Desculpe o transtorno, mas…

…eu tenho que falar de você.

Você não foi meu primeiro amor. Não foi minha primeira paixão.

Mas foi minha primeira namorada. Meu primeiro beijo em público. Meu primeiro andar de mãos dadas.

O amor chegou tarde em minha vida. Por onde você andava, enquanto eu te procurava ?

Não tivemos uma história bonita para contar. Nos conhecemos pela internet, como muitos outros. A primeira vez que nos encontramos foi numa rodoviária, abarrotada de gente. E ainda tomamos uma bronca por estávamos atravancando o caminho !

Comemoramos aniversário de relacionamento em Habbibs. Não fizemos filme juntos. Nem sequer fomos ao cinema uma única vez. Sempre adiávamos. Haveria tempo.

Não houve. Terminamos. Eu morri um pouquinho naquele dia.

Foi sem glamour. Foi sem história bonita. Não foi igual aprendemos com nossos pais.

Mas foi intenso. Foi bom. Enquanto durou.

O que eu te dei foi pouco, foi quase nada. O que você me deu foi muito.

Você me deu lembranças.

Não deu para plantar você aqui no meu quintal.

Acontece.

Obrigado por tudo.

Eu tive um futuro promissor ?

“Eu tive um futuro promissor” era uma das comunidades mais legais do falecido Orkut (saudades imensas !). Eu estava lá porque…bem, porque acharam que eu tinha um futuro promissor. Estavam errados, é claro, mas eu não culpo quem pensou isso. Eu enganei todos direitinho. E foi sem querer – ou pelo menos, inconscientemente.

O fato é que depois que aprendi a ler eu adquiri uma verdadeira adoração pela palavra escrita. Parte da culpa disso é dos meus pais, que eram – ainda são – leitores vorazes. Junte a isso uma biblioteca escolar bem abastecida e sempre acessível e o “estrago” estava feito.

Daí que aos sete, oito anos eu lia muito mais do que qualquer criança da minha idade. As consequências foram óbvias: melhorei meu vocabulário e minha escrita. Fazia sucesso nas redações da época. E é claro que as minhas gentis professoras acharam que isso era um sinal de inteligência. Não era. Eu só lia bastante e era curioso.

Aí chegou a temida quinta série, quando teríamos aulas com vários professores e eu adicionei mais uma arma ao meu arsenal. Spoilers. Sim, spoilers. Eu lia os livros escolares assim que os recebia, no começo do ano. Não entendia tudo, é claro, mas conseguia captar alguma coisa (a memória sempre foi boa), o que me levava a fazer perguntas sagazes durante as aulas. Pronto, mais um falso sinal de inteligência.

Os anos foram se passando e mais um item se juntou aos outros: confiança. Depois de anos ouvindo de seus professores, pais e colegas que você é inteligente, você acaba se convencendo disso. E aí eu ia para as provas, principalmente a de professores mais exigentes, sem medo ou ansiedade. Enquanto meus colegas se descabelavam,eu ia sereno e tranquilo. Isso, é claro, fazia toda a diferença.

A última cartada nessa comédia de erros foi um pouco de engenharia social, apesar de na época eu nem saber que isso existia. Eu tinha facilidade para perceber o que fazer para agradar os professores. O de Ciências, por exemplo, gostava de piadas, não reclamava que interrompesse as aulas dele e as provas eram fáceis – se você desse uma resposta que fosse vagamente correta, ele já considerava certa. Estava doido para aprovar todo mundo sem esforço.

Já o professor de História era rígido e exigente, principalmente com datas. Aí não tinha jeito, era decoreba mesmo. Suas aulas expositivas eram ótimas, bastava prestar atenção nelas que você saia na frente. E se você fosse fazer uma pergunta, que fosse inteligente, caso contrário ele te fuzilava com os olhos.

Então foi assim que alguém sem nenhum talento especial a não ser curiosidade, uma memória um pouco acima do razoável e gostar de ler passou pelo ensino fundamental com fama de super inteligente. Depois o “mundo lá fora” me mostrou que as coisas não eram bem assim, mas isso é assunto para outro dia. Ou não.

Invejas

Tem uma coisa que eu invejo muito nas outras pessoas. Quer dizer, há milhares de coisas que eu invejo nas outras pessoas. São tantas que daria para encher a memória do meu Kobo (Kindle é muito mainstream para mim) e ainda faltaria espaço. Mas, para fins desse texto, vou me fixar em uma única coisa.

