A Bíblia tem mesmo razão ?

Em 1955 o jornalista alemão Werner Keller lançou o livro “Und die Bibel hat doch recht”, traduzido em português como “…e a Bíblia tinha razão”. A intenção do autor era mostrar que pesquisas arqueológicas mostravam a verdade história mostrada nos livros da Bíblia e que eventos como a migração de Abraão, o êxodo, a conquista de Canaã por Josué, o reino de Davi e Salomão, o cisma que se seguiu, a destruição do reino idólatra de Israel eram verdades históricas.

O livro fez um grande sucesso, e é vendido até hoje, tendo sido atualizado, mesmo após a morte do autor, com novas descobertas arqueológicas. Até que em 2001 os arqueólogos Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman lançaram “The Bible Unearthed”, que algum editor gênio aqui no Brasil resolveu intitular de “A Bíblia não tinha razão”. A intenção dos autores era provar justamente o oposto: que os fatos históricos contidos na Bíblia eram, na sua maior parte, lendas e ficção compiladas e amarradas como uma história coerente que mostrasse a superioridade do culto a Jeová, na época do reinado de Josias, rei de Judá (a metade sul do reino israelita depois da divisão ocorrida quando Salomão morreu, e que supostamente se manteve a maior parte do tempo leal aos desígnios de Jeová) no século VII a.C.

Depois de pelo menos 25 anos estudando história bíblica, e depois de ter lido recentemente “A Bíblia não tinha razão” – procurei esse livro por muitos anos, mas só se acha em sebos ultimamente – eu creio estar capacitado para responder à pergunta que dá titulo a este post: afinal, a Bíblia tem mesmo razão ? E a resposta é (que rufem os tambores!): depende de para quem você pergunta.

Apesar de  Finkelstein e Silberman argumentarem, não sem razão, que a maioria dos arqueólogos hoje apoiam as idéias que eles compilaram em seu livro, eles mesmo apontam que não há consenso. E é normal em ciência que não haja consenso. Até hoje há quem não acredite que o HIV não é a causa principal da AIDS (a famosa hipótese Duesberg), por exemplo.

Se você lê lado a lado os dois livros – coisa que eu fiz – você repara que muitas vezes o mesmo achado arqueológico é interpretado de formas diferentes pelos grupos “a favor” ou “contra” da historicidade bíblica. Há dezenas de exemplos. Vou citar apenas um, já que esse texto corre o grande risco de ficar grande demais.

Megido foi uma fortaleza importante antes mesmo dos israelitas aparecerem na história. Pertenceu a caananitas, egípcios, assírios, babilônios, israelitas, romanos, bizantinos, muçulmanos e cruzados em pelo menos 3000 anos de história. É tão importante que uma das interpretações do Apocalipse (há mais interpretações do Apocalipse do que posts nesse blog, e olha que são mais de 500 posts nesse blog) diz que a batalha do Armagedom, em que Jesus derrotará definitivamente o Anticristo, vai acontecer lá.

Porque Megido é importante para a história bíblica? Por causa desse texto da Bíblia:

Salomão possuía cavalariças para quatro mil cavalos de carros e doze mil cavalgaduras para cavaleiros, que ele colocou nas cidades onde estavam abrigados seus carros assim como em Jerusalém, perto de si. (2 Crônicas, 9:25)

Umas das cidades fortificadas por Salomão, sabemos por outro trecho do livro dos Reis, foi Megido. E, adivinhem o que encontraram em Megido ? Sim, estábulos. Aí estão eles:

Tell_Megiddo_Preservation_2009_037Há pelo menos três interpretações para esses estábulos: há quem, como Keller, que defenda que eles foram construídos sob o reinado de Salomão, como está na Bíblia. Isso provaria que houve um reino unificado, que começou com Saul, passou para Davi e depois para Salomão, antes de ser dividido em dois no reinado do filho dele.

Para Finkelstein e Silberman, os estábulos são mais recentes. Ou são de Omri, no começo do reino do Sul, ou de Menaém, quando este reino era uma potência militar que tentou fazer frente à Assíria.  Para eles essa evidência, junto com outros sítios arqueológicos, provam que não existiu um reino unificado sob Davi e Salomão, e que o reino do Sul (Israel) foi muito mais poderoso e desenvolvido que o reino do Norte (Judá) até pelo menos o século VII a.C.

Há ainda, e esses são a minoria da minoria, quem ache que esses estábulos não são estábulos, são depósitos de grãos, e os chochos que foram encontrados eram para os jumentos que carregavam as cargas até os armazéns.

Agora pegue o exemplo de Megido e transporte para dezenas, quiçá centenas de sítios arqueológicos. Simplesmente não há consenso. Amanhã ou depois uma nova descoberta pode “virar o jogo” para qualquer um dos lados. Poderia até dizer que a resposta para a pergunta que dá título a este post poderia ser também: nós não sabemos.

