Osvaldo Cruz, cidade que produz…

…de dia falta água, de noite falta luz.

Essa quadrinha, que já era antiga na época que eu era criança, sintetiza bem o que dizem sobre os brasileiros: somos narcisistas às avessas. Se bem que ela também deve ter um fundo de verdade, porque Osvaldo Cruz sofreu com falta d´água até meados dos anos 60, quando um prefeito de saco roxo endividou a prefeitura até o décimo sucessor para construir uma represa e uma adutora para trazer água de um ribeirão distante. Tudo culpa dos topógrafos e engenheiros suíços que projetaram a cidade longe de uma fonte de água. Quase todos eles estão enterrados hoje no mausoléu maçom do cemitério local. Um belo monumento, diga-se de passagem, todo de mármore negro. Qualquer dia tiro uma foto. Se bem que hoje em dia pode chover o quanto quiser que a cidade não inunda, o que é uma vantagem. Eles eram visionários. Ou não.

O fato é que estou começando agora uma série sobre a trepidante Osvaldo Cruz, a cidade que produz. Não sei quantos posts vai render a minha cidade, então não prometo nada quanto a número de posts ou periodicidade.

Eu já escrevi minhas impressões sobre morar no interior aqui. Acho que fui um pouco rabugento ou pessimista demais. Mas a verdade é que morar numa pequena cidade do interior é mais ou menos como ser invisível. Ninguém lembra que você existe, só o IBGE uma vez por década e olha lá. Na época AI (antes da Internet) acho que a única vez que Osvaldo Cruz foi notícia em rede nacional foi em setembro de 1983, quando uma chuva de granizo destruiu metade da cidade, inclusive a casa que eu morava.

Hoje em dia as coisas mudaram, mas não muito. Se você procurar no Google vai encontrar, além da página na Wikipédia (editada em grande parte por mim mesmo, diga-se de passagem) alguma coisa sobre o time de futebol, talvez sobre o time de futsal, se é que ele ainda existe, os endereços dos nossos dois “portais” (sic) informativos, uma ou outra referência sobre o nosso presídio (pretendo escrever um post só sobre a implantação dele), as páginas da meia dúzia de indústrias que existem por aqui, e só. Isso, é claro, depois de filtrar a maioria dos resultados sobre o cientista, o instituto e o bairro carioca. Tarefa hercúlea, eu diria.

Isso não significa, é claro, que aqui não existam boas histórias para serem contadas. Então, já que ninguém as conta, tomarei esse fardo (nossa, que dramático, não ?) para mim. A história do presídio, como eu disse, merece um post só para ele. Então vamos começar pelos “filhos ilustres” da cidade.

A filha mais ilustre de Osvaldo Cruz é a ex-jogadora de basquete “Magic” Paula. Aquela mesma, que fazia dupla com a Hortência. Dizem que ela renega a origem osvaldocruzense e diz que nasceu em Marília, mas acho que isso é maldade. Sempre que eu vi, ela disse ser daqui. Mas ela foi embora muito cedo, e tem pouca ligação com a cidade. Já até sugeriram uma estátua para ela, e um prefeito querendo aparecer já anunciou até um museu sobre ela, que nunca saiu do papel. Os “politicamente corretos” dizem que a cidade tem outras prioridades. Então tá. Mas o fato é que a casa onde ela morou foi demolida já a alguns anos para virar um centro comercial. Uma pena. Osvaldo Cruz não é pródiga em guardar a sua memória, mas vou escrever sobre isso em outro post.

Um filho ilustre que está sempre na cidade é o ex-narrador Osmar Santos. Aquele mesmo, do “pimba na gorduchinha”, do “Edmundo animal !” e que sofreu um acidente e ficou com terríveis seqüelas. Ele já fez exposição de seus quadros aqui, está sempre presente em Jogos Regionais e de vez em quando vem ver o time da cidade jogar pelo Paulistinha.

E, apesar de ninguém gostar de comentar muito isso, o ex-ministro Luiz Gushiken nasceu por aqui também. Você provavelmente não lembra, mas ele esteve envolvido num dos escândalos de corrupção do governo Lula. Que eu saiba, ele não dá as caras por aqui a anos. Ainda bem, eu diria.

Além desses três, Rubens Saraceni, autor de dezenas de livros sobre umbanda publicados pela Editora Madras, completa a lista de osvaldocruzenses famosos. Não faço a mínima idéia se ele ainda freqüenta a cidade, mas acho que não. Ele viraria primeira página dos jornais locais (três, todos semanais) toda vez que aparecesse.

E é isso. Uma ex-esportista, um ex-locutor, um político e um sacerdote umbandista. Não é grande coisa, mas é mais do que muitas cidades do mesmo porte. Para o próximo post, pretendo animar as coisas e tirar fotos da bizarrices arquitetônicas da cidade. Aguardem. Mas não com muita ansiedade.

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3 comentários sobre “Osvaldo Cruz, cidade que produz…

  1. Cara!!!

    É a primeira vez que leio seus comentários, se é que posso chamá-los assim.
    Estou lendo um livro de Quixe Cardinale, “Das galáxias aos continentes desaparecidos”, e aí, apareceu uma região chamada Lemuria, como faltei às aulas de geografia, fui pesquisar no Google e te encontrei.
    Muito legal, parabéns, continue escrevendo que continuarei lendo.

    Abraços!

    Augusto.

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