Aventuras de um leitor de ebook pobre

Hoje em dia os ebooks estão na moda. Dizem até que a toda poderosa Amazon vende mais ebooks do que livros “físicos”. Até eu, humílimo autor, tenho um dos meus livros disponível para venda em formato de ebook. É, os tempos mudaram.
Mas não mudaram agora. Já nos últimos anos do século passado existiam ebooks. Geralmente eram somente clássicos da literatura com direitos autorais já vencidos ou autores independentes como L.P. Baçan e suas histórias de terror, que pediam doações através de conta bancária para quem gostasse dos seus livros.
Apesar de preferir até hoje um “livro físico” eu acompanhei essa época de perto e me tornei um leitor regular de ebooks. Consegui com o tempo algumas centenas de ebooks, que fiz questão de converter para .pdf. Esse post conta a história de como foi a minha procura pelo leitor de ebooks perfeito sem gastar muito. Os tempos mudaram, mas não para a minha conta bancária…

No início eram os palmtops
Se você não sabe, os palmtops são os avós dos smartphones atuais. No começo desse século, quando eu decidi que não deveria mais ler ebooks no computador se não quisesse ficar cego antes da hora, um palmtop era a única alternativa viável. Minha primeira experiência foi com um Palm M100 de segunda mão.

Um dia eu e meu Palm M100 iremos para um museu

Ler com o Palm M100 era uma aventura. Primeiro, porque ele não lia .pdfs. Havia um programa de conversão para o formato de texto que o palmtop aceitava (.pdb) mas ele só convertia .docs ou .txts. Resultado: eu tinha que copiar/colar o conteúdo do ebook no Word, salvar, converter e depois ler. Um trabalhão.
Outro problema era bateria. Porque o Palm M100 não tinha bateria. Ele usava pilhas. E toda vez que elas acabavam era necessário sincronizar o palmtop com o PC para os arquivos voltarem, uma operação que demorava vários minutos. Mas a tela, apesar de não ser colorida, era boa para leitura, parecida com o que o Kindle é hoje, e me serviu por um bom tempo, até que seus escassos 2 MB de memória ficaram pouco e procurei outra alternativa.
Parti para um Palm Zire 31. Processador seis vez mais rápido, tela colorida, leitor de áudio, sistema operacional mais atualizado, agora não era mais preciso fazer conversões malucas, pois havia uma versão do Adobe Reader para ele. Mas ainda era necessário usar um programa no PC para transferir os arquivos para o palmtop. Fora isso, ele tinha uma bateria recarregavel (um grande avanço para mim) a tela tinha melhor resolução e tinha oito vezes mais memória, além de aceitar cartões SD. Foi o leitor de ebooks improvisado que usei por mais tempo, mas um dia ele foi para o céu dos palmtops, onde os smartphones não entram, e eu tive que aderir aos “telefones espertos”.

Sinto sua falta, Zire 31.


O smartphone de vida breve

Como eu sempre gostei de coisas alternativas (e baratas) escolhi um smartphone com o Windows Mobile. Um HTC Touch Viva rodando a versão 6.1 do falecido sistema operacional móvel da Microsoft com uma interface própria da fabricante por cima. As vantagens sobre o palmtop eram muitas: mais rápido, tela com resolução maior, com melhor ajustes de brilho, e nada de precisar usar um programa para transferir os .pdfs, era só plugar no PC e copiar os arquivos para o cartão micro-sd. Infelizmente, o Adobe Reader presente no aparelho não tinha um recurso básico: bookmarks. Quem me salvou foi um software livre, o Pocket X-Pdf, que contava com o recurso e ainda era mais rápido que o programa da Adobe. Nem nos smartphones a Microsoft consegue se ver livre os subversivos do software de código aberto, coitada.

Bonito, e ainda faz ligações !

Apesar do smartphone estar me servindo bem para a tarefa de ler ebooks (e ainda fazia ligações, vejam só !) senti necessidade de uma tela maior. Talvez seja a idade chegando. Ou não.

Experiência frustrada com netbook
Achei que as dez polegadas de um netbook fariam bem para a minha visão e investi num desses pequenos notebooks, um modelo popular da Philco sobre o qual já contei minhas peripécias em busca do sistema operacional perfeito neste outro post. Mas, apesar de todo o esforço, não me adaptei a ler no netbook. Há muitas distrações, a internet esta a um clique de mouse, e o próprio formato do netbook não ajuda na tarefa. Li pouquíssima coisa com meu valente Philco, e acabei relegando o pobre para a tarefa menos nobre de tuitar enquanto assisto TV, que é o mais novo esporte nacional.

O epílogo (até agora): um tablet

Não tinha mais como escapar, tinha que comprar um tablet. O escolhido mais uma vez foi um modelo popular, um Powerpack NET IP110, rodando o Android 2.2.

Funciona, mas dá trabalho

Como tablet, o Powerpack é decepcionante. A tela é resistiva, ou seja, ainda precisa da canetinha, não há acesso ao Android Market, e a memória RAM insuficiente não permite carregar muitos programas ao mesmo tempo. Mas como leitor de ebooks ele vai bem, desde que você ultrapasse algumas dificuldades.
A primeira é que não há acesso ao cartão micro-sd, nem à memória principal do tablet, através do PC. Ou seja, não dá para copiar arquivos para ele. A alternativa que eu encontrei foi enviar a partir do PC os .pdfs para algum serviço de armazenamento de arquivos e baixar de lá para o tablet. No meu caso, usei o 4shared, porque eles tem um bom aplicativo para Android que facilita baixar os ebooks.
O segundo passo é achar um leitor decente. O que vem com o Powerpack é eficiente, mas pesado demais. A alternativa open source consegue ser mais lenta ainda. Tive que me render ao excelente, mas pago, EzPDF Reader, não teve jeito.
Por fim, a bateria não ajuda muito a fazer leituras longas. Mas desabilitar o wifi e os serviços que rodam em segundo plano  ajudam bastante nesse quesito, e a duração da bateria fica até aceitável, entre duas a três horas.
Superados esses percalços, a leitura no tablet é infinitamente melhor do que no celular ou nos antigos palms. A tela maior com certeza faz muita diferença, e o EzPDF é rápido na transição de páginas mesmo num tablet sem muita memória como o meu. Não há efeitos bonitinhos de transição de página como nos Ipads, mas não fazem falta. É mais leve e com formato melhor do que o netbook para leituras. Por enquanto é minha opção favorita, alternando com o smartphone quando estou em filas ou salas de espera.

E o futuro ?
Se você pensou num tablet “de verdade”, esqueça. A relação custo-benefício não compensaria. Daqui alguns anos haverá pico-projetores que projetarão o livro em 3D na parede e vamos poder ler com óculos especiais, como se estivéssemos com a cara enfiada no livro. Ou eu comprarei um Positivo Alpha, que é o mais provável. Quem viver, lerá.

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4 comentários sobre “Aventuras de um leitor de ebook pobre

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