Uma pergunta que sempre me fizeram quando sabiam que eu estudava esse assunto era: é importante que a Bíblia tenha razão ?

Para quem tem fé, não. Fé não se baseia em fatos. Mas há algo chamado geopolítica, e nesse ponto interessa muito que a Bíblia tenha razão.

Desde que o nacionalismo judaico, ou sionismo, se você preferir, se iniciou, em fins do século XIX, o objetivo sempre foi a volta dos judeus à terra de Israel. É a terra que foi dada a eles pelo próprio Jeová, na promessa à Abraão. E que até hoje ainda impulsiona alguns judeus no sentido de não aceitar a presença palestina na “terra santa”, afinal a terra é deles, não só por direito histórico, mas por direito divino.

Um dia saberemos se a Bíblia tem razão ? Provavelmente, a menos que inventem uma máquina do tempo, o que parecer ser impossível, não. Mas podemos procurar pela resposta, o que já é bem esclarecedor. Afinal, o que importa é a jornada, e não o destino, correto, pequenos gafanhotos ?

1978, o ano com três Papas

Capela Sistina, Vaticano, 26 de agosto de 1978. Cento e onze cardeais estavam reunidos para a quarta votação do conclave que elegeria o sucessor do Papa Paulo VI. Na terceira votação, realizada pouco depois das quatro da tarde, Albino Luciani, patriarca de Veneza, estava na frente, para a surpresa de muitos, inclusive dele mesmo.

Luciani foi a para a quarta votação do dia sabendo que provavelmente seria Papa. Votou mais uma vez no mesmo candidato: Aloiso Lorscheider, o cardeal brasileiro. Quando o resultado foi anunciado, pouco depois das seis da tarde, Luciani estava eleito. Ele pensou em recusar o cargo. O relato que David Yalop fez do momento em seu livro “Em nome de Deus” é preciso:

Quando o resultado final foi anunciado, houve uma explosão de aplausos entre os presentes. Eram 6:05 da tarde. (…) As portas da Capela Sistina se abriram e diversos Mestres de Cerimônia entraram, acompanhando o Camerlengo Villot. Encaminharam-se para o lugar em que Albino Luciani sentava. Villot disse:

– Aceita a sua eleição canônica para Supremo Pontífice?

Todos os olhos estavam fixados em Luciani. O Cardeal Giappi descreveu para mim aquele momento.

– Ele sentava três filas atrás de mim. Mesmo depois de sua eleição, ainda hesitava. O Cardeal Villot formulou a indagação e ele continuou a hesitar. Os Cardeais Willebrands e Riberio estavam visivelmente encorajando-o.

Luciani finalmente respondeu:

– Que Deus os perdoe pelo que fizeram comigo. – Após uma pausa, acrescentou: – Aceito.

– Por que nome deseja ser chamado? – perguntou Villot.

Luciani tomou a hesitar. Depois, sorriu pela primeira vez e disse:

– João Paulo I.

Em 16 de outubro do mesmo ano, os cardeais estavam novamente reunidos. João Paulo I, o “Papa Sorriso” tinha ficado somente um mês no Trono de Pedro. Morreu provavelmente assassinado, a mando de alguém com interesses que ele ia atrapalhar: ou alguém da Loja Maçonica italiana ilegal chamada P2, ou por setores ligados ao Banco Ambrosiano, que estava sob investigação da justiça italiana por desvio de dinheiro – o caso estouraria em 1982 – ou o polêmico cardeal estadunidense John Cody, que seria removido por ele. A verdade nunca saberemos, pois quase todos os envolvidos estão mortos. O único ainda vivo é o ex-banqueiro Licio Gelli, que tem mais de 90 anos e está em prisão domiciliar.

Foi dessa forma indigna que 1978 se tornou “o ano com três papas”. Aloisio Lorscheider, o cardeal brasileiro, nunca foi eleito Papa, mas teve a honra de ser escolhido por dois deles: assim como Luciani, Karol Wojtyła também votou nele no conclave em que foi eleito.

A eleição de João Paulo II foi ainda mais surpreendente do que a do seu antecessor. Mas o papa polonês tem uma mancha no seu belo currículo: não colocou em prática os planos de Luciani de promover uma devassa no Banco Ambrosiano, afastar o seu diretor, o bispo Paul Marcinkus, remover o cardeal Cody, que estava notoriamente desviando dinheiro da igreja para uma “sobrinha” com quem teria um relacionamento amoroso e nem afastou da igreja os membros envolvidos com a loja maçônica P2. David Yalop vai ainda mais longe e diz que João Paulo II usou esquemas ilegais arquitetados por Marcinkus para enviar dinheiro para o sindicato Solidariedade na Polônia. Apesar de nunca provada, a informação faz sentido, pois o Papa defendeu Markinus quando o Banco Ambrosiano finalmente quebrou, em 1982, se recusando a entrega-lo para a justiça italiana.

