A Bíblia tem mesmo razão ?

Em 1955 o jornalista alemão Werner Keller lançou o livro “Und die Bibel hat doch recht”, traduzido em português como “…e a Bíblia tinha razão”. A intenção do autor era mostrar que pesquisas arqueológicas mostravam a verdade história mostrada nos livros da Bíblia e que eventos como a migração de Abraão, o êxodo, a conquista de Canaã por Josué, o reino de Davi e Salomão, o cisma que se seguiu, a destruição do reino idólatra de Israel eram verdades históricas.

O livro fez um grande sucesso, e é vendido até hoje, tendo sido atualizado, mesmo após a morte do autor, com novas descobertas arqueológicas. Até que em 2001 os arqueólogos Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman lançaram “The Bible Unearthed”, que algum editor gênio aqui no Brasil resolveu intitular de “A Bíblia não tinha razão”. A intenção dos autores era provar justamente o oposto: que os fatos históricos contidos na Bíblia eram, na sua maior parte, lendas e ficção compiladas e amarradas como uma história coerente que mostrasse a superioridade do culto a Jeová, na época do reinado de Josias, rei de Judá (a metade sul do reino israelita depois da divisão ocorrida quando Salomão morreu, e que supostamente se manteve a maior parte do tempo leal aos desígnios de Jeová) no século VII a.C.

Depois de pelo menos 25 anos estudando história bíblica, e depois de ter lido recentemente “A Bíblia não tinha razão” – procurei esse livro por muitos anos, mas só se acha em sebos ultimamente – eu creio estar capacitado para responder à pergunta que dá titulo a este post: afinal, a Bíblia tem mesmo razão ? E a resposta é (que rufem os tambores!): depende de para quem você pergunta.

Apesar de  Finkelstein e Silberman argumentarem, não sem razão, que a maioria dos arqueólogos hoje apoiam as idéias que eles compilaram em seu livro, eles mesmo apontam que não há consenso. E é normal em ciência que não haja consenso. Até hoje há quem não acredite que o HIV não é a causa principal da AIDS (a famosa hipótese Duesberg), por exemplo.

Se você lê lado a lado os dois livros – coisa que eu fiz – você repara que muitas vezes o mesmo achado arqueológico é interpretado de formas diferentes pelos grupos “a favor” ou “contra” da historicidade bíblica. Há dezenas de exemplos. Vou citar apenas um, já que esse texto corre o grande risco de ficar grande demais.

Megido foi uma fortaleza importante antes mesmo dos israelitas aparecerem na história. Pertenceu a caananitas, egípcios, assírios, babilônios, israelitas, romanos, bizantinos, muçulmanos e cruzados em pelo menos 3000 anos de história. É tão importante que uma das interpretações do Apocalipse (há mais interpretações do Apocalipse do que posts nesse blog, e olha que são mais de 500 posts nesse blog) diz que a batalha do Armagedom, em que Jesus derrotará definitivamente o Anticristo, vai acontecer lá.

Porque Megido é importante para a história bíblica? Por causa desse texto da Bíblia:

Salomão possuía cavalariças para quatro mil cavalos de carros e doze mil cavalgaduras para cavaleiros, que ele colocou nas cidades onde estavam abrigados seus carros assim como em Jerusalém, perto de si. (2 Crônicas, 9:25)

Umas das cidades fortificadas por Salomão, sabemos por outro trecho do livro dos Reis, foi Megido. E, adivinhem o que encontraram em Megido ? Sim, estábulos. Aí estão eles:

Tell_Megiddo_Preservation_2009_037Há pelo menos três interpretações para esses estábulos: há quem, como Keller, que defenda que eles foram construídos sob o reinado de Salomão, como está na Bíblia. Isso provaria que houve um reino unificado, que começou com Saul, passou para Davi e depois para Salomão, antes de ser dividido em dois no reinado do filho dele.

Para Finkelstein e Silberman, os estábulos são mais recentes. Ou são de Omri, no começo do reino do Sul, ou de Menaém, quando este reino era uma potência militar que tentou fazer frente à Assíria.  Para eles essa evidência, junto com outros sítios arqueológicos, provam que não existiu um reino unificado sob Davi e Salomão, e que o reino do Sul (Israel) foi muito mais poderoso e desenvolvido que o reino do Norte (Judá) até pelo menos o século VII a.C.

Há ainda, e esses são a minoria da minoria, quem ache que esses estábulos não são estábulos, são depósitos de grãos, e os chochos que foram encontrados eram para os jumentos que carregavam as cargas até os armazéns.

