Lido: A menina mais fria de Coldtown

Eu sou do tipo de pessoa que acha que deve experimentar as coisas para julgar se elas são boas ou não. Imbuído (adoro essa palavra, vocês não ?) deste espírito, resolvi ir audaciosamente até onde nunca tinha ido e ler um livro do (sub- ?)gênero “sobrenatural teen”.

Claro que eu não comecei com Crepúsculo, que é droga pesada demais para um novato ,que é um clássico do (sub-?)gênero. Resolvi encarar um lançamento recente, “A menina mais fria de Coldtown“, de Holly Black.

coldtownPonto positivo para a capa. Alias, já faz um tempo que estão caprichando nas capas aqui no Brasil.

Mas o que mais me agradou foi que o universo criado pela autora faz sentido. Eu acho isso muito importante. A forma com a autora torna o vampirismo uma infecção que pode ser curada antes da transformação definitiva, a glamorização dos vampiros, a existência das “coldtowns” – guetos onde os vampiros são aprisionados – a forma com a epidemia se espalhou, a reação dos vampiros “old school”, tudo isso está bem amarrado e faz sentido.

Some a isso uma protagonista feminina forte, um misterioso vampiro, um garoto infectado, mas ainda não transformado e um massacre logo nos primeiros capítulos e você tem a impressão de que terá um bom livro em mãos.

Infelizmente, fica só na impressão. E daqui para frente haverá alguns (poucos) spoilers. Você foi avisado, não reclame.

O que estraga tudo é…romance. Uma história que poderia ser puro terror, altas aventuras e uma galerinha da pesada (modo Sessão da Tarde ativado) é estragado por romance. Por descrições melosas de beijos e dúvidas existenciais (ou não existenciais, afinal um vampiro é um morto-vivo). E é claro que a protagonista vai se apaixonar pelo vampiro, e claro que o amor deles é impossível porque ela (ainda) é humana. E é claro que tudo vai dar certo no final.

Eu acho que perdi essa fase da evolução humana, esqueceram de me mandar um email. Para mim, vampiros são assustadores. Como em Drácula, por exemplo. Mas pelo visto muita coisa mudou desde que John Polidori publicou “O Vampiro” em 1819. Agora vampiros são “cool”. Vampiros centenários se apaixonam por garotas de 17 anos que eles acabaram de conhecer. Estranho mundo novo.

Mas, divago. Voltando à história, ela não é ruim. Faz sentido, tem umas partes bem interessantes, mas, com o material que a autora tinha em mãos, dava para fazer uma história menos melosa e mais assustadora. Um final mais dramático e menos “foram felizes para sempre” também seria bom.

Enfim, é um livro razoável. Não pretendo voltar ao (sub-?)gênero “sobrenatural teen”, mas se você tem menos de 21 anos, ou é fã de Crepúsculo, ou ambos, você tem boas chances de gostar. Vai fundo, e não me chama.

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