A expectativa dos cardeais que elegeram Luciani era que seu papado fosse longo, pois ele era jovem. O desejo deles se realizou com Wojtyła, que teve um dos papados mais longos e agitados da história. Apesar de ser um papa que marcou o seu tempo, muita gente acha que se João Paulo I tivesse vivido mais, hoje as coisas seriam muito diferentes na Igreja Católica. Infelizmente, nunca saberemos.

A menina e a Guerra Fria

Samantha Smith era uma garota estadunidense de dez anos em novembro de 1982 quando ela escreveu uma carta. Não uma carta qualquer. Uma carta para o Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética, Iuri Andropov, o homem que mandava na super-potência na época. A carta era bem simples:

Prezado Sr. Andropov,
Meu nome é Samantha Smith. Tenho dez anos de idade. Parabéns pelo seu novo emprego. Eu estou preocupada sobre a Rússia e os Estados Unidos estarem se preparando para iniciarem uma guerra nuclear. O senhor votará para que haja uma guerra ou não? Se não, por favor diga-me como o senhor vai ajudar a não haver uma guerra. O senhor não precisa responder esta pergunta, mas eu gostaria de saber por que o senhor quer conquistar o mundo ou pelo menos nosso país. Deus fez o mundo para nós vivermos juntos em paz e não para brigarmos.
Sinceramente,
Samantha Smith

O Ocidente havia ficado nervoso com a eleição de Andropov, tido como linha dura. Havia o risco de uma guerra nuclear e a Guerra Fria pairava no ar. Samantha acompanhava o noticiário e perguntou para a mãe se estavam todos com dúvidas sobre o que Andropov ia fazer, porque alguém não perguntava ? A mãe dela disse então, porque você não o faz ? Então ela fez. Simples assim. Ah, a simplicidade das crianças…

A carta de Samantha foi publicada no jornal soviético Pravda e então o inimaginável aconteceu: ela recebeu uma resposta de Andropov. Nela, o líder soviético garantia que os trabalhadores do país queriam a paz e que ele era a favor da redução das armas nucleares. E, o mais importante para a nossa história, convidou Samantha para conhecer o país.

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Samantha com a carta de Andropov

E ela foi. De 07 a 22 de julho de 1983 Samantha esteve na União Soviética. Conheceu Moscou, Leningrado e falou por telefone com Andropov, que estava doente e não quis se expor assim na imprensa. Ela passou a maior parte do tempo num acampamento para jovens na cidade de Artek, onde fez amizades e conheceu os costumes russos.

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Samantha no acampamento de jovens soviético

De volta para casa, Samantha foi nomeada “a mais jovem embaixadora da América” e “embaixadora da boa vontade”. Sua visita repercutiu no mundo inteiro e foi bem recebida pela opinião publica estadunidense. Ela foi convidada para uma conferência de paz no Japão, onde sugeriu que os líderes da URSS e Estados Unidos deviam enviar suas netas em intercâmbio entre os dois países pois “ninguém gostaria de atacar o país que sua neta está visitando”. Também escreveu um livro sobre a sua viagem.

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O livro escrito por Samantha

Com a fama conseguida, ela investiu na carreira artística. Participou de um filme no Disney Channel, entrevistou candidatos a presidente para a TV e co-estrelou o seriado Lime Street (Agente de Alto Risco no Brasil).

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Com os atores de Lime Street

Tudo ia bem até que no dia 25 de agosto de 1985 Samantha e seu pai morreram num acidente aéreo quando voltavam para casa. Imediatamente falou-se em conspiração soviética para matar a garota, mas as investigações concluíram que a inexperiência dos pilotos e a forte chuva fizeram com que o pequeno avião que ela estava se acidentasse.

A morte de Samantha causou comoção tanto nos EUA como na URSS. O embaixador soviético nos Estados Unidos participou em pessoa do seu funeral, onde leu uma carta do mandatário da época, Mikhail Gorbachev. O país também lançou um selo comemorativo em sua homenagem. Nos Estados Unidos, o estado de Maine, onde ela nasceu, determinou que a primeira segunda-feira de junho seja o dia de Samantha Smith. Uma estátua sua foi colocada ao lado da biblioteca da capital. Sua mãe criou uma fundação para estimular o intercâmbio de jovens entre os Estados Unidos e a URSS, mas depois da dissolução do gigante soviético a fundação parou de funcionar.

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O selo soviético em homenagem à Samantha

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Na estátua, Samantha solta uma pomba, tendo aos pés um filhote de urso, símbolo tanto da URSS como do estado do Maine

A morte de Samantha também inspirou os soviéticos a criarem sua própria versão da garota pacifista. A escolhida foi Katya Licheva, que visitou os Estados Unidos em 1986 e estrelou vários filmes soviéticos para crianças. Pouco antes do fim da URSS sua mãe consegiu uma bolsa de estudos na França, onde mais tarde Katya se formaria em Economia. Hoje ela está de volta a seu país e faz parte da diretoria da fabricante de automóveis russos AutoVaz. Ela raramente dá entrevistas e não gosta de aparecer na imprensa. Será que teria acontecido o mesmo com Samantha ? Infelizmente, nunca saberemos.