Agora pegue o exemplo de Megido e transporte para dezenas, quiçá centenas de sítios arqueológicos. Simplesmente não há consenso. Amanhã ou depois uma nova descoberta pode “virar o jogo” para qualquer um dos lados. Poderia até dizer que a resposta para a pergunta que dá título a este post poderia ser também: nós não sabemos.

Uma pergunta que sempre me fizeram quando sabiam que eu estudava esse assunto era: é importante que a Bíblia tenha razão ?

Para quem tem fé, não. Fé não se baseia em fatos. Mas há algo chamado geopolítica, e nesse ponto interessa muito que a Bíblia tenha razão.

Desde que o nacionalismo judaico, ou sionismo, se você preferir, se iniciou, em fins do século XIX, o objetivo sempre foi a volta dos judeus à terra de Israel. É a terra que foi dada a eles pelo próprio Jeová, na promessa à Abraão. E que até hoje ainda impulsiona alguns judeus no sentido de não aceitar a presença palestina na “terra santa”, afinal a terra é deles, não só por direito histórico, mas por direito divino.

Um dia saberemos se a Bíblia tem razão ? Provavelmente, a menos que inventem uma máquina do tempo, o que parecer ser impossível, não. Mas podemos procurar pela resposta, o que já é bem esclarecedor. Afinal, o que importa é a jornada, e não o destino, correto, pequenos gafanhotos ?

A Bíblia tem razão ?

O que é, o que é ? Um livro de mais de quatrocentas páginas, editado pela primeira vez em 1955, com mais de 25 edições somente em português, que vendeu mais de um milhão de exemplares na sua língua original e dez milhões no mundo todo e que continua sendo vendido mesmo tendo se passado décadas da morte do autor ? Um livro do Tolkien ? Um best-seller de algum autor estadunidense ? Não, um livro sobre arqueologia bíblica.

O tal livro é e a Bíblia tinha razão…, do jornalista alemão Werner Keller. Na obra, ele tenta provar, ao interpretar as descobertas arqueológicas, que a Bíblia é exata do ponto de vista histórico, mesmo nas passagens mais improváveis. Seu trabalho foi um sucesso, mas recebeu muitas críticas por ter, às vezes, “forçado a barra” para que os fatos se encaixassem nas suas teorias o que, diga-se de passagem, não é exclusividade dele. Os críticos até escreveram  um “livro-resposta”,  A Bíblia não tinha razão, que desmonta todas as teorias de Keller sem dó nem piedade.

O fato é que essa é uma discussão inútil. Para quem acredita, não são necessárias provas. Para quem não acredita, as provas são insuficientes. Mas isso não tira o fato que Keller nos mostra algumas coisas bem interessantes no seu livro. Separei uma das mais surpreendentes para contar para vocês. De acordo com ele, o maná não só existiu, como ainda existe !

Se você fugiu das aulas de catecismo ou da escola bíblica dominical (ou nem as freqüentou, com trema mesmo, porque eu tô me lixando para a Reforma Ortográfica) o maná era a comida que caiu dos céus para alimentar os israelitas durante os quarenta anos que eles vaguearam pelo deserto entre o Egito e a terra prometida de Israel. Está tudo no capítulo 16 do Êxodo:

“Com efeito, à tarde veio um bando de codornizes que cobriu o acampamento; e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. Quando o orvalho evaporou, apareceram na superfície do deserto pequenos flocos, como cristais de gelo sobre a terra. Ao verem isso, os israelitas perguntavam uns aos outros: “Man hu?” ( ~ que significa: o que é isto? ), pois não sabiam o que era. Moisés lhes disse: “Isto é o pão que o SENHOR vos dá para comer.  Eis o que o SENHOR vos mandou: Recolhei a quantia que cada um de vós necessita para comer, um jarro de quatro litros por pessoa; cada um recolherá de acordo com o número de pessoas que moram em sua tenda”…”Moisés lhes disse: “Ninguém guarde nada para amanhã”. Alguns, porém, desobedeceram a Moisés e guardaram o maná para o dia seguinte; mas ele bichou e apodreceu. Moisés irritou-se contra eles. Manhã por manhã, cada qual ajuntava o maná que ia comer. Mas quando o sol esquentava, o maná se derretia”…”Os israelitas deram a esse alimento o nome de maná. Era branco como as sementes do coentro e tinha gosto de bolo de mel.”

Milhares de pessoas com fome no deserto e Jeová providencia para eles o básico da alimentação na época: carne (codornizes) e pão (maná). Para quem acredita, nada mais natural, afinal um Deus todo-poderoso pode fazer chover comida a hora que ele quiser. Para quem não acredita, é uma história fantasiosa. Bem, mas há provas de que ela é possível. Pelo menos de acordo com Keller. Vamos a elas.

