Top 5: os melhores livros lidos em 2013

Pelo sexto ano seguido, a única tradição que sobrou neste blog está de volta: o tradicional post no primeiro dia do ano com o “top five” dos melhores livros lidos no ano anterior.

Algo me diz que este será o último ano que faço isso. Não vejo muito futuro para blogs genérico-pessoais em geral e nem neste em particular. A audiência caiu para níveis de 2007, quando o blog estreou, e ano passado foi o que menos postei.

Bem, que seja, tradição é tradição, então vamos à lista, sem nenhuma ordem específica, dos melhores livros lidos em 2013.

Feche Bem Os Olhos, de John Verdon

A – por enquanto, é bom frisar – trilogia do detetive David Gurney foi uma das surpresas do ano. Fazia tempo que não lia nada do gênero e me surpreendi positivamente.

Dos três, escolhi o segundo para integrar minha lista. O primeiro é bom, mas o assassino era óbvio. No terceiro o autor deixou o protagonista frágil demais e explorou em demasia o lado psicológico da trama, o que não é forte dele. O segundo me prendeu bem mais do que os outros, pois até quase o fim eu não fazia ideia de quem era o assassino. Para quem gosta de histórias de detetive, é um prato cheio.

De ruim, só a revisão da Editora Arqueiro. Encontrei pelo menos uma meia dúzia de “de mais” onde deveria haver “demais”. Nada que comprometa a história, a menos que você dê muita importância a isso. E que venham mais histórias de David Gurney, mas sem exagerar demais nos tiros que o pobre leva, né John Verdon ?

1889, de Laurentino Gomes

A trilogia sobre o século XIX de Laurentino Gomes foi fechada com chave de ouro. 1889 é um livro muito bom, e muito esclarecedor.

O sentimento que fica depois de ler o livro é que o Brasil é um país que foi feito na base do improviso, “nas coxas”. Afinal, Deodoro era monarquista até a véspera da proclamação da República, que aliás não foi proclamada por ele (você vai ter que ler o livro para saber). Assim como a independência, que Laurentino conta magistralmente em 1822, foi tudo feito às pressas, sem planejamento, por personagens improváveis e sem medir as consequências.

Destaque também para os capítulos sobre o injustiçado Benjamin Constant e o enigmático vira-casaca Floriano Peixoto, dois personagens importantíssimos da história, principalmente o primeiro, um professor de matemática revolucionário não é exatamente o que a gente vê todo dia por aí.

Se você gosta de saber mais sobre a história do Brasil, esse livro é imprescindível na sua prateleira ou no seu e-book reader favorito. Você vai entender muita coisa que acontece hoje em dia na política do nosso pobre país.

A prisão da fé, de Lawrence Wright

Cientologia, a religião da estrelas. Você já deve ter ouvido falar dela, já que grandes astros de Hollywood como John Travolta, Kirstie Alley, Lisa Marie Presley e Tom Cruise fazem parte da religião fundada por um escritor de ficção científica que dizia ter visitado o cinturão de Van Allen.

O livro reportagem de Lawrence Wright é o mais completo sobre essa estranha fé. Mostra em detalhes a controversa biografia do fundador da Cientologia, J. P. Hubbard, as suas principais crenças – pelo menos a parte que se tornou pública – as controversas ações da Cientologia, que chegou a espionar e sabotar o próprio governo americano (chupa essa manga, NSA!), até o envolvimento de grandes estrelas do cinema com ela e a influência que Tom Cruise tem hoje sobre o novo líder da religião.

O autor tenta ser o mais imparcial possível, e enche seu livro de notas de rodapé com desmentidos oficiais da Cientologia sobre pontos controversos da história. No fim, o leitor que tire suas próprias conclusões, o que é ótimo. É um catatau de quase 600 páginas, mas vale o tempo que você vai gastar lendo, vai por mim.

Ah, e um abraço para o agente da NSA que vai ler esse texto. Happy new year, my friend.

Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex

Revolta. Esse foi o sentimento depois que acabei de ler o excelente livro reportagem de Daniela Arbex. Como pode, em pleno século XX, um lugar como o manicômio de Barbacena ter existido ?

A revolta aumenta quando você sabe que desde de 1960, numa reportagem da revista Cruzeiro, a situação já havia sido denunciada, mas que a situação só foi começar a ser resolvida mais de 20 anos depois. O livro é recheado com fotos dessa reportagem, cedidas pelo próprio fotógrafo da revista na época. O pior é pensar que essa é só a história mais conhecida, e que algo semelhante pode – e deve – ter acontecido em outros lugares, e talvez até aconteça hoje ainda.

Apesar do conteúdo pesado, Daniela tenta não chocar muito o seu leitor, e o enfoque da parte final do livro são os poucos pacientes sobreviventes, que hoje vivem em casas de apoio, o que dá esperança que a humanidade ainda tenha jeito. De ruim, só a estrutura não linear e as vezes confusa do livro, que fica indo e voltando aos mesmos personagens, o que às vezes confunde. Mas isso não tira o brilho do livro. Imprescindível, na minha opinião.

Mentiras, de Michael Grant

Quando eu comecei a ler, por indicação do amigo Frank, a (por enquanto, por enquanto) quadrilogia (essa palavra existe?) Gone, eu não esperava grandes coisas, afinal a história parecia batida e o público alvo é o que se chama hoje de “teen” (eu preferia juvenil, mas vou parar com esses parênteses para não irritar mais ninguém).

O primeiro livro da série parecia confirmar o meu pessimismo (ou seria realismo ? Ok, vou parar com os parênteses), mas no segundo o autor deu uma boa melhorada na trama, que ficou mais complexa, até desaguar em Mentiras, o terceiro da série.

E Mentiras se tornou a surpresa literária do ano para mim. A história ficou bem mais complexa, novas questões foram levantadas, a vida dos jovens presos na redoma psíquica apelidada de LGAR vira um inferno, novos personagens aparecem. Todos os elementos para uma boa trama estão presentes, e o autor faz um arroz com feijão básico, mas bem temperado, que agrada.

Resta saber se ele não vai esticar demais a trama e estragar tudo, e que ele não seja tão lerdo quanto o George R. R. Martin para escrever. Sei que o quarto livro, que não encerra a série, já está publicado, vamos ver como ele se saiu.

Não espere grandes coisas dessa série, mas ela diverte, é isso que importa, não é mesmo?

—-

Então é isso. Feliz 2014 à meia dúzia de leitores que me sobrou. Vou tentar manter isso aqui atualizado, eu juro, mas não aguardem grandes coisas. Um abraço a todos.

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