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Katya Licheva, a "resposta soviética" à Samantha

Aventuras de um leitor de ebook pobre

Hoje em dia os ebooks estão na moda. Dizem até que a toda poderosa Amazon vende mais ebooks do que livros “físicos”. Até eu, humílimo autor, tenho um dos meus livros disponível para venda em formato de ebook. É, os tempos mudaram.
Mas não mudaram agora. Já nos últimos anos do século passado existiam ebooks. Geralmente eram somente clássicos da literatura com direitos autorais já vencidos ou autores independentes como L.P. Baçan e suas histórias de terror, que pediam doações através de conta bancária para quem gostasse dos seus livros.
Apesar de preferir até hoje um “livro físico” eu acompanhei essa época de perto e me tornei um leitor regular de ebooks. Consegui com o tempo algumas centenas de ebooks, que fiz questão de converter para .pdf. Esse post conta a história de como foi a minha procura pelo leitor de ebooks perfeito sem gastar muito. Os tempos mudaram, mas não para a minha conta bancária…

No início eram os palmtops
Se você não sabe, os palmtops são os avós dos smartphones atuais. No começo desse século, quando eu decidi que não deveria mais ler ebooks no computador se não quisesse ficar cego antes da hora, um palmtop era a única alternativa viável. Minha primeira experiência foi com um Palm M100 de segunda mão.

Um dia eu e meu Palm M100 iremos para um museu

Ler com o Palm M100 era uma aventura. Primeiro, porque ele não lia .pdfs. Havia um programa de conversão para o formato de texto que o palmtop aceitava (.pdb) mas ele só convertia .docs ou .txts. Resultado: eu tinha que copiar/colar o conteúdo do ebook no Word, salvar, converter e depois ler. Um trabalhão.
Outro problema era bateria. Porque o Palm M100 não tinha bateria. Ele usava pilhas. E toda vez que elas acabavam era necessário sincronizar o palmtop com o PC para os arquivos voltarem, uma operação que demorava vários minutos. Mas a tela, apesar de não ser colorida, era boa para leitura, parecida com o que o Kindle é hoje, e me serviu por um bom tempo, até que seus escassos 2 MB de memória ficaram pouco e procurei outra alternativa.
Parti para um Palm Zire 31. Processador seis vez mais rápido, tela colorida, leitor de áudio, sistema operacional mais atualizado, agora não era mais preciso fazer conversões malucas, pois havia uma versão do Adobe Reader para ele. Mas ainda era necessário usar um programa no PC para transferir os arquivos para o palmtop. Fora isso, ele tinha uma bateria recarregavel (um grande avanço para mim) a tela tinha melhor resolução e tinha oito vezes mais memória, além de aceitar cartões SD. Foi o leitor de ebooks improvisado que usei por mais tempo, mas um dia ele foi para o céu dos palmtops, onde os smartphones não entram, e eu tive que aderir aos “telefones espertos”.

Sinto sua falta, Zire 31.


O smartphone de vida breve

Como eu sempre gostei de coisas alternativas (e baratas) escolhi um smartphone com o Windows Mobile. Um HTC Touch Viva rodando a versão 6.1 do falecido sistema operacional móvel da Microsoft com uma interface própria da fabricante por cima. As vantagens sobre o palmtop eram muitas: mais rápido, tela com resolução maior, com melhor ajustes de brilho, e nada de precisar usar um programa para transferir os .pdfs, era só plugar no PC e copiar os arquivos para o cartão micro-sd. Infelizmente, o Adobe Reader presente no aparelho não tinha um recurso básico: bookmarks. Quem me salvou foi um software livre, o Pocket X-Pdf, que contava com o recurso e ainda era mais rápido que o programa da Adobe. Nem nos smartphones a Microsoft consegue se ver livre os subversivos do software de código aberto, coitada.

Bonito, e ainda faz ligações !

Apesar do smartphone estar me servindo bem para a tarefa de ler ebooks (e ainda fazia ligações, vejam só !) senti necessidade de uma tela maior. Talvez seja a idade chegando. Ou não.

Experiência frustrada com netbook
Achei que as dez polegadas de um netbook fariam bem para a minha visão e investi num desses pequenos notebooks, um modelo popular da Philco sobre o qual já contei minhas peripécias em busca do sistema operacional perfeito neste outro post. Mas, apesar de todo o esforço, não me adaptei a ler no netbook. Há muitas distrações, a internet esta a um clique de mouse, e o próprio formato do netbook não ajuda na tarefa. Li pouquíssima coisa com meu valente Philco, e acabei relegando o pobre para a tarefa menos nobre de tuitar enquanto assisto TV, que é o mais novo esporte nacional.