Para as codornizes, a explicação é simples: as aves migram da África para os Balcãs e muitas delas, cansadas, param para descansar no deserto, onde se tornam presas fáceis. Há relatos de outras fontes sobre o assunto e até descrições da caça às codornizes entre os egípcios antigos. Nenhum mistério por aqui. Então vamos passar ao enigmático maná.

De acordo com Keller, que cita o trabalho de dois botânicos judeus datado de 1927, o maná nada mais é do que a secreção que uma árvore chamada tamargueira exsuda (palavra bonita, não ?) quando é picada por uma cochonilha (um inseto). Essa secreção é chamada até hoje pelos beduínos do deserto de “pão do céu”. E, para dirimir todas as dúvidas, o livro ainda tem a foto da expedição de 1927. Eis então, senhoras e senhores, a primeira foto do maná (não reparem que ela está meio torta, tive que digitalizar direto do livro, o que não foi muito fácil):

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Em tudo o “pão do céu” descrito pelos pesquisadores em 1927 bate com a descrição do maná bíblico: é doce, branco, dependendo das chuvas do ano é encontrado em abundância, deve ser colhido logo de manhã porque senão é devorado pelas formigas (“derrete”, nas palavras do cronista bíblico) mas se for guardado longe delas dura bastante tempo. OK, mas o que isso prova ?

Prova que a história da Bíblia pode ser verdadeira ? Sim. Prova também que os  antigos israelitas não conheciam, obviamente, nada de botânica ou migração de aves e que interpretaram fenômenos naturais como sendo milagres de Deus ? Também. Mas, dependendo do ponto de vista, pode provar também que Jeová foi misericordioso o suficiente para prover aos israelitas, durante quarenta anos, codornizes e cochonilhas suficientes para alimentar toda aquela gente.

Qual o ponto de vista válido ? Qualquer um, depende do que você acredita, ou deixa de acreditar. Mas não deixa de ser inquietante que a Bíblia traga uma descrição precisa de um fenômeno natural, mesmo porque a forma atual do Pentateuco foi escrita centenas de anos depois dos fatos terem ocorrido. Em quais outros pontos a Bíblia também teria razão ?

A carta de Jesus

Fundadores de religiões geralmente não deixam nada escrito para a posteridade. Uma das poucas exceções foi Mani, ou Manés, o fundador do maniqueísmo. Seus escritos foram preservados ao longo dos séculos até quase serem reduzidos a pó durante os bombardeios dos Aliados à Alemanha na Segunda Guerra Mundial, mas foram quase que milagrosamente salvos. Eu já escrevi sobre o maniqueísmo aqui, explicando até como ele viria a influenciar, séculos depois, o aparecimento da Inquisição.

Jesus Cristo, o fundador da religião mais popular do mundo, também não deixou nada escrito. Os relatos da sua vida são obras de segunda mão, compostas, a se acreditar na tradição, por um funcionário público, um professor, um médico e um pescador, sendo que os três primeiros provavelmente usaram uma mesma fonte primitiva, hoje perdida. Já o maior pregador da sua doutrina era um simples fazedor de tendas que tinha um problema de saúde e andava com um médico – o mesmo que escreveu um dos evangelhos, Lucas – a tiracolo. Eu também já escrevi sobre Lucas aqui. É, eu escrevo muito sobre teologia, para gáudio de alguns e irritação de muitos.

Mas existe uma história de uma carta escrita pelo próprio punho de Cristo. Como a fonte é boa, vale a pena dar uma olhada nela.

A fonte em questão é Euzébio de Cesaréia. Ele é um dos chamados “Padres da Igreja” ou “Pais da Igreja”, que é como a Igreja Católica chama os teólogos que viveram entre os séculos II e VII e que deixaram escritos sobre o período. Tudo o que você, cristão, não importa de qual ramo, acredita hoje, foi influenciado por esses homens notáveis.

Euzébio de Cesaréia escreveu, por volta do ano 300, um livro em dez partes intitulado “História Eclesiástica”, narrando como a igreja se desenvolveu desde o início, como suportou as perseguições, quem foram os mártires, a sucessão dos bispos nas cidades mais importantes e muito mais. E é nesse livro que ele não somente conta a história da carta escrita por Jesus, como ainda afirma que a teve em mãos e a transcreve na íntegra.