Eu invejo pessoas que sabem distinguir gêneros musicais. Sou péssimo nisso. Esses dias mesmo comecei a ouvir uma banda que jurava ser indie. Até que me disseram que na verdade era folk. Comparei com Belle and Sebastian, que pelo menos todo mundo concorda que é indie. Para mim são muito parecidos, e não faço a mínima ideia do que seja folk ou que bandas são folk, ou de onde surgiu o folk.

Mas chique mesmo é saber distinguir os gêneros do jazz. Esse é um nível que eu nunca atingirei, nem que reencarnação exista (não existe). É só começar a tocar o saxofone e o sujeito já sabe na hora se é hard bop ou cool jaz. Não que eu goste muito de jazz, mas não espalhe isso por aí. Alguém com a fama de ser “tão inteligente”  como eu (só a fama, garanto) tem que gostar de coisas como jazz, ópera e autores russos mortos (ainda bem que não os vivos).

O fato é que na cesta genética que eu recebi veio muito pobre em recursos musicais. Se tem uma coisa que meus parentes, amigos e conhecidos concordam é que eu sou a pessoa menos capacitada neste planeta brega na borda oriental da galáxia para cantar uma canção. E eles estão certos. Canto todas as músicas no mesmo ritmo – o errado, é claro.

A minha completa inabilidade musical é o meu segundo não-talento mais evidente – o primeiro é a minha total e absoluta inadequação social, que as pessoas percebem de longe. Isso não me impede, é claro, de estar só de cuecas cantarolando Zeca Baleiro enquanto escrevo esse texto (calma alma minha, calminha, você tem muito o que aprender !).

Durma com essa imagem na sua mente agora. De nada. 🙂

 

 

Fiquei obsoleto ! E agora ?

Eu fiquei obsoleto.

De todas as coisas que me aconteceram desde que o médico bateu na minha bunda e disse “está vivo, é um menino” (foi um parto de emergência) essa foi com certeza uma das mais surpreendentes.

Achei que nunca ficaria obsoleto. Trabalhando com TI (só um jeito mais esnobe de dizer que trabalho com informática) e tendo sempre contato com jovens, achei que permaneceria sempre atual. Ledo engano.

Havia, é claro, muitos sinais disso, mas eu não soube ver. Esse blog, por exemplo, é um deles.

Sou de uma geração que se acostumou a adquirir e transmitir conhecimento através da palavra escrita. Por exemplo, quando algum professor nos tempos de escola queria complementar alguma matéria, ele não passava um vídeo, ou um gráfico. Ele passava mais xerox da mesma matéria.

Na verdade, na minha época de escola ainda não tinham inventado o xerox e a gente usava pergaminhos escritos à mão com tinta extraída de moluscos, à luz de velas de sebo (as de óleo de baleia eram caras) mas não posso entregar a minha idade assim tão fácil.

Então, cresci na era da palavra escrita, mas essa era acabou. A era dos blogs pessoais acabou. Ou talvez não tenha acabado e os blogs involuam e voltem a ser o que eram no início, diários virtuais. Esse blog mesmo está virando isso.

Agora o que está atual são os vídeos, os vlogs, os youtubers. Tentei entrar na onda fazendo uns vídeos no meu outro blog sobre política local, mas não deu certo, não levo jeito, falo rápido demais, etc, etc. Ou seja, fiquei obsoleto.

Claro que esse é um exemplo, há outros, como eu não saber para que serve afinal o Snapchat, não conhecer nenhuma banda/cantor/cantora/dupla musical que tenha surgindo a menos de dez anos ou o fato de usar tecnologia antiga no meu trabalho (em TI, tecnologia antiga é aquela com mais de cinco anos).

OK, estou obsoleto. O que eu faço agora ?

Se uma coisa fica obsoleta, você joga num fundo de gaveta, manda para o lixo ou vende pelo Mercado Livre (outro sinal da minha obsolescência, a moda agora é OLX). E quando uma pessoa fica obsoleta, o que fazemos com ela ?

Geralmente os obsoletos são os mais velhos, os idosos. Esses são mandados para os depósitos de gente chamados asilos. Mas eu fiquei obsoleto cedo demais, não posso ir para um asilo.

E agora, José ? (Citando Drummond, eu tiro meu atestado definitivo de obsolescência).

O outono da alma

Quando chega o outono da alma, você desacelera. Em parte porque você está cansado e cada subida se transforma num Everest. E em parte porque você aprendeu que devagar se vai longe.

Quando chega o outono da alma, você esfria. Porque o fogo da primavera não pode durar para sempre. Porque o seu idealismo não mudou o mundo como você esperava. Porque você não se importa mais.

