As três belas e uma fera – parte5

Está quase no fim a saga de Aline, Fabiana e Natália. Amanhã o último capítulo será um pouco mais longo, porque senão eu teria que estender a série até domingo. Até lá então.

A boca de Aline estava seca e os lábios rachados. Mas ela se forçou a continuar. Estava ouvindo o som de água vindo de algum lugar. Ela tinha que encontra-la.

Quando encontrou o riacho ela rezou uma prece muda de agradecimento e bebeu com sofreguidão. Lavou os pés cansados na água gelada com um suspiro de prazer. Não tinha comida, tinha andado o dia inteiro, mas pelo menos tinha água. Estava anoitecendo, e agora sua preocupação era achar um lugar para dormir. Bebeu mais água para acalmar a fome e começou a procurar um lugar seguro.

Natália tinha cansado de gritar chamando as amigas, sem sucesso. A noite estava chegando, e ela estava com fome. Uma árvore mais grossa se destacava entre outras iguais. Foi até lá, era uma mangueira, carregada de frutos.

Sem cerimônia ela subiu na árvore e se serviu. Manchou todo o belo vestido vermelho, mas paciência. O problema da fome estava resolvido. E o de onde passar a noite também. A árvore tinha ramos grossos, dava para dormir encostada no tronco e a uma altura segura. Enquanto o sol se punha, Natália só torcia para que a noite não fosse muito gelada.

Fabiana aguardou um bom tempo escondida. Quando os rugidos passaram ela voltou pelo caminho que tinha vindo. Errou um pouco aqui e ali, mas achou a cabana. Nem sinal das suas amigas. Vasculhou o local e os arredores. Nada de pegadas de nenhum animal grande. Estranho, ela pensou. Aí ela olhou para cima e viu um pequeno alto falante no topo de uma das árvores.

Estava explicado. Era só uma gravação. Devia haver outros alto falantes na floresta. Ele tinha conseguido o seu intento: separa-las.

Ficou dividida entre sair para procurar as amigas e ficar. O sol estava se pondo. Era melhor ficar. Tinha abrigo e um pouco de comida ainda. Suas amigas talvez nem isso tivessem.

Quando acordou na manhã seguinte, Natália percebeu um envelope amarelo no pé da árvore. Abriu. Somente uma mensagem, com letras garrafais: “Siga para leste e encontre a água”. Ela detestou a idéia de estar sendo observada, mas era melhor obedecer. Se abasteceu de várias mangas e seguiu o Sol nascente.

Fabiana recebeu a mesma mensagem. Hesitou. Era tudo parte do plano. Mas ela não tinha muita escolha. A comida estava no fim, e a bebida tinha acabado. E ela também seguiu para o leste.

Enquanto isso, Aline tinha decidido seguir o riacho. Ele vai dar em algum lugar, pensou. Não tinha comida, mas a água aplacava um pouco a fome. Seguiu pela margem, gritando de vez em quando para chamar as amigas.

E uma hora alguém respondeu. Era Natália. As duas se abraçaram, e as mangas que ela trouxe saciaram a fome de Aline. Natália achou a ideia de seguir o rio boa, e elas prosseguiram com a esperança renovada.

Pelo fim da tarde, foi a vez de Fabiana aparecer. Agora o trio estava completo. A noite seria menos assustadora com as três juntas. Era o que elas pensavam, e foi o que aconteceu. E no dia seguinte, elas tiveram uma grande surpresa. Mais uma.

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