De acordo com ele, Abgaro, o Negro, rei de Edessa (que hoje fica na Turquia) ficou sabendo das pregações de Jesus e, como sofria de uma doença incurável enviou uma carta para Ele pedindo ajuda. A carta é citada na íntegra por Euzébio:

“Abgaro Ucama, toparca, a Jesus, o bom salvador que surgiu na região de Jerusalém, saudações:

Tem chegado a meus ouvidos notícias acerca de tua pessoa e de tuas curas, que, ao que parece, realizas sem empregar remédios ou ervas, pois pelo que se conta, fazes com que os cegos recobrem a visão e que os coxos andem; limpas os leprosos e retiras espíritos impuros e demônios; curas os que estão atormentados por longa enfermidade e ressuscitas mortos.
E eu, ao ouvir tudo isto de ti, pus-me a pensar que, de duas possibilidades uma: ou és Deus, que descendo pessoalmente do céu realizas estas maravilhas, ou és filho de Deus, já que fazes tais obras.
Este é, pois, o motivo para escrever-te rogando-te que te apresses a vir a mim e curar-me do mal que me aflige. Porque também tenho ouvido que os judeus andam murmurando contra ti e querem fazer-te mal. Muito pequena é minha cidade, mas digna, e bastará para os dois.”

Euzébio dá até o nome do portador da carta, Ananias. É uma história surpreendente, pois se for verdade mostra que Jesus teve sua fama espalhada por terras distantes enquanto ainda pregava. E Ele pregou por muito pouco tempo – de acordo com os três primeiros evangelhos, somente por um ano e meio. Já de acordo com João, teriam sido três anos.

Mais surpreendente ainda é que Jesus teria respondido à carta. E de próprio punho, de acordo com Euzébio. Jesus era, portanto, alfabetizado, coisa rara naquela época, se bem que nos apócrifos Ele aparece indo à escola – e confundindo os seus mestres. Eu já escrevi sobre isso também. Eis a resposta de Jesus, de acordo com a “História Eclesiástica”:

“Bem-aventurado tu, que creste em mim sem ter me visto. Porque de mim está escrito que os que me viram não crerão em mim, e que aqueles que não me viram crerão e terão a vida. Mas, acerca do que me escreves de ir para junto de ti, é necessário que eu cumpra aqui por inteiro minha missão e que, depois de havê-la consumado, suba novamente ao que me enviou.
Quando tiver subido, te mandarei algum de meus discípulos, que sanará tua doença e trará a vida a ti e aos teus.”

Euzébio continua seu surpreendente relato afirmando que Tadeu, um dos setenta discípulos enviados por Jesus a pregar – não, Jesus não tinha só doze seguidores, Ele somente separou doze para serem os apóstolos, os mais íntimos Dele, digamos assim – foi até Edessa, curou o rei da sua enfermidade e pregou para o povo da cidade, convertendo todos. Euzébio termina a história afirmando que traduziu tudo a partir dos originais em siríaco.

A história pode parecer inverossímil em muitos pontos, e somente Euzébio a cita. Os originais das cartas, se é que existiram, nunca foram encontrados, o que não é surpreendente, muitos escritos daquela época chegaram até nós graças a cópias das cópias das cópias cujos originais, quando existem, não passam de fragmentos. Nem há registros sobre um rei chamado Abgaro em Edessa. Mas é intrigante imaginar que Jesus possa, um dia, ter deixado algo escrito. Se tivesse deixado mais, séculos de divergências teológicas poderiam ter sido evitadas. Ou não.

E se eu estivesse na Wikipedia

E, se de repente, no futuro, eu virasse um verbete na Wikipedia, eu queria que ele fosse mais ou menos assim:

Henderson Bariani (Osvaldo Cruz, 26 de novembro de 1974 – Osvaldo Cruz, 02 de novembro de 2028) foi um teólogo e escritor brasileiro famoso por sua trilogia de livros “O mundo de Nathália”.

Biografia

Henderson nasceu e viveu durante toda a vida no pequeno município de Osvaldo Cruz, interior do estado de São Paulo. Antes de se tornar escritor foi técnico em informática e funcionário público.

Em 2000, quando ainda trabalhava como técnico em informática, formulou a “Lei de Henderson das assistências técnicas de informática” cujo enunciado é “O número de parafusos sobressalentes numa assistência técnica de informática tende ao infinito”. Posteriormente ele modificou o enunciado para incluir a expressão “mas você nunca encontra aquele que precisa”.

Ainda como técnico em informática ajudou Lucas Torres Rosa a criar uma técnica primitiva para recuperação de discos rígidos danificados que ficou conhecida como “Tombo de Lucas” e que consiste em deixar cair o HD da altura de cerca de um metro de forma que a primeira parte que toque o chão seja o motor de acionamento, ajudando assim no seu destravamento.

Em 2006 teve seu primeiro texto publicado na coletânea de poesias “Tudo é poesia” da editora carioca Litteris.

Sua segunda publicação foi em outra coletânea, “As cartas que nunca mandei”, no ano de 2009.

“Contos Urbanos” foi seu primeiro livro solo, publicado sem grande repercussão em 2010 pelo “Clube dos Autores” e trazia textos publicados em seu blog e alguns inéditos.