O epílogo (até agora): um tablet

Não tinha mais como escapar, tinha que comprar um tablet. O escolhido mais uma vez foi um modelo popular, um Powerpack NET IP110, rodando o Android 2.2.

Funciona, mas dá trabalho

Como tablet, o Powerpack é decepcionante. A tela é resistiva, ou seja, ainda precisa da canetinha, não há acesso ao Android Market, e a memória RAM insuficiente não permite carregar muitos programas ao mesmo tempo. Mas como leitor de ebooks ele vai bem, desde que você ultrapasse algumas dificuldades.
A primeira é que não há acesso ao cartão micro-sd, nem à memória principal do tablet, através do PC. Ou seja, não dá para copiar arquivos para ele. A alternativa que eu encontrei foi enviar a partir do PC os .pdfs para algum serviço de armazenamento de arquivos e baixar de lá para o tablet. No meu caso, usei o 4shared, porque eles tem um bom aplicativo para Android que facilita baixar os ebooks.
O segundo passo é achar um leitor decente. O que vem com o Powerpack é eficiente, mas pesado demais. A alternativa open source consegue ser mais lenta ainda. Tive que me render ao excelente, mas pago, EzPDF Reader, não teve jeito.
Por fim, a bateria não ajuda muito a fazer leituras longas. Mas desabilitar o wifi e os serviços que rodam em segundo plano  ajudam bastante nesse quesito, e a duração da bateria fica até aceitável, entre duas a três horas.
Superados esses percalços, a leitura no tablet é infinitamente melhor do que no celular ou nos antigos palms. A tela maior com certeza faz muita diferença, e o EzPDF é rápido na transição de páginas mesmo num tablet sem muita memória como o meu. Não há efeitos bonitinhos de transição de página como nos Ipads, mas não fazem falta. É mais leve e com formato melhor do que o netbook para leituras. Por enquanto é minha opção favorita, alternando com o smartphone quando estou em filas ou salas de espera.

E o futuro ?
Se você pensou num tablet “de verdade”, esqueça. A relação custo-benefício não compensaria. Daqui alguns anos haverá pico-projetores que projetarão o livro em 3D na parede e vamos poder ler com óculos especiais, como se estivéssemos com a cara enfiada no livro. Ou eu comprarei um Positivo Alpha, que é o mais provável. Quem viver, lerá.

Epitáfio para um cão

Lord Byron tinha um cachorro. Não só um cachorro, mas ele também teve um texugo, um urso, um crocodilo e uma águia. Mas ele era um gênio, então ele podia, né ?

Mas o que nos interessa para esse post é que Lord Byron tinha um cachorro, um terra-nova misturado com husky chamado Boatswain. Os dois eram inseparáveis, mas um dia o ativo cão foi mordido por um cachorro com raiva e contraiu a doença. Byron ficou arrasado, mas cuidou pessoalmente do seu amigo, mesmo correndo o risco de ser mordido.

Boatswain

Boatswain em um quadro na antiga propriedade de Byron

Boatswain morreu, e seu dono acho que ele deveria ser lembrando pelas gerações futuras. Byron mandou construir para ele um monumento em sua propriedade. E, o mais importante, escreveu um poema, “Epitáfio para um cão” considerado uma obra prima (tradução que eu peguei daqui, porque meus escassos conhecimentos da língua da terra da rainha não me permitem traduzi-lo eu mesmo):

Perto daqui
Estão depositados os despojos daquele
Que possuía Beleza sem Vaidade,
Força sem Insolência,
Coragem sem Ferocidade,
E todas as virtudes do Homem sem seus Vícios.
Este elogio, que seria uma Adulação sem sentido
Se escrito fosse sobre Cinzas humanas,
É somente um justo tributo à Memória de
BOATSWAIN, um CÃO
Que nasceu em Newfoundland em maio de 1803,
E morreu em Newstead, em 18 de novembro de 1808.

Quando um orgulhoso Filho do Homem retorna à terra
Desconhecido pela Glória mas sustentado pelo Berço,
A arte do escultor exaure a pompa do infortúnio,
E urnas ornadas registram aquele que descansa abaixo:
Quando tudo está terminado, sobre a Tumba é visto
Não o que ele foi, mas o que deveria ter sido.
Mas o pobre Cão, na vida o mais fiel amigo,
O primeiro a dar boas vindas, na dianteira para defender,
Cujo coração honesto é do próprio Dono,
Que trabalha, luta, vive, respira somente por ele
Sem honra se vai, despercebido seu valor,
Negada no Paraíso a Alma que tinha na terra;
Enquanto o homem, fútil inseto! tem a esperança de ser perdoado,
E reivindica para si só exclusividade no Paraíso!
Oh, homem! frágil, breve inquilino
Rebaixado pela escravidão, ou corrompido pelo poder,
Quem te conheces bem, deve rejeitar-te com desgosto,
Massa degradada de poeira viva!
Teu amor é luxúria, tua amizade inteira ilusão
Tua língua hipocrisia, teu coração decepção.
Por natureza mau, dignificado apenas pelo nome,
Cada irmão selvagem pode fazer-te corar de vergonha.
Vós! que, por ventura, contemplais esta Urna simples
Ficais sabendo, não homenageia ninguém que desejais prantear,
Para marcar os despojos de um Amigo estas pedras se levantam;
Nunca conheci nenhum, exceto um único — e aqui ele descansa.