Quando chega o outono da alma, você sente dor. Um dia no pé, outro dia no ombro, outro dia em partes do corpo que você nem sabia que existia. Seus anos pesam, todos eles.

Quando chega o outono da alma, você ri dos erros dos mais jovens. Porque você cometeu os mesmos erros quando foi a sua vez. E você percebe que as pessoas são mais previsíveis do que você pensava, e que você nem é nem nunca foi especial.

Quando chega o outono da alma, você se torna sábio. E descobre que o mundo não liga para o que você sabe, nem para a experiência que você acumulou. Você poderia ajudar muitos, mas ninguém te ouve.

Quando chega o outono da alma, você perde a fé na humanidade. Porque você percebe que evolução contínua é um mito, e que para cada dois passos adiante são dados um e meio para trás.

Quando chega o outono da alma, você se anestesia. Porque você já viu tanta coisa ruim, no atacado e no particular, que nada mais te espanta ou te comove. Porque você já esse filme antes, muitas e muitas vezes, até enjoar.

Quando chega o outono da alma, você torce para os dias passarem rápido, para que você saia dessa névoa imprecisa e embarque de vez nos derradeiros dias do inverno.

Quando chega o outono da alma, você quase não aguenta mais, mas sabe que ainda tem alguns quilômetros pela frente. E que cada metro, cada centímetro, cada milímetro, será sofrido.

Quando chega o outono da alma, você quer que ele acabe o mais rápido possível.

Porque você não aguenta mais.

Aventuras de um leitor de ebook pobre

Hoje em dia os ebooks estão na moda. Dizem até que a toda poderosa Amazon vende mais ebooks do que livros “físicos”. Até eu, humílimo autor, tenho um dos meus livros disponível para venda em formato de ebook. É, os tempos mudaram.
Mas não mudaram agora. Já nos últimos anos do século passado existiam ebooks. Geralmente eram somente clássicos da literatura com direitos autorais já vencidos ou autores independentes como L.P. Baçan e suas histórias de terror, que pediam doações através de conta bancária para quem gostasse dos seus livros.
Apesar de preferir até hoje um “livro físico” eu acompanhei essa época de perto e me tornei um leitor regular de ebooks. Consegui com o tempo algumas centenas de ebooks, que fiz questão de converter para .pdf. Esse post conta a história de como foi a minha procura pelo leitor de ebooks perfeito sem gastar muito. Os tempos mudaram, mas não para a minha conta bancária…

No início eram os palmtops
Se você não sabe, os palmtops são os avós dos smartphones atuais. No começo desse século, quando eu decidi que não deveria mais ler ebooks no computador se não quisesse ficar cego antes da hora, um palmtop era a única alternativa viável. Minha primeira experiência foi com um Palm M100 de segunda mão.

Um dia eu e meu Palm M100 iremos para um museu

Ler com o Palm M100 era uma aventura. Primeiro, porque ele não lia .pdfs. Havia um programa de conversão para o formato de texto que o palmtop aceitava (.pdb) mas ele só convertia .docs ou .txts. Resultado: eu tinha que copiar/colar o conteúdo do ebook no Word, salvar, converter e depois ler. Um trabalhão.
Outro problema era bateria. Porque o Palm M100 não tinha bateria. Ele usava pilhas. E toda vez que elas acabavam era necessário sincronizar o palmtop com o PC para os arquivos voltarem, uma operação que demorava vários minutos. Mas a tela, apesar de não ser colorida, era boa para leitura, parecida com o que o Kindle é hoje, e me serviu por um bom tempo, até que seus escassos 2 MB de memória ficaram pouco e procurei outra alternativa.
Parti para um Palm Zire 31. Processador seis vez mais rápido, tela colorida, leitor de áudio, sistema operacional mais atualizado, agora não era mais preciso fazer conversões malucas, pois havia uma versão do Adobe Reader para ele. Mas ainda era necessário usar um programa no PC para transferir os arquivos para o palmtop. Fora isso, ele tinha uma bateria recarregavel (um grande avanço para mim) a tela tinha melhor resolução e tinha oito vezes mais memória, além de aceitar cartões SD. Foi o leitor de ebooks improvisado que usei por mais tempo, mas um dia ele foi para o céu dos palmtops, onde os smartphones não entram, e eu tive que aderir aos “telefones espertos”.

Sinto sua falta, Zire 31.


