Diários do fim do mundo III

A primeira parte de Diários do fim do mundo está aqui e a segunda parte pode ser lida aqui.

Segunda-feira, 29 de abril de 2013, Sorocaba

Estou num abrigo. Um lugar grande e com muita gente. Só lembro de ter desmaiado e depois de muitos dias acordei aqui. Fui resgatada por uma equipe de procura de sobreviventes. Pena que eles não chegaram a tempo para salvar minha família. Aqui há comida e água para todos. Não encontrei meu marido. Ainda estou fraca, mas me recuperando bem. Alguns temem que falte água, mas confio no trabalho dos militares. Tudo me parece muito organizado, na medida do possível.

Terça-feira, 30 de abril de 2013, Petrópolis

Nosso abrigo foi atacado hoje. Era muita gente, e fortemente armados. Houve muito tiroteio e mortes. O ataque foi repelido, mas estão todos com medo. Os militares nos reuniram e falaram pela primeira vez, por alto, sobre o que aconteceu. A história do tsunami ter sido causado por um meteoro é verdadeira. Criei coragem e perguntei sobre a falta de energia e deram uma resposta vaga sobre tempestades solares. Não entendi nada. Nos informaram que vamos mudar para um lugar mais seguro, mas não disseram onde. Devemos partir amanhã.

Quarta-feira, 1 de maio de 2013, Mogi das Cruzes

Conseguimos chegar a Mogi das Cruzes. Perdemos metade do grupo na viagem. Houve briga pela comida e os mais fracos perderam. Viramos uns animais, essa é a verdade, mas não me me arrependo de ter matado ninguém. Fomos encontrados pelo exército, que nos levou para um abrigo. Estamos de quarentena, mas não sei bem porque. Só sei que somos mantidos afastados do resto do grupo. Pelo menos temos comida e um teto sobre nossas cabeças. O tempo continua abafado e faz tempo que não chove.

Domingo, 19 de maio de 2013, Juiz de Fora

Fomos trazidos de Petrópolis para Juiz de Fora, em Minas. Há um mega campo de refugiados aqui. Vivemos todos em barracas. Há muitos soldados, armamento e até helicópteros por aqui. A comida é racionada e a água também. O jeito é se acostumar. As barracas parecem seguras. Bem que podia chover, o calor está infernal.

Sexta-feira, 31 de maio de 2013, Sorocaba

Estava tudo bem até ontem, quando aconteceu o terremoto. O ginásio onde estávamos abrigados ruiu. Muitos morreram. Escapei porque estava do lado de fora ajudando na horta que tínhamos organizado. Os militares estão perdidos, e ninguém sabe o que fazer. Ouvi falar que seremos mandados para outro lugar, mas parece que não há para onde fugir. Falta água e remédio para os feridos.

Terça-feira, 4 de junho de 2013, Mogi das Cruzes

Acabou a nossa quarenta e estamos com os outros. O terremoto da semana passada assustou todo mundo, mas não houve muitos danos. Estão dizendo que a coisa foi feia lá pelos lados de Itu e Sorocaba. Como dizem, desgraça pouca é bobagem, né ? Faz muito calor para essa época do ano. A água está sendo racionada. O ginásio aqui é enorme e está lotado. Tem pessoas dormindo em barracas no lado de fora também.

Quarta-feira, 26 de junho de 2013, Juiz de Fora

Os militares estão montando mais barracas. Parece que teremos companhia em breve. Me ofereci para ajudar e ouvi boatos de que vão mandar os sobreviventes dos dois terremotos de São Paulo para cá também. Esses terremotos foram estranhos, sentimos quase nada por aqui. Será que foram terremotos mesmo ? De qualquer forma, esse local vai ficar mais lotado do que já está. Vai ser o inferno.

A quarta parte já foi publicada e está aqui.

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4 comentários sobre “Diários do fim do mundo III

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