De volta à ilha – parte 1

No finalzinho do ano passado publiquei em cinco partes “A ilha” um pequeno conto sobre uma vila em perigo por causa de um estranho personagem. Hoje retomo o tema em “De volta à ilha” (quanta criatividade, hein ?). Apesar desta ser uma história independente, se você quiser compreender melhor esta série de cinco partes que se inicia hoje, talvez seja apreciável que você leia antes “A ilha”. A primeira parte está aqui. Divirta-se.

A Vila Nova Esperança estava mais agitada do que o normal naquele dia. Uma equipe de gravação de uma TV local havia chegado à comunidade naquela manhã. Depois de algumas gravações aqui e ali, eles se preparavam para ir até a Ilha das Lágrimas gravar a parte principal da reportagem.

Onesíforo observava a movimentação do fundo do balcão de sua pequena mercearia. Desde que o seu pai havia decidido abandonar a pescaria para se tornar comerciante, sua vida tinha melhorado muito. A própria Vila Nova Esperança tinha crescido muito bastante que a ligação com a cidade havia sido asfaltada. Os turistas começaram a chegar, tímidos no início, mas depois o turismo cresceu tanto que agora os pescadores eram minoria. Os negócios iam bem para quem tinha investido na área, e a divulgação na TV com certeza ia incentivar muita gente a visitar a vila.

Só uma coisa incomodava Onesíforo. A Ilha das Lágrimas era tida como um lugar de mal agouro. Os pescadores nunca iam até a ilha. Os guias turísticos até levavam pessoas lá, mas a permanência era sempre curta e muita gente voltava dizendo que tinha se sentido mal. Deveria ser só superstição, dizia Onesíforo para si mesmo, mas sem estar muito convicto disso.

O barco que ia levar a equipe de TV até a Ilha das Lágrimas partiu logo após o almoço. Foi em linha reta até o paredão rochoso depois virou a direita para a prainha que ficava do outro lado e sumiu de vista. A agitação diminuiu até ficar tudo calmo de novo. Onesíforo continuou trabalhando bastante o dia todo, mas estava dominado por uma inquietação que não conseguia explicar.

No fim da tarde a agitação voltou a tomar conta da vila. A equipe de TV não tinha voltado ainda. Logo ficaria escuro demais para fazer uma volta segura. Alguns se ofereceram para ir até lá, mas a discussão acabou em nada. A noite chegou e passou sem nenhuma notícia da equipe de reportagem ou do seu barco.

Logo na manhã seguinte um grupo de pescadores foi direto para a Ilha das Lágrimas. Quando eles voltaram, a preocupação se transformou em pânico. Toda a equipe estava morta.

A polícia chegou logo, e com elas os peritos, curiosos e outra equipe de filmagem vindas da cidade. A vila virou um pandemônio de gente. Onesíforo viu os corpos sendo retirados do barco que os trouxera. Estavam perfeitos, sem marca nenhuma de violência ou algo que indicasse uma morte fora do normal. Aquilo não parecia nada bom, pensou Onesíforo.

Ele não sabia o quanto estava enganado.

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