O smartphone de vida breve

Como eu sempre gostei de coisas alternativas (e baratas) escolhi um smartphone com o Windows Mobile. Um HTC Touch Viva rodando a versão 6.1 do falecido sistema operacional móvel da Microsoft com uma interface própria da fabricante por cima. As vantagens sobre o palmtop eram muitas: mais rápido, tela com resolução maior, com melhor ajustes de brilho, e nada de precisar usar um programa para transferir os .pdfs, era só plugar no PC e copiar os arquivos para o cartão micro-sd. Infelizmente, o Adobe Reader presente no aparelho não tinha um recurso básico: bookmarks. Quem me salvou foi um software livre, o Pocket X-Pdf, que contava com o recurso e ainda era mais rápido que o programa da Adobe. Nem nos smartphones a Microsoft consegue se ver livre os subversivos do software de código aberto, coitada.

Bonito, e ainda faz ligações !

Apesar do smartphone estar me servindo bem para a tarefa de ler ebooks (e ainda fazia ligações, vejam só !) senti necessidade de uma tela maior. Talvez seja a idade chegando. Ou não.

Experiência frustrada com netbook
Achei que as dez polegadas de um netbook fariam bem para a minha visão e investi num desses pequenos notebooks, um modelo popular da Philco sobre o qual já contei minhas peripécias em busca do sistema operacional perfeito neste outro post. Mas, apesar de todo o esforço, não me adaptei a ler no netbook. Há muitas distrações, a internet esta a um clique de mouse, e o próprio formato do netbook não ajuda na tarefa. Li pouquíssima coisa com meu valente Philco, e acabei relegando o pobre para a tarefa menos nobre de tuitar enquanto assisto TV, que é o mais novo esporte nacional.

O epílogo (até agora): um tablet

Não tinha mais como escapar, tinha que comprar um tablet. O escolhido mais uma vez foi um modelo popular, um Powerpack NET IP110, rodando o Android 2.2.

Funciona, mas dá trabalho

Como tablet, o Powerpack é decepcionante. A tela é resistiva, ou seja, ainda precisa da canetinha, não há acesso ao Android Market, e a memória RAM insuficiente não permite carregar muitos programas ao mesmo tempo. Mas como leitor de ebooks ele vai bem, desde que você ultrapasse algumas dificuldades.
A primeira é que não há acesso ao cartão micro-sd, nem à memória principal do tablet, através do PC. Ou seja, não dá para copiar arquivos para ele. A alternativa que eu encontrei foi enviar a partir do PC os .pdfs para algum serviço de armazenamento de arquivos e baixar de lá para o tablet. No meu caso, usei o 4shared, porque eles tem um bom aplicativo para Android que facilita baixar os ebooks.
O segundo passo é achar um leitor decente. O que vem com o Powerpack é eficiente, mas pesado demais. A alternativa open source consegue ser mais lenta ainda. Tive que me render ao excelente, mas pago, EzPDF Reader, não teve jeito.
Por fim, a bateria não ajuda muito a fazer leituras longas. Mas desabilitar o wifi e os serviços que rodam em segundo plano  ajudam bastante nesse quesito, e a duração da bateria fica até aceitável, entre duas a três horas.
Superados esses percalços, a leitura no tablet é infinitamente melhor do que no celular ou nos antigos palms. A tela maior com certeza faz muita diferença, e o EzPDF é rápido na transição de páginas mesmo num tablet sem muita memória como o meu. Não há efeitos bonitinhos de transição de página como nos Ipads, mas não fazem falta. É mais leve e com formato melhor do que o netbook para leituras. Por enquanto é minha opção favorita, alternando com o smartphone quando estou em filas ou salas de espera.

E o futuro ?
Se você pensou num tablet “de verdade”, esqueça. A relação custo-benefício não compensaria. Daqui alguns anos haverá pico-projetores que projetarão o livro em 3D na parede e vamos poder ler com óculos especiais, como se estivéssemos com a cara enfiada no livro. Ou eu comprarei um Positivo Alpha, que é o mais provável. Quem viver, lerá.

O pior webmail do mundo ?

Há muito, muito tempo atrás, mais precisamente no século passado, ainda não existia o Gmail. É difícil de acreditar, mas nem o Google existia. Você pode até duvidar que existiu uma internet sem o Google, mas eu estive lá e posso confirmar: é verdade.

Nessa época primeva, quando ainda dependíamos de dispositivos barulhentos e lentos chamados modens para se conectar à Internet, eu queria um novo endereço de email. Eu tinha um, do meu provedor, e desconfiava, com razão, que um dia ia troca-lo. Eu tinha também um email no Yahoo, mas esse eu usava para listas de discussão e não queria criar outro no mesmo local para não criar confusão.

