Lido: A canção de Rute

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Romances bíblicos já foram muito populares a algumas décadas atrás, principalmente em terras estadunidenses. Alguns viraram best-sellers, como o monumental Médico de homens e almas de Taylor Caldwell, que continua a venda até hoje. “A canção de Rute” , do médico estadunidense Frank Slaughter, é um legítimo representante desse gênero hoje esquecido.

O livro é baseado no livro de Rute do Antigo Testamento, uma história singela sobre uma moabita que, após a morte do marido israelita, decide acompanhar a sogra de volta a Israel. No final ela é recompensada casando-se com um poderoso dono de terras e de quebra ainda entra para a genealogia de Jesus Cristo, já que ela se torna avó do poderoso rei Davi. É uma história de tolerância, porque mostra que mesmo na genealogia do grande Davi ou até de Jesus Cristo há espaço para uma “estrangeira”, uma não judia. Pena que os judeus de hoje em dia sejam bem menos tolerantes com os palestinos do que deveriam.

Sobre essa base simples Slaughter faz diversos aumentos e modificações. Ele coloca Boaz, o futuro segundo marido de Rute, em ação desde o início, combatendo os moabitas e sendo traído pelas artimanhas de um deles. Transforma também a morte do primeiro marido de Rute num ato heroico que salva Boaz de ser capturado e põe a pobre Rute para “comer o pão que o moabita amassou” antes de finalmente se casar novamente.

Um dos pontos fortes do livro são suas narrativas detalhadas de alguns acontecimentos, como a coroação do rei ou um sacrifício humano feito pelos moabitas, que é assustadoramente verossímil. Os diálogos também são interessantes e bem construídos. E o livro também não exagera no proselitismo religioso, podendo ser lido sem problemas por não cristãos e ateus em geral.

Poucas partes do livro de Rute do Antigo Testamento são reproduzidas fielmente, mas uma delas, na minha opinião uma das passagens mais bonitas de toda a Bíblia, quando Rute declara a sogra que vai voltar com ela para Israel, é reproduzida em toda a sua beleza:

Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o SENHOR, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.

A única crítica que eu faria é as vezes o livro fica meio lento, arrastado, com muito diálogo e pouca ação. Slaughter gosta de “mastigar” bem a sua narrativa, como se ele quisesse ter certeza de que você está entendendo mesmo o que vai acontecer. Pode ser um defeito para alguns, mas pelo menos ninguém vai poder reclamar que não entendeu a história.

Veredito final: um romance com base bíblica que não exagera na parte religiosa e tem boas passagens. Nota oito.

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