Diários do fim do mundo I

Sexta-feira, 21 de dezembro de 2012, Santos, SP

A energia ainda não voltou. Acabou era umas nove horas, mais ou menos. Na mesma hora começou a cair uma chuva forte. O mar está muito agitado, parece que a ressaca vai ser forte. Agora são dez e meia, e a bateria do laptop está acabando. O jeito é ir dormir. Tomara que amanhã dê praia.

Quarta-feira, 26 de dezembro de 2012, São Paulo-SP

Não teve Natal esse ano. Meus pais estão preocupados com o blecaute que já dura desde sexta-feira. E não parou de chover um minuto. Tem muitas ruas alagadas. Não dá nem para sair de casa. Meu pai disse que estão comentando que aconteceu um tsunami no litoral, mas devem ser só boatos. Espero que o ano novo seja melhor.

Quinta-feira, 3 de janeiro de 2013, Rio de Janeiro-RJ

Tivemos que deixar o abrigo em que estavamos, havia risco de desabamento. Não parou de chover um minuto e o local estava cheio de infiltrações. Falam em milhares de mortos por causa do tsunami. Ninguém explica o que aconteceu. Nos levaram de ônibus para fora da cidade, acho que estamos indo para a região serrana. A cidade estava vazia, muita destruição. Estou preocupado com meus pais, não consegui contato com eles. Quando saberemos o que realmente aconteceu ?

Domingo, 6 de janeiro de 2013, São Paulo-SP

Meus pais decidiram hoje pegar o carro e ir para a casa do vovô no interior. Estamos quase sem comida. Os telefones também pararam de funcionar e nem as rádios dão mais sinais de vida. Estou com medo. As ruas continuam alagadas, mas meu pai está confiante que vamos conseguir sair daqui. Tomara que ele esteja certo.

Segunda-feira, 21 de janeiro de 2013, Santos

Santos, a minha cidade tão querida, não existe mais. A cidade está sob escombros por causa do tsunami na madrugada do dia 22. Estou ferido, mas trataram de mim aqui no abrigo. Não vi mais minha família, acho que estão todos mortos. Estão nos levando agora para outro lugar, acho que é para São Paulo. A estrada está péssima. Vamos demorar para chegar. Porque, meu Deus, porque ?

Quarta-feira, 23 de janeiro de 2013, Sorocaba-SP

Conseguimos chegar em Sorocaba. A cidade está deserta, não se vê ninguém. A casa do vovô está vazia e foi arrombada. Não encontramos ninguém. Não temos mais combustível para ir a lugar nenhum, e nem comida. Minha irmãzinha chora de fome e minha mãe com ela. Acho que essa é a última vez que escrevo. Adeus.

Quinta-feira, 31 de janeiro de 2013, Petropolis, RJ

O abrigo que estou aqui é um imenso ginásio. Está completamente lotado. Não há comida nem banheiros para todos. As pessoas estão ficando revoltadas com as condições e a falta de informação. Um garoto que dorme no colchonete ao meu lado disse que ouviu os militares comentando que um meteoro causou o tsunami. Pode ter sido, mas porque a energia não volta ? E porque não para de chover ? Acho que nunca saberemos as respostas.

Terça-feira, 5 de fevereiro de 2013, Santos

Não conseguimos sair da cidade. As estradas estão todas bloqueadas. Falta comida até para os militares. Muitos desertaram. As pessoas estão se rebelando e indo embora. Vi uma pessoa sendo morta ontem ao tentar fugir. Foi horrível. Nossa situação é de desespero total. Se não chegar ajuda logo morreremos todos.

Leia a segunda parte de Diários do fim do mundo clicando aqui.

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