boatswain_monument

Monumento em homenagem a Boatswain

Byron teria outros cães durante sua vida. Quando morreu, lutando pela independência da Grécia, tinha ao seu lado outro terra nova, Lyon e um buldogue italiano chamado Moretto. Quando fizeram uma estátua de Byron no Hide Park, com mármore enviado pelos gregos,a sua companhia não poderia ter sido outra que não Boatswain:

Estatua Byron

Byron foi imortalizado ao lado do seu amigo

E você ? Já abraçou seu cachorro hoje ?

Duelo literário: Alencar vs Nabuco

Rio de Janeiro, final de 1875. Dois grandes personagens das letras brasileiras estão com um duelo marcado. O campo de batalha será as páginas do jornal “O Globo”. Vamos acompanhar esse embate histórico.

De um lado, o campeão de vendas de sua época, deputado, ex-ministro da Justiça, dramaturgo e advogado, José de Alencar, já doente e quase no fim da vida (morreria menos de dois anos depois). Do lado do desafiante, o então imberbe Joaquim Nabuco, recém chegado da Europa e com somente um livro de poesias em francês publicado.

A guerra foi declarada por causa de um artigo de Nabuco sobre a peça “O jesuíta” que tinha sido escrita por Alencar vinte anos antes mas só encenada em setembro de 1875. A peça foi um fracasso de público, e Alencar jogou a culpa na população que não sabia apreciar uma boa obra e falou até em um imaginário boicote maçom à sua obra. Nabuco escreveu sobre a peça em “O Globo” e, apesar de elogiá-la, não deixou de alfinetar Alencar ao dizer que talvez a obra tivesse que ter sido “modernizada” antes de subir ao palco.

Alencar não gostou. Ele era um mala polemista notório. No começo da carreira sua primeira grande polêmica foi criticar abertamente Gonçalves de Magalhães e sua obra “A Confederação dos Tamoios” o que rendeu até intervenções do próprio imperador Dom Pedro II, que escreveu anonimamente aos jornais para defender o amigo. Dessa vez, Alencar provaria do próprio veneno e deixaria de ser pedra para se tornar vidraça.

Com a resposta ruim de Alencar a sua crítica, Nabuco decidiu declarar guerra aberta à ele. Apesar de elogia-lo, declarou aos leitores que em artigos futuros iria analisar toda a obra do escritor. Alencar ficou fulo da vida. Escreveu ao jornal dizendo que não via “autoridade intelectual” em Nabuco para analisar a sua obra. E conseguiu convencer O Globo a lhe dar um espaço para responder semanalmente às criticas recebidas. A guerra ia começar.

Nabuco começou bem light. Criticou as primeiras colunas de Alencar aos jornais, chamando-as de “salada insossa”. E criticou também os neologismos de Alencar e suas citações freqüentes de vocábulos indígenas em suas obras. “Sempre me pareceu um esforço mal compensado esse que emprega o sr. José de Alencar para formar uma língua que só pode ser falada por ele e por um ou outro índio do Amazonas” disparou ele. Alencar respondeu desqualificando o adversário: “No meio de tão grande acervo de palavras, as idéias são raras, quase imperceptíveis. Fora preciso ao espírito, para ocupar-se desses átomos, o mesmo esforço que faria um homem a esgrimir de lança em riste com um mosquito” escreveu ele.

Nas semanas seguintes Nabuco resolveu pegar mais pesado. Criticou pesadamente a obra prima de Alencar, “O guarani”. Disse que era um plágio dos romances indigenistas de Chateaubriand. Ataca também os personagens, tidos como superficiais e ingênuos. E volta a criticar a forma como Alencar escrevia. Para ele, o velho escritor se preocupava mais com a sonoridade das frases do que com o seu conteúdo. Criticou ainda o teatro de Alencar, e o chamou de incoerente por em suas peças supostamente defender a abolição da escravatura e como deputado ter sido contra a Lei do Ventre Livre. E ainda reclamou do “sensualismo torpe” de outro sucesso de Alencar no teatro, a peça “As asas de um anjo”.