Em 2012 formou-se em Teologia pela Faculdade de Teologia Sul Americana. No ano seguinte publicou seu único livro de teologia “Da metempsicose à reencarnação: um estudo sobre a crença em vidas sucessivas” que obteve algum sucesso nos meios especializados.

Dedicou-se aos estudos religiosos nos anos seguintes, chegando a fundar uma seita pseudo-cristã que misturava elementos cristãos e gnósticos que teve vida curta. Abandonou esses estudos e em 2020 publicou o primeiro volume da trilogia “O mundo de Nathália”.

“O mundo de Nathalia – surge o Anticristo” foi um grande sucesso. Sua continuação foi escrita rapidamente para aproveitar o sucesso e já em 2022 era publicado “O mundo de Nathalia – o reino do Anticristo” que bateu todos os recordes de vendagem do livro anterior.

Apesar da grande expectativa, foi somente em 2026 que foi lançada a última parte da trilogia. “O mundo de Nathalia – a batalha final” foi um retumbante sucesso, apesar de já terem se passado seis anos da publicação do primeiro volume.

Em 2028 boatos sugeriam que estava para ser lançado mais um volume de “O mundo de Nathalia”, mas Henderson negava qualquer especulação a respeito nas raras vezes em que dava entrevistas.

Morreu em 2 de novembro de 2028, de apoplexia, na casa onde morou por mais de 50 anos.

tombstone

Foto da lápide de Henderson

Polêmica post-mortem

Alan Victor Bariani, irmão e único herdeiro do espólio de Henderson publicou, em 2029, uma obra inédita supostamente atribuída a ele, intitulada “Outros contos”. Críticos literários, em especial a famosa catedrática Maysa Fernanda Leão contestaram a autenticidade do material publicado argumentando que o estilo era muito diferente do que havia sido publicado por Henderson em vida. Como Alan Victor se recusou a fornecer os originais da obra para uma avaliação independente, a polêmica sobre se este livro deve ser ou não incluído entre as obras de Henderson persiste até hoje.

Pelo Twitter eu convidei alguns blogueiros amigos a escrevem o seu próprio verbete na Wikipédia. Surpreendentemente, alguns aceitaram. Irei atualizando o post conforme novas contribuições forem aparecendo.

O do Frank no Ideiafix está aqui.

A Luciana do PDUT também está participando.

A Deborah do DehReloaded também nos mandou a sua contribuição.

A Cristine, do excelente Rato de Biblioteca, também imaginou o seu futuro aqui.

Bruna Guerreiro, do Quarto Escuro, imaginou seu artigo aqui.

Lucas, o médico nosso amigo

Hoje, 18 de outubro, é dia do médico. Não por coincidência, também é o dia em que se comemora a festa de São Lucas, que foi médico.

A se acreditar na tradição, Lucas foi o autor do Evangelho que leva o seu nome e também da sua continuação, o Atos dos Apóstolos. É provavelmente o único autor não judeu de toda a Bíblia. Cristãos dos primeiros séculos – inclusive alguns que os católicos chamam de “pais da igreja” atestam que Lucas era grego, nascido em Antioquia, que hoje fica na Síria. Mas como um médico, grego e que nem estava na Judeia na época da vida de Jesus – até onde se sabe, pelo menos – acabou se tornando autor de dois livros da Bíblia ? Para entender isso, temos que começar pelos próprios textos que Lucas escreveu.

O Evangelho de Lucas é o único a se iniciar com um prólogo, dedicado a Teófilo, um personagem desconhecido. No prólogo Lucas diz que escreveu seu texto “depois de ter investigado tudo cuidadosamente desde as origens”. Isso faz o maior sentido, pois Lucas tornou-se um dos companheiros de viagem de Paulo, o grande divulgador do caminho de Cristo. A comprovação disso está no próprio Atos dos Apóstolos, que tem três passagens em que Lucas muda a narração de “eles” para “nós”, dando a entender que participou de algumas viagens de Paulo.

Como Paulo ia regularmente a Jerusalém se encontrar com os apóstolos, levar donativos para os pobres e dar contas do seu trabalho missionário, Lucas deve ter tido várias oportunidades de conversar com aqueles que tinham conhecido Jesus, ouvido suas pregações e visto seus milagres. Talvez influenciado pelas viagens de Paulo, Lucas organizou seu Evangelho como uma série de viagens, com Jesus primeiro pregando na sua terra natal, depois no resto da Judeia e chegando finalmente a Jerusalém, onde se dão os eventos dramáticos da Paixão de Cristo. Ele repetiu o mesmo esquema nos Atos dos Apóstolos, com a mensagem de Cristo sendo pregada primeiro na Judeia, depois nos arredores, indo parar na Grécia por obra de Paulo e chegando finalmente a Roma, a “capital do mundo”.

