Lido: Mais Platão, menos Prozac

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O grande problema de “Mais Platão, menos Prozac” é classifica-lo em alguma categoria. A maioria o classifica como um livro de auto-ajuda, mas na minha opinião ele é mais do que isso. Mas não muito.

A idéia central por trás de “Mais Platão, menos Prozac” é ser possível resolver os seus problemas cotidianos usando somente filosofia. Esse movimento de “filosofia prática” surgiu na Alemanha nos anos 80 do século passado e hoje em dia há filósofos práticos que atendem pacientes em seus consultórios da mesma forma que os psicólogos o fazem.

O primeiro capítulo do livro explica justamente isso, além de fazer críticas à Psicologia e principalmente à Psiquiatria. O autor não deixa de ter razão em alguns pontos, na minha opinião. Realmente parece que todo mundo hoje em dia tem alguma doença mental, e algumas delas até “entram na moda” como bipolaridade ou TDAH. Há um flagrante exagero nesse campo hoje em dia, com certeza.

O livro prossegue com o autor explicando qual é o método que ele usa com seus pacientes e discorrendo brevemente sobre as principais correntes filosóficas. Até esse momento ele só está preparando terreno para a terceira e maior parte do livro: os “estudos de caso”.

É nessa parte que “Mais Platão, menos Prozac”  se parece mais com um livro de auto-ajuda “clássico”. Os tais estudos de caso cobrem situações comuns: relacionamentos amorosos e familiares, morte, moral e ética, entre outros. Em cada situação o autor apresenta três ou quatro exemplos e demonstra como usou seu método para ajudar seus pacientes a resolve-los, além de dar conselhos “genéricos” para quem esteja passando por uma situação semelhante.

Depois da principal parte, o autor finaliza o livro discorrendo que a filosofia prática não precisa necessariamente de um consultor filosófico para ser praticada. Ele incentiva a criação de grupos de estudo filosóficos e exorta seus leitores a participarem de algo do gênero.

Nos apêndices, uma surpresa: um manual para se consultar o I Ching ! É que para o autor o I Ching é mal interpretado e mal pronunciado (na verdade é i-jing) e que na verdade ele é um repositório de sabedoria oriental. Então tá. Ele também fornece uma lista resumida sofre o pensamento de alguns filósofos além, é claro, de uma lista de filósofos práticos e seus respectivos consultórios.

Ao terminar “Mais Platão, menos Prozac” eu fiquei com a sensação de que ele é superficial demais. Sim, a idéia de se usar filosofia no dia a dia é boa, mas quem está preparado para isso ? Você conhece alguém que saiba pelo menos o básico sobre as obras de Aristóteles, Hobbes ou Kierkegaard ? Poucos, né ? É nesse ponto que o livro é falho. Ele gasta tempo e espaço fazendo auto-ajuda rasteira nos seus estudos de caso quando deveria explanar pelo menos o básico de grandes filósofos, situar suas idéias no tempo atual e deixar que o próprio leitor tire as suas conclusões. Mas ele prefere trilhar o caminho fácil da auto-ajuda e das soluções fabricadas, o que é uma pena.

Veredito final: é um bom livro. Faz pensar. Mas poderia ser melhor, muito melhor. Nota seis.

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