Antes de continuar essa história, é preciso explicar alguns comportamentos daquela época estranha, com gente esquisita. Naqueles tempos, quando não havia redes sociais, listas de discussão pareciam uma boa ideia. Você se cadastrava, mandava uma mensagem para o email da lista e todos que faziam parte dela recebiam. Genial. Havia listas para praticamente tudo, de hardware a shibari. No auge, no começo deste século, eu chequei a fazer parte de umas dez, e recebia cerca de mil emails por dia. É sério, eu tenho testemunhas confiáveis para provar.

Outra coisa que pode parecer esquisita hoje em dia é que a interface web do email não contava muito. Todo mundo baixava os emails para o PC usando geralmente o Outlook Express, que vinha no Windows. Eu tinha passado dessa fase e usava o excelente e minimalista Pegasus Mail, que pouco tempo depois trocaria pelo Eudora Mail, o único software que eu tenho saudades. Hoje pode parecer loucura depender de um PC para ver seus emails, mas na época não havia internet em todos os lugares, smartphones e nem wi-fi, então não fazia diferença.

Um parêntese dentro do parêntese: o criador do Eudora, Steve Dorner, acabou de se recuperar de um câncer. Ele contou a sua experiência num blog criado para isso. Recomendo a leitura. Está em inglês, mas nada que o Google tradutor não resolva.

Então, não fazia muita diferença a interface do webmail. O tamanho da caixa de entrada para mim não era tão importante, eu recebia muitos emails mas acessava todos os dias. Aqui no Brasil o Zipmail e o BOL, que eram as duas opções que eu tinha, davam entre 5 e 10 MB (megabytes, não gigabytes) de espaço e estava de bom tamanho.

Mas eu sempre gostei de coisas alternativas e fuça daqui e dali achei um email gratuito dos Correios. Achei legal, dava 15 MB de espaço, fui lá e fiz uma conta para mim. Usei por um bom tempo como email pessoal, até o surgimento do Gmail. Quando o email do Google passou a receber mensagens também de outras contas eu configurei esse e o email do Yahoo para serem baixados pelo Gmail e o adotei como meu email padrão.

Mas email é igual ex-mulher, você nunca consegue se livrar totalmente dele. Desgraçadamente, eu usei esse email do Correios.net para fazer meu cadastro num conhecido site de compras com nome de meio de locomoção sub-aquático e que hoje anda afundando (trocadilho péssimo, eu sei). Esses dias fiz a loucura de comprar umas coisas lá, e o email de confirmação não chegou no Gmail. Será que tinha parado no anti-spam do Correios.net ? Nunca tinha acontecido isso, mas fui lá verificar.

Pela primeira vez em seis ou sete anos estava eu lá no site dos Correios.net. A hora que eu loguei (esse verbo não existe, eu sei) uma surpresa: a interface está igualzinha a do final do século passado. Só aumentaram a capacidade do email para estonteantes 100 MB, um décimo do que o Google oferecia em 2004.

Os problemas já começam no login. Você digita o email, ele abre outra janela para digitar a senha. (?) Uma vez logado, nada de tecnologias modernas, tipo arrastar-e-soltar. Cada email clicado abre numa nova janela (!), o antispam “duplo” é uma piada de mal gosto que não tem filtro adaptativo, a criação de filtros consegue ser pior do que no Yahoo, que já é fraquíssima. Dá a impressão que abandonaram o servidor de email dos Correios em alguma sala obscura e esqueceram ele lá, sem atualização, por uns 10 anos, no mínimo. Qualquer dia desses algum faxineiro chega lá e puxa a tomada e eu fico sem email. Melhor que escrever, vou dar imagens para vocês. Preparem-se, são fortes.

correios1

A moderníssima caixa de entrada

correios2

Lista de contatos se chama "Livro de endereços pessoal". Vejam quantas opções.

correios3

A fantástica tela para compor emails. Não dá nem para colocar negrito.

Depois de ver tudo isso, mudei rapidinho o meu cadastro no site subaquático de vendas. Se a interface está desatualizada assim, imagina a segurança. O que é uma pena. Na sua época, essa interface não deixava nada a dever para o BOL, por exemplo, mas não investiram em modernização. Se fala tanto em inclusão digital, e o Correios.net perde uma grande chance de popularizar seu email usando a força da marca Correios. Uma pena.

PS: Alguém aí já teve ou ainda tem um email @correios.net.br ? Se tiver se identifique nos comentários, nunca achei mais ninguém que tivesse um desses além de mim.