O primeiro dia

Ele acordou e se sentiu confuso. Estranhou a textura dos lençóis, o colchão, a decoração da quarto…aí ele se lembrou. Tinha se casado. Era o primeiro dia no seu novo apartamento.

Virou-se com um sorriso no rosto esperando encontrar a sua esposa, dormindo de bruços com a cara enfiada no travesseiro, como sempre. Mas só encontrou o vazio.

“Ela deve estar fazendo o meu café para trazer na cama” pensou ele. Apurou o ouvido, esperando ouvir os sons familiares vindo da cozinha que ela tinha tido o capricho de montar. Não ouviu nada.

“Será que ela saiu para comprar pão? A essa hora ? ” ele sabia que ela era maluca por pão, mas justo no primeiro dia? Resolveu esperar um pouco. Meia hora se passou e nada. Ele resolveu se levantar.

Grudado com fita adesiva no espelho do banheiro havia um bilhete. “Me encontre no lugar do primeiro beijo”.

Ah, então ela queria fazer um joguinho. Era uma maluca mesmo, aquela sua esposa. Fazer ele atravessar a cidade e ir até a rodoviária. Tudo bem, ele se vestiu e foi.

Tinha sido ali, defronte aquele mesmo portão que ele, nervoso e vindo de longe, a tinha beijado pela primeira vez. Lembrou até da cadeira onde ele estava sentado, e do coração batendo forte como um tambor. Ela não esta ali naquele momento. Talvez estivesse escondida esperando. Resolveu se sentar e entrar no jogo, fingindo estar despreocupado.

Uma criança se aproximou dali a instantes. Trazia uma bilhete que “uma moça bonita” tinha deixado para entregar para ele. “No lugar da primeira noite” era tudo que estava escrito no pedaço de papel.

Ah, então ela tinha ido para o hotel onde tinham passado a primeira noite juntos. Muito legal, mas ela podia ter contado os planos. Foi a pé mesmo, era ali perto, caminhando por aquela cidade fria que agora também era a dele.

Chegou na recepção e perguntou se havia uma reserva em nome da sua esposa. Não tinha. Nem no seu nome. Estranho. Onde ela estaria ?

Estava saindo confuso do hotel quando um entregador venho correndo e chamando seu nome. Havia um outro bilhete na sua mão.

“Onde passeamos pela primeira vez”. No shopping, ele bem se lembrava. Era ali perto também. Tinham ido passear, ele quisera comprar uma aliança e pedi-la em namoro ali mesmo, mas resolvera esperar. E tinham comido fast-food. Passou pelos corredores agora familiares. Observou a praça de alimentação de longe, esperando vê-la. Ela não estava lá.

Desceu até lá assim mesmo, na espera de outro bilhete, outra indicação. Qualquer coisa. Não havia nada. Onde aquela maluca tinha se metido ? Onde ela estaria?

Se sentou no mesmo fast-food da primeira vez, a espera dela. Uma atendente veio até ele. E graças aos céus ela tinha outro bilhete.

“Me encontre onde estiver o seu coração”. E então ele soube onde ela estava. E dirigiu a toda até lá.

E quando ele abriu a porta do quarto ela estava lá, esperando. E eles se amaram. E foi só o primeiro dia.

E no segundo dia ele abriu os olhos, virou para o lado e…

Ela estava lá, dormindo de bruços com a cara enfiada no travesseiro. E sorrindo.

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