O Evangelho de Lucas tem outras particularidades interessantes. É o único a se ocupar da infância de Jesus, o que leva a crer que Lucas conheceu Maria em algum momento. Narra a anunciação de João Batista e os cânticos de Isabel e Maria, até hoje usados na liturgia católica. A escrita de Lucas também é impecável, seu vocabulário é rico e seu estilo se aproxima muitas vezes do grego clássico. Quase um terço dos versículos são os mesmos que encontramos em Marcos e Mateus e há pelo menos uma dezena de frases que se encontram tanto no Evangelho de Lucas como nas cartas de Paulo.

A associação, ou antes a amizade, entre Lucas e Paulo também é atestada pelas epístolas paulinas. Em três delas Lucas é citado. Em uma delas, Paulo chama Lucas de “o médico nosso amigo” dando a entender que ele era conhecido entre os (poucos) cristãos da época. Em outra, Paulo, preso, se queixa de solidão e afirma que “somente Lucas está comigo”.  E Lucas estava com ele em um momento dramático, quando ele foi preso em Jerusalém e enviado para Cesareia, capital administrativa da região na época. Como Paulo tinha o privilégio de ser “cidadão romano”, pois havia nascido em Tarso, uma das colônias administrada diretamente por Roma, apelou pelo julgamento do imperador e foi enviado à “Cidade Eterna”. Toda a história da viagem, com direito até a descrição do naufrágio da embarcação em que Paulo viajava, é contada em detalhes por Lucas.

Então segundo a tradição, Lucas foi um cristão do primeiro século, discípulo dos apóstolos, que viajou com Paulo, escreveu seu evangelho durante o período em que o incansável pregador esteve preso em Cesareia, aguardando para ser enviado a Roma, o seguiu quando o “apóstolo dos gentios” foi enviado para lá e escreveu os Atos dos Apóstolos, que terminam justamente com Paulo em prisão domiciliar em Roma, aguardando ser recebido pelo imperador. Tudo muito bonito e coerente, mas há algumas dificuldades ainda não superadas.

A primeira é porque, afinal, Lucas não esperou o fim da prisão de Paulo em Roma para terminar seu Atos dos Apóstolos. Depois de dois anos preso em Roma, ele foi libertado e viajou para a Grécia ou para a Espanha. Só depois, no auge das primeiras perseguições aos cristãos, ele seria preso novamente e morto em Roma, junto com Pedro. Porque Lucas não esperou ou pelo menos atualizou seus escritos depois disso ?

A segunda dificuldade diz respeito à crise entre os gálatas. Uma grave crise aconteceu entre os cristãos da Galácia, e Paulo chegou a repreender publicamente Pedro por acreditar que este estava se desviando da doutrina correta ao fazer distinção entre cristãos que tinham sido judeus anteriormente e os “gentios”. Paulo narra isso ele mesmo no capítulo 2 da carta que ele escreveu aos gálatas. Um acontecimento tão importante como este não poderia ter ficado de fora dos Atos dos Apóstolos, ainda mais escrito por um amigo de Paulo.

A terceira e última diz respeito à cronologia. Colocar a redação do Evangelho de Lucas na época que Paulo esteve preso em Cesaréia, o que dá mais ou menos no ano 59, faria dele o primeiro evangelho a ser escrito. Mas hoje há praticamente um consenso que Marcos foi o primeiro evangelho e que depois Mateus e Lucas usaram partes do seu texto – ou um texto ancestral, hoje perdido, chamado de “Manuscrito Q” – para seus escritos. Recuar o Evangelho de Lucas para 59 dC obrigaria a recuar Marcos para mais cedo ainda, o que é inviável para a maior parte dos estudiosos bíblicos.

Afora essa dificuldades, Lucas aparece sem contestação em todos os canones antigos, sendo citado já no ano 200 dC, então seu texto foi aceito desde o começo pelos cristãos. Uma antiga tradição, ou antes lenda, diz que Lucas também foi pintor e que teria pintado uma imagem de Maria em um pedaço de mesa que teria sido feita pelo próprio Jesus ! A pintura, conhecida como “Madona Negra”, hoje está em Czestochowa, na Polônia.

Lucas provavelmente morreu na Grécia, em Tebas, o que faria sentido, afinal ele era grego. Mas há quem afirme que ele chegou a ir para a Bitínia – que hoje fica na Turquia – e teria morrido lá, com mais de 80 anos, “sem filhos e repleto do Espírito Santo”.

