Hoje na História: acidente ferroviário na Escócia

E a série Hoje na História está de volta, mais cedo do que você esperava, meu caro leitor. Mas hoje não vamos tão longe como na vez passada. Vamos retornar somente 94 anos no passado para relembrar o mais terrível acidente de trem da história da Grã Bretanha.

Estávamos em 15 de maio de 1915. A Primeira Guerra Mundial tinha começado a somente 10 meses e 500 homens da 7ª Divisão Real Escocesa embarcaram em um trem para lutar na Turquia. Era pouco mais de seis horas da manhã.

Enquanto isso, no entroncamento ferroviário de Quintinshill, o sinaleiro George Meakin tinha trabalhado o turno da noite e estava para ser substituído por James Tinsley. Mas os dois tinham um acordo informal – tipo um “jeitinho escocês” – em que Tinsley, que sempre chegava um pouco atrasado, era acobertado por Meakin, que anotava as mudanças de linhas efetuadas depois do seu horário em um papel separado que depois o amigo passava para a sua planilha oficial.

Por descuido, cansaço, falta de atenção ou porque estavam preocupados em disfarçar o atraso de Tinsley – ou tudo isso junto – os dois autorizaram que o trem com os soldados trafegasse pela mesma linha que um trem que vinha em sentido contrário. Quando eles perceberam o que tinham feito, já não dava para fazer mais nada. Os dois trens bateram de frente. Eram 6h50 da manhã. Na Wikipedia em inglês tem um gif animado que explica bem como foi o acidente.

Como desgraça pouca é bobagem, os destroços da batida ocuparam todas as linhas e acabaram sendo atingidos por um trem expresso que trafegava por outra linha. Para piorar mais ainda, se é que isso é possível, o trem que levava os soldados estava carregado de munição, que começou a explodir com o incêndio que se seguiu, soltando bala para todos os lados.

Os bombeiros chegaram logo, mas o incêndio só foi controlado às onze horas da noite. O trem dos soldados, que tinha 60 metros de comprimento, ficou reduzido a 20 metros por causa da força do impacto. O resultado foi 227 pessoas mortas, a maior parte delas vindos do trem que carregava as tropas. Outras 240 ficaram feridas.

1915_quintinshill

Fotos do combate ao incêndio e do socorro aos feridos

Meakin e Tinsley foram presos e julgados por homicídio culposo. Como no Reino Unidos as coisas andam rápido, o júri se reuniu somente quatro meses depois do desastre. Depois de oito minutos de deliberação, o júri popular condenou Tinsley a 3 anos de prisão e Meakin a um ano e meio. Mas os dois sofreram “colapsos nervosos” – um eufemismo para dizer que ficaram muito abalados com o remorso do que fizeram – e foram libertados depois de cumprir um ano de prisão cada. Depois de solto, Tinsley voltou a trabalhar para a mesma empresa ferroviária, como porteiro. Se aposentou depois de 30 anos de trabalho. Meakin trabalhou um tempo como vigia na mesma empresa, depois como comerciante de carvão e numa fábrica de armas. Se aposentou também, com problemas de saúde. Não se sabe quando os dois morreram.

Para relembrar a tragédia foi construído um monumento no Cemitério Rosebank em Edimburgo, onde foram enterrados os valorosos soldados escoceses que morreram sem nunca terem entrado em combate.

Quintinshill_Memorial

Placa no monumento do Cemitério Rosebank em honra dos mortos

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