As três belas e uma fera – parte4

Boas notícias, mas não para Aline, Fabiana e Natália. A série vai ser estendida até sábado, então vocês ganharam mais um capítulo. Aproveitem então.

Dessa vez quem acordou primeiro foi Aline. Depois de um dia miserável, sem comida nem bebida, amarrada numa cama ainda com seu vestido longo, ela não queria acordar. Os sonhos podem ser um refúgio seguro. Mas seus olhos se abriram. O nariz estava coçando, ela levou a mão até o rosto…e percebeu que não estava mais amarrada.

Sentou-se na cama com um pulo. Natália e Fabiana ainda ressonavam. Se levantou com os olhos flamejando de fúria. Cada movimento dos seus músculos retesados enviava ondas de dor por todo o seu corpo.

Durante um bom tempo o único som que se ouviu foi o da sua respiração apressada. Nada mais parecia se mover, ou ter importância. Ela só precisava respirar, sorver o ar cada vez mais, como se fosse um néctar que a muito tempo não era provado. Foi cambaleando até a cama de Natália e a acordou. A amiga demorou a perceber que estava livre. Juntas, acordaram Fabiana. Ela estava em pior estado. Havia lutado por toda a noite, tentando se soltar, e estava exausta. As duas a ajudaram a se levantar.

O local estava claro. Perceberam logo porque: a porta estava aberta. Elas hesitaram. Natália, que estava em melhor estado, foi até a porta. Olhou em volta, se certificou que estava tudo seguro e voltou.

– Está tudo tranquilo. Estamos no meio da floresta. Há comida lá fora.

Apoiando Fabiana entre elas, as três saíram. Uma toalha de piquenique estava estendida ao lado da cabana. Havia frutas, e sucos. Elas hesitaram só por um momento, mas a sede e a fome falaram mais alto e elas atacaram a comida.

Se não fosse a situação em que se encontravam, o cenário seria lindo. A floresta era densa, poucos raios de sol passavam pela copa das árvores. Pássaros trinavam aqui e ali. Uma leve brisa afastava o calor. Era um dia perfeito.

Mais prática, Natália foi a primeira a acabar de comer. Tirou os sapatos de salto alto e saiu para dar uma volta. Retornou com o semblante sombrio.

– Só se vê árvores. Nem uma casa, nem uma pessoa, nada.

– Precisamos sair daqui logo, antes que ele volte – ponderou Aline.

– Ele planejou isso com antecedência. Vai nos achar, se quiser – Fabiana não estava nada animada.

– Mas temos que fazer alguma coisa. Não podemos ficar aqui paradas como vacas num abatedouro – Aline defendeu.

– Eu sei, mas temos que fazer algo que ele não pensaria que fizéssemos… começou Fabiana

E então elas ouviram um rugido. Não dava para saber se era de um tigre, um leão ou só de um gato gordo, mas era um rugido, no meio de uma floresta, então elas correram. E mais rugidos soaram, parecendo virem de todos os lados. Elas se embrenharam na floresta, em desabalada corrida.

Fabiana tropeçou numa raiz de árvore, caiu e ficou para trás. Aline e Natália se separaram mais a frente. E quando os rugidos pararam elas estavam sozinhas, perdidas no meio da floresta. Inapelavelmente, irremediavelmente e totalmente sozinhas.

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