Alencar, que até então tinha levado a disputa em banho maria, resolveu engrossar o tom. Lembrou a Nabuco que ele havia crescido num país de escravos, e que tinha uma família ilustre servida por escravos, e que se a escravidão a aborrecia, que pedisse ao pai (que era senador) que a abolisse imediatamente. Partiu também para a ironia, chamando Nabuco de “pudico” por ter criticado a sensualidade de suas peças de teatro. “Que atrozes convulsões não sofreria o sr. Nabuco lendo então o “Édipo” ? pilheriou Alencar.

A disputa esquentou. Nabuco atacou de novo com a acusação de plágio ao dizer que “Lucíola” era uma imitação barata de “A dama das camélias”. Criticou mais uma vez a sensualidade da obra de Alencar, escrevendo que “esse romance só deve ser lido nas casas de tolerância”. Alencar partiu para o humor de novo. “Qualquer destes próximos domingos o nosso beato folhetinista começa o artigo fazendo o pelo sinal” escreveu ele. Depois, falou sério e escreveu que Nabuco estava fazendo uma análise muito simplória das suas obras.

Nabuco não gostou. Partiu para o ataque de novo criticando as repetições freqüentes nas obras de Alencar. “As mulheres do sr. Alencar estão sempre a colear o talhe flexível ou a críspa-lo. Dir-se-ia que todas sofrem de doenças nervosas desconhecidas” atacou ele. Reclamou também da expressão “lábios túrgidos”: “Todas as suas heroínas tem os lábios inchados, o que também não é um traço fino” reclamou ele. Alencar reclamou que o oponente estava apelando. “Mais uma semana, o folhetinista domingueiro ficará reduzido a dois leitores, ele e eu: ele, por devoção; eu, por obrigação.” escreveu ele. E deu um ultimato ao jovem Nabuco: ou eleva o tom das críticas ou vou te deixar falando sozinho.

Aí chegamos no momento decisivo dessa contenda. Nabuco se encheu de brios e atacou Alencar de frente. “A minha opinião é que o sr. José de Alencar teve a mais decisiva e também a mais funesta influência sobre o desenvolvimento intelectual do nosso país” disse ele no artigo seguinte, em que atacava mais uma vez a forma como Alencar escrevia e dizia que o velho escritor tinha tentado, sem sucesso, criar uma literatura e uma língua totalmente desvinculadas da portuguesa. “Os nossos tempos são de esterilidade, de mediocridade. Virão talvez dias mais brilhantes, eu creio que hão de vir” profetizou Nabuco, já prevendo o fim do Romantismo para breve.

Alencar acusou o golpe. Sua resposta não foi a altura. Nabuco então pôs a pá de cal na disputa, que já durava dois meses, ao atacar o oportunismo de Alencar no campo da política. Alencar chegou a responder escrevendo que “política estava acostumado a discutir com seu pai” que era senador do império, mas por algum motivo desconhecido ele não chegou a enviar o texto ao jornal. Ele só foi encontrado depois de sua morte entre seus papéis. E Nabuco venceu a disputa por WO.

Mais do que uma disputa entre dois egos, o embate Alencar vs Nabuco foi uma disputa entre dois sistemas literários. O Romantismo, do qual Alencar foi o grande nome, estava morrendo, assim como o escritor. Menos de dois anos depois da disputa, Alencar morreria. Logo em seguida o Realismo/Naturalismo entrariam “na moda”, com a publicação de “O Mulato” e de “Memórias póstumas de Brás Cubas” em 1881. Nabuco estava certo. Novos dias chegaram, e Alencar só não foi esquecido completamente nos anos seguintes porque era amigo de Machado de Assis, que o elevou a patrono de uma das cadeiras da recém-fundada Academia Brasileira de Letras. Da própria cadeira ocupada por ele, inclusive.

Se você gostou desse pequeno e imperfeito resumo da disputa Alencar vs Nabuco, sugiro a leitura da biografia de José de Alencar, “O inimigo do rei”, do jornalista Lira Neto, que foi a minha fonte primária para escrever esse texto. Imperdível se você gosta de uma boa biografia.

Os segredos perdidos da Arca Sagrada – parte II

Se você quiser entender este post, é imprescindível, obrigatório e altamente recomendável que você leia a primeira parte antes. Você foi avisado. Obrigado.

Bem, se você acha tudo o que foi descrito na primeira parte desse post é improvável, você não viu nada, meu caro leitor. Como vimos, para Gardner, a Arca foi escondida em  nos subterrâneos do Templo construído por Salomão e somente um grupo de homens sabia da sua localização. A Arca teria ficado escondida lá até 1119, quando os templários a encontraram, graças a dicas de seus guardiões.

