Pequenas biografias de grandes figuras: Heleno de Freitas

Heleno de Freitas (1920-1959) foi um bacharel de Direito e futebolista brasileiro. Se destacou jogando pelo Botafogo e pela Seleção Brasileira na década de 40 do século passado. Ainda é o quarto maior artilheiro da história do clube carioca.

Heleno encarnava o espírito de “O médico e o monstro”. Fora de campo era simpático, agradável, amante dos carrões, roupas finas e belas mulheres. Dentro de campo, porém, se transformava: era irascível, brigão e temperamental. Constantemente brigava com os próprios companheiros de equipe e era expulso com frequencia.

A Diretoria do Botafogo fazia de tudo para punir Heleno: multas, suspensões, ameaças de dispensa. Mas não tinha jeito: ele melhorava por um ou dois jogos mas depois voltava a ser o mesmo de sempre. Como fazia gols a torto e direito, a torcida o adorava.

Em 1948, porém, o clima estava pesado demais para Heleno, que foi vendido para o Boca Juniors da Argentina. Ficou um ano lá, mas seu gênio forte o atrapalhou novamente. Brigou com os principais jogadores da equipe e acabou dispensado. De volta ao Brasil, o Botafogo não o quis, para grande desgosto dele. Acabou indo parar no Vasco da Gama, onde conquistou seu único título, o campeonato carioca de 1949.

Em 1950 aproveitou a grana que os colombianos estavam colocando na Liga Pirata e se transferiu para o Atlético Junior. Lá, recebeu elogios de ninguém menos que Gabriel Garcia Márquez, cronista esportivo de um dos maiores jornais locais.

Por essa época já estava viciado em lança-perfume e seu gênio piorava cada vez mais. De volta ao Brasil, se decepcionou por não ter sido convocado para a Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo de 1950. Cada vez mais afundado no vício, não conseguiu espaço em nenhum time grande e foi jogar no América. Jogou uma única partida pelo clube: foi expulso aos 25 minutos do primeiro tempo por tentar bater nos próprios companheiros !

A partir daí caiu de vez na loucura. Tentava entrar nos treinos do Botafogo argumentando que ainda era jogador. Pedia esmolas aos ex-companheiros, muitos que tinham sido humilhados por ele antes, para sustentar seu vício. Sem alternativa, a família o internou num sanatório em Minas Gerais. Lá, foi diagnosticado com sífilis no grau mais avançado, quando a doença atinge o cérebro. Alguns acham que a sífilis poderia explicar o seu temperamento intempestivo desde o começo.

Foi definhando pouco a pouco, até morrer em 1959, completamente louco e paralisado pela doença. O Botafogo nem se dignou a mandar um representante para seu enterro. E um dos maiores ídolos do clube se foi sem ganhar sequer um título vestindo a sua camisa. É, tem coisas que só acontecem ao Botafogo mesmo…

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