Dois grandes livros foram escritos sobre Lucas. Taylor Caldwell passou praticamente metade da vida pesquisando a vida de Lucas e escreveu o monumental “Médico de homens e almas” um best-seller na época em que foi escrito. E Frank Slaughter, que também foi médico, escreveu o excelente “O caminho para a Bítinia“, com certeza o melhor livro que este blogueiro leu em toda a vida. E olha que eu já li muitos. O livro da sra. Caldwell é facilmente encontrado ainda, já o de Slaughter, somente nos sebos. Mas, se você tiver a oportunidade, não deixe de ler os dois livros e aprender mais sobre a fascinante vida do “médico nosso amigo”.

O desconhecido São José

Hoje, 19 de março, a Igreja Católica relembra um dos seus santos mais populares: São José, o “pai terreno” de Jesus Cristo.

Na Bíblia São José aparece muito pouco. Ignora-se seu passado ou quando ele morreu, apesar de ser razoável supor que ele tenha morrido antes da paixão de Cristo, já que ele não aparece nela, ao contrário de Maria. Mas, nos apócrifos, a história de São José é muito mais rica e detalhada. Se ela é verdadeira ou não, nunca saberemos. Mas vale a pena falar dela.

Apócrifos, para os não-iniciados, são livros que não foram “aprovados” para entrar na Bíblia. Há dezenas, talvez centenas deles. Só de Evangelhos há umas duas dúzias, cada apóstolo “ganhou” o seu (inclusive São Tomé). Cartas ao estilo das epístolas de São Paulo também há várias, inclusive uma atribuída a São Clemente, que teria sido o terceiro sucessor de Pedro em Roma e cujo fato de seu escrito não ter entrado na Bíblia já derruba por si só a tese de “conspiração” na elaboração da Bíblia que a gente lê muito nos círculos esotéricos por aí. A história toda da formação do cânon (lista de livros aprovados) bíblico é cheia de idas e voltas, com livros sendo retirados aos “45 do segundo tempo” como o Apocalipse de Pedro (sim, existia outro Apocalipse), mas explicar tudo isso agora fugiria do tema do tópico. Então vamos voltar à vaca fria e falar de São José.

O apócrifo que mais nos fala do lado desconhecido de São José é “A História de José conforme narrada por Jesus a seus apóstolos”. É um texto surgido no Egito (provavelmente em Alexandria) no século IV, em que Jesus em pessoa conta a história de José para seus discípulos.

No curto texto, revela-se que José era viúvo. Teve seis filhos com sua primeira esposa. Há até os nomes deles: Judas, Josetos, Tiago (que seria discípulo depois), Simão, Lísia e Lídia. Enquanto José enviuvava, Maria servia como criada no Templo, pois assim haviam prometido seus pais, estéreis, antes dela nascer. Vendo que Maria já era uma “mocinha” os chefes do Templo resolveram dá-la em casamento a alguém da mesmo tribo que ela (como era costume na época) antes que “o pior acontecesse” (em outras palavras, antes que alguém transasse com ela).

Bem, José era da mesmo tribo (de Judá, conforme as profecias do Antigo Testamento) que Maria. No sorteio, ele acabou “ganhando” Maria. Antes do casamento se consumar, porém, o anjo apareceu para ela, que ficou grávida do Espírito Santo. Foi por isso que São José pensou em repudiá-la, pois temia se acusado de ter “consumado” a união antes do casamento formal.

Dá para perceber que quem escreveu o texto estava preocupado em esclarecer alguns pontos obscuros da história “oficial”, explicando-a nos mínimos detalhes. O resto da história é bem semelhante ao que está na Bíblia, com José fugindo para o Egito para escapar da perseguição de Herodes, e tudo mais. Mas o final é bem diferente.

Pelo apócrifo, José morreu com 111 anos (!) depois da volta dele e de Maria do Egito para Nazaré. A descrição da sua morte é muito detalhada, que chega a ser difícil acreditar que quem a escreveu não estava presente, ou que tenha uma imaginação muito fértil. Há a data da sua morte (26 de Epep) e algumas passagens estranhas, como quando ele já estava doente e “estava em seu leito, foi tomado de uma grande agitação. Gemeu forte, bateu palmas três vezes e, fora de si, pôs-se a gritar..” e aí segue-se uma oração. Estranho, não ?

Outra passagem estranha: a chegada da morte, narrada em primeira pessoa por Jesus: “Pus-me a olhar para o sul e vi a morte dirigir-se a nossa casa. Vinha seguida de Amenti,que é seu satélite, e do Diabo, a quem acompanhava uma multidão de esbirros vestidos de fogo, cujas bocas vomitavam fumaça e enxofre.”

