passageiros, 100 tripulantes e uma carga composta de açúcar, cavalos, mulas e porcos.

Quanto o Sultana parou em Vicksburg, cerca de 2400 pessoas, a maior parte delas soldados que haviam lutado na recém terminada (a menos de um mês) guerra civil americana embarcou no vapor para voltar para casa. A maior parte deles estava em péssimo estado de saúde, doentes, feridos ou mutilados.

Ainda no porto de Vicksburg uma das caldeiras apresentou problemas, mas ela foi consertada e o barco partiu lotado, com seis vezes mais passageiros do que comportaria normalmente.

No dia 26 de abril o navio chegaria a Memphis. Mais uma vez a caldeira apresentou problemas e teve que ser reparada. O aglomerado de gente no navio era tão grande que chamou a atenção do fotógrafo inglês T.W. Bankes, que estava em terras americanas fotografando a guerra. Ele então tirou a única fotografia conhecida do Sultana, que é essa que está aí embaixo:

sultana

Menos de 24 hs depois dessa foto o navio explodiria

Abastecido de carvão, o Sultana partiu novamente. E ás duas da manhã do dia 27 de abril de 1865 a caldeira que tinha sido duas vezes reparada explodiu.

A caldeira de um navio explodir é algo ruim. De madrugada, no escuro e longe de qualquer cidade, é bem pior. E,  se o navio estiver muito lotado e com a maior parte dos seus passageiros inválidos ou fracos demais para nadar, nós temos o cenário perfeito para uma tragédia. E foi o que aconteceu.

O número total de mortos ainda gera controvérsias hoje em dia, mas estima-se que 1700 pessoas morreram nas águas do rio Mississípi. Os relatos dos sobreviventes são aterradores: pessoas tentando desesperadamente se salvar agarrando-se a pedaços do navio, soldados que não sabiam nadar se jogando no rio, preferindo morrer afogados do que queimados, corpos chegando às praias semanas depois do acidente. Um horror.

No dia 01º de abril (não é mentira !) desse ano o deputado americano pelo estado do Arkansas Victor Snyder propôs no congresso estadunidense uma moção de reconhecimento do naufrágio e da responsabilidade do governo federal na tragédia, pois ele deveria ter cuidado do traslado dos seus soldados e fiscalizado os barcos super-lotados. A associação que reúne os descendentes das vítimas e dos sobreviventes da tragédia comemorou o fato. Eles tem inclusive um blog, que pode ser visto aqui (em inglês, é claro).

Uma placa em Vicksburg relembra a tragédia do Sultana

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