Agora, pense comigo. Durante 1600 anos, mais ou menos, um grupo de pessoas conseguiu guardar um segredo desse tamanho, sem que ele se perdesse. Contando com uma geração a cada 25 anos, como é habitual, seriam necessárias 64 gerações guardando o mesmo segredo, sem falhas. E mais: porque os guardiões, supostamente zelosos israelitas, não revelaram o segredo antes ? A região passou por muitos “perrengues” nesses mil e seiscentos anos. Teve a rebelião dos Macabeus, os levantes contra os romanos em 70 e 135 dC. Porque o segredo não foi revelado e o poder da arca usada nesses episódios ? Como eles sabiam que o paradeiro da arca deveria ser revelado só aos Templários ?

Gardner nem passa perto de explicar sobre essas questões. Ele reafirma a ladainha que os Templários só se tornaram poderosos porque encontraram a Arca da Aliança. Para o pessoal que acredita na história que Maria Madalena era esposa de Jesus, os templários ficaram poderosos porque descobriram esse segredo. Parece que esses escritores de livros polêmicos não chegam a um acordo sobre o que, afinal, os templários encontraram, se é que eles encontraram alguma coisa.

Curiosamente, nenhum deles parece disposto a estudar a história dos Templários. Se fizessem isso, veriam que a ordem não se tornou poderosa da noite para o dia, tendo que “ralar” muito antes de se estabelecer como uma ordem poderosa. Eles também saberiam que São Bernardo, que foi o maior incentivador da nova ordem, tinha sido cavalheiro na juventude e que tinha todos os motivos do mundo para apoiar uma ordem de cavalaria no estilo dos templários, não precisaria nem de arca nem de Maria Madalena para isso. E o que São Bernardo apoiasse ia para frente, já que ele era um excelente administrador. Tirou a Ordem Cisterciense da quase “falência” para uma das ordens mais poderosas do seu tempo, e isso antes que existissem Templários e todo o resto. A história pode ser tão simples, para que complicar, né ?

Mas Gardner gosta de complicar. Para ele, os Templários encontraram a Arca, levaram para a França (porque sempre a França ?) e passaram a utiliza-la para conseguir poder e riqueza no seio da cristandade. Aí ele mistura as bolas ao dizer que a Cruzada Albingense – onde nasceu a Inquisição – foi uma tentativa do poder de Roma de tomar a Arca, quando na verdade o inimigo eram os cátaros. O fato de não haver registro dos templários nessa cruzada não quer dizer nada para ele. Então passemos à frente.

Chegamos agora ao fim da linha. Todo mundo sabe que os Templários foram extintos em 1312 porque um rei da França devia uma grana para eles. Para Gardner, o verdadeiro motivo da perseguição aos Templários foi conseguir a Arca. Porque demoraram 200 anos para fazer isso ele não explica. Mas então a arca se perdeu, ou está nas mãos da Igreja Católica, certo ? Errado. A arca está na Catedral de Chartres, na França. Não escondida lá, mas a vista de todo mundo. É que ela está invisível. Ou, melhor dizendo, está em outra dimensão.

Sim, meu caro leitor, Gardner já começa errado ao afirmar que a construção da Catedral de Chartres tem algo a ver com os Templários, o que é algo polêmico, para dizer o mínimo. Depois ele afirma que o labirinto que existe na catedral na verdade fazia parte de um sistema, junto com uma bacia de cobre e um teto de ouro (que, convenientemente, não existem mais) que permitiu a “energização” da arca, que começou a “vibrar em outra freqüência” e foi para outra dimensão.

Eu não vou entrar no mérito se existem ou não outras dimensões e se é possível “viajar” entre elas, já que eu não sou físico e a teoria é complexa. Mas Gardner adora citar teorias que ele não entende, como supercordas e afins. Ele só não explica porque os templários “sumiram” com a Arca e não a esconderam, afinal os tempos mudam, a Igreja muda, e a tal Arca já tinha ficado escondida por 1600 anos, porque não ser escondida de novo ? Só para que nós não tenhamos nenhuma prova para refutar a teoria dele, é o que eu diria.

O resto do livro esbarra nas teorias da conspiração ao dizer que o súbito interesse pelo ouro depois da descoberta dos ORME é prova dos poderes curativos desse material – nas palavras de Gardner, ele teria o poder de “relaxar as hélices do DNA, reparando-as” – e que a Maçonaria sabe de toda a história da Arca Sagrada desde o início, além de fazer a clássica – e errada – conexão entre a Maçonaria e os Templários. Nada novo, e nada provado, como quase tudo o que ele escreve, é claro.

Em resumo, o livro é mais uma daquelas viagens na maionese. O problema é que ele pode enganar os menos atentos. A obra tem muitas citações, o que parece depor a favor da sua credibilidade, mas quando você vai analisar, são os mesmos escritores de sempre – o Zecharia Sitchin, o von Daniken, até para o Werner Keller sobrou. Ou seja, sempre o mesmo grupinho que defende teorias sem comprovação e que serve de fonte um para o outro. Então, a menos que você queira se irritar, fique longe desse livro e das teorias malucas que ele propõe.