Coisas extraordinárias continuavam acontecendo. Jesus reza sobre o corpo agonizante de José e então: “Quando eu disse amém, Maria, minha mãe, respondeu na língua falada pelos habitantes do céu. No mesmo instante Micael, Gabriel e anjos, em coro, vindos do céu, voaram sobre o corpo de meu pai José.”

A coisa continua mais estranha ainda. José agonizava, mas a Morte havia reconhecido Jesus e tinha medo de entrar na casa para “fazer o serviço”. Jesus então sai para conversar com a “véia da foice”:  “Ó tu, que vens do Meio-dia, entra rapidamente e cumpre o que ordenou-te meu Pai. Porém, guarda José como a menina dos teus olhos, posto que é meu pai segundo a carne..”

Finalmente então José morre, e sua alma é levada pelos arcanjos Gabriel e Micael (o que a Morte estava fazendo lá então ?) e o apócrifo termina com uma discussão entre Jesus e os apóstolos acerca do pecado original. É uma história bem fantasiosa, principalmente no fim, já que a história de Maria servindo no Templo antes do casamento com José aparece também em outros apócrifos. Fico imaginando a dor de cabeça do teólogos para encaixar algumas coisas expostas nesse apócrifo com o resto da Bíblia, caso ele tivesse entrado no Cânon. Bem, deve ser por isso mesmo que não entrou, não é mesmo ?

A quase entrevista de João Paulo II

O Papa João Paulo II foi decididamente, um dos pontífices mais importantes da Igreja Católica. Sua participação foi decisiva para o fim do comunismo na Europa Oriental. O atentado contra a sua vida e as suas incontáveis viagens missionárias o tornaram o Papa mais popular do século, quiçá de toda a história da igreja.

Mas João Paulo II também era contraditório. Elevou aos altares ninguém menos que Josemaria Escrivá de Balaguer, fundador da contestada (mesmo dentro da Igreja Católica) Opus Dei. Na quebra do Banco Ambrosiano em 1982 Sua Santidade também teve atitudes dúbias e em até certo ponto, reprováveis.

A contradição foi a marca maior do papado de João Paulo II. Ao mesmo tempo em que se aproximava dos jovens e mantinha o caminho livre para a proliferação dos liberais da Renovação Carismática ele “pegou pesado” com a Teologia da Libertação (para o que contou com a ajuda decisiva do Ratzinger, hoje Papa Bento XVI) e não avançou um milímetro em questões fundamentais como a contracepção e o papel das mulheres na Igreja.

Diante disso tudo, pode parecer que o papado de João Paulo II não poderia ter sido mais surpreendente do que foi. Mas, para o seu espanto, meu católico leitor, minha devota leitora, poderia ter sido sim. Porque o Papa João Paulo II quase deu uma entrevista ao vivo para a TV italiana. Dá quase para imaginar o frisson que se seguiria a esse acontecimento. As TVs de todo o mundo brigariam a tapa pelo direito de transmitir a entrevista. Aqui no Brasil sairia provavelmente no Fantástico, com o Cid Moreira dublando o Papa. Já imaginaram ?

A entrevista iria ao ar em outubro de 1993 pela RAI, a maior emissora italiana. Naquele mês se comemoraria 15 anos do inicio do papado de João Paulo II. Para entrevistador foi escolhido o vaticanista – jornalista especializado na Cúria Romana – Vittorio Messori. A direção seria do cineasta italiano Pupi Avati. Uma reunião chegou a acontecer na residência de verão do Papa e tudo estava sendo feito na maior “surdina”. Como é de praxe nessas entrevistas, João Paulo II recebeu as perguntas formuladas por Messori com antecedência.

Mas a entrevista não se realizou. O Vaticano alegou falta de tempo, já que naquele mês de outubro de 1993 o Papa já tinha visitas marcadas ao Japão e aos países bálticos da Letônia, Estônia e Lituânia. Mas o próprio Messori acha que setores mais conservadores da Cúria Romana “gentilmente” convenceram o Papa a não dar um passo tão ousado assim.

O caso teria sido esquecido se não tivesse acontecido algo surpreendente: meses depois da data marcada para a entrevista Messori recebeu uma mensagem do Papa dizendo que havia gostado das perguntas, que elas mereciam uma resposta e que estava as respondendo por escrito. Em abril de 1994 Messori receberia das mãos de Joaquim Navarro-Valls, então porta-voz do Vaticano (e membro da Opus Dei também) as respostas do Papa. Elas acabaram sendo lançadas em livro, “Cruzando o limiar da esperança”.

“Cruzando o limiar da esperança” não é um livro fácil de ler. O estilo de João Paulo II é “denso” e extremamente culto. A cada duas frases ele cita um trecho da Bíblia, de algum “Doutor da Igreja” (santos que se destacaram em matéria de Teologia), alguma Encíclica ou