Diário de um triste – dia 6

Quando aparecem as rachaduras, o espelho já se quebrou, só não sabe disso

Tem muitas coisas das quais eu não gosto.

Muitas. Encheriam vários livros. Uma enciclopédia inteira, talvez.

Uma das que eu desgosto mais é encontrar alguém como eu.

Porque eu não gosto de me ver no espelho.

Toda vez que eu vejo alguém como eu, sinto vontade de pegar a pessoa pelos ombros, a sacudir e dizer o quanto eu sei como ela está se sentido. Que eu entendo. Que eu sei.

Que eu sou como ela.

O que sai geralmente é alguma frase gaguejada, algum clichê. Ou nem isso.

Ou só um olhar.

E ali, por um átimo, duas pupilas se encontram.

Uma delas vai estar mais triste um segundo depois. A minha.

Eu sou triste. E esse é o sexto dia do meu diário. Só falta um dia.

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