Habemus Kobo ! Liberdade, ainda que tardia ?

Então eu comprei um Kobo. Mais especificamente, um Kobo Touch Glo, esse aí da foto abaixo, ao lado do meu primeiro e-reader, um palmtop Palm M100, com o qual eu lia ebooks em finais do século passado (eu adoro me referir ao século XX como século passado, vocês não ?)

M100_Kobo

Para quem começou com um palmtop a pilha (eu já contei essa história aqui no blog) ter um Kobo é um avanço e tanto. O hardware é excelente, a tecnologia e-ink é mesmo fantástica, a retro-iluminação é muito boa. Ler no Kobo é um prazer. Mas há alguns senões.

O principal é o software para desktop do Kobo, que é, na melhor da avaliações, simplista demais. Não há a possibilidade de criar coleções pelo software, por exemplo, e nem conversão de pdf para epub através dele. Para melhor uso é necessário instalar o Calibre, que reconheceu o meu Kobo de primeiro e funciona bem melhor, apesar de ter um problema exatamente oposto – ele tem funções demais.

O Kobo é vendido como um leitor “universal” que, ao contrário do seu concorrente Kindle, permite ler em qualquer formato. Isso é uma meia verdade. Sim, ele lê pdf sem DRM. Sim, ele também lê pdf com DRM, mas mais uma vez o software do Kobo não ajuda e e necessário instalar o Adobe Digital Editions. E sim, ele permite ler o formato proprietário da Amazon, mas é necessário converte-lo através do Calibre, numa operação que exige também instalar o sofware da Amazon, um plugin para quebrar o DRM, o sacrifício de uma virgem na lua cheia e que sua CPU esteja alinhada com Jerusalém.

Em resumo, você pode ler qualquer coisa no Kobo, mas dá trabalho. Um usuário “comum” vai acabar preso no formato epub e comprando só da Livraria Cultura, parceira da Rakuten aqui no Brasil. Mas o maior golpe nessa suposta “liberdade” que o Kobo te dá vem de outro lugar. Vem do Mercado (assim mesmo, em maiúsculas).

Não importa qual leitor de ebook você tenha. Os preços dos ebooks no Brasil são tabelados. Duvida ? Então veja o resultado de três pesquisas com livros que eu quero ler – só comprei o último, se alguém quiser me dar os outros de presente – nas quatro lojas de ebooks brasileiras:

Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios

Saraiva 29,45 – Kobo 27,50 – Amazon 27,50 – Gato Sabido 27,50

 Diálogos Impossíveis

Saraiva 21,76 – Kobo 21,76 – Amazon 21,76 – Gato Sabido 21,76

 O Menino da mala

Saraiva 18,91 – Kobo 19,90 – Amazon 18,90 – Gato Sabido 18,91

Resumindo o resumo: para um usuário “comum” que não quer, ou não sabe, ficar instalando outros softwares, que não conhece fontes “alternativas” de download de livros, pouco importa se ele tem um Kindle ou um Kobo. Ele vai ficar preso à respectiva loja. E, no caso das lojas “independentes” – Saraiva e Gato Sabido, aqui no Brasil – elas poderiam tentar atrair leitores do Kobo, mas os preços são os mesmos e você ainda tem o trabalho extra de instalar o Adobe Digital Editions. Por 99 centavos a menos, até eu preferi comprar na Livraria Cultura mesmo, tendo menos trabalho.

Ter um Kobo é bom ? Sim, eu recomendo! Ebooks são o futuro, e eu mesmo já me rendi – pela primeira vez esse ano li mais ebooks do que livros físicos, e a diferença vai aumentar. O hardware é excelente. O manuseio é fácil, a bateria dura bastante. Mas esqueça esse papo de liberdade. Isso não te pertence.

E agora eu vou ali terminar de ler, que eu estou aflito para saber se a Sigita vai reencontrar o filho dela. Em breve aqui no blog o comentário de O menino da mala. Inté mais ver!

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5 comentários sobre “Habemus Kobo ! Liberdade, ainda que tardia ?

  1. ganhei meu kindle no Natal e tb tô encantada. antes disso eu já lia ebooks no Aldiko, no celular, e tb tenho Calibre instalado no computador, mas usava mais para pesquisa. o Kindle realmente é mto mais confortável de ler do que o celular, é claro, pela luz, pela tela, enfim, porque é feito pra isso. o sistema de compra tb é mega fácil, mas é claro q estou presa na Amazon, sei disso (por isso ainda conto com meu Aldiko no celular para formatos epub). de todo modo, na Amazon consigo descolar promoções excelentes de livros em inglês, difíceis de achar em pt (ou apenas difíceis de achar Belém), o q acaba compensando o preço tabelado em pt, eu acho. frete para Belém é caro, e não temos muuuitas livrarias aqui, então o ebook é uma saída excelente!

  2. Bem interessante, e muito bem escrito essa sua análise do Kobo. A parte do sacrifício e de alinhar o Kobo com Jerusalém foram as cerejas do post! Rindo muito aqui e com o dedo nervoso para compartilhar!

    Eu leio quase tudo no iPad. Quando não tem na iBook Store, nem na Amazon (dá pra instalar o kindle no iPad) e nem na Cultura (Kobo no iPad) aí eu tenta na Saraiva, que tem o e-reader dela (também no iPad), ou então parto para o livro físico mesmo (última escolha). O resultado é que tenho uma biblioteca e tanto no iPad, e cada vez pego mais um… Já me perguntaram aqui se não era melhor eu ler primeiro os que já peguei, para depois comprar outros… bom, sim, é. Ah, tá. Vou pensar no assunto, rsrsrs!

    Só para constar, o livro físico é o Taxitramas, do Mauro Castro.

    Mas fora o vício com livros e com séries (dvd), realmente, os e-books estão cada vez mais tomando conta do mercado literário. Até porque fica bem mais fácil lançar um e-book pela amazon do que lançar uma versão física do mesmo no mercado, não é?

    Mais uma vez, parabéns pelo texto. Boas leituras! 🙂

  3. também comprei meu Kobinho, e uso o Calibre para abastecer o bichinho e converter arquivos para epub. Não recomendo ler (ou tentar) pdfs no Kobo, temos que rolar a tela pra lá e pra cá ou tentar usar uma lupa, a não ser que o pdf tenha sido formatado com página do tamanho da tela do aparelho.
    Já li vários livros nele, e o conforto é bem maior que na tela do computador. Mas ainda acho que os e-books estão muito caros, entre comprar um e-book em inglês por 10 dólares e um pocket ou paperback por 7 ou 8 dólares no Book Depository, vou no livro de papel mesmo.

  4. Eu tenho um Positivo Alfa há 2 anos. Comparado aos modernos, é um modelo já obsoleto. Gosto muito dele pelo fato de não ter backlight, que para mim deixa a leitura mais confortável; outro fator positivo é a bateria, que dura muito. Eu confesso que nunca comprei um e-book porque acho os preços indecentes. Custam apenas 20% menos, em média, que os livros de papel. Isso é ridículo. Até agora, li arquivos “compartilhados”. Faço as conversões pelo Calibre, sem muito segredo. No fim do ano passado ganhei um Ipad Mini, que é um gadget sensacional para internet, mas complicado quando se fala em transferir arquivos, fora que a bateria dura bem menos e tem luz de fundo. Sou feliz com o meu e-reader, espero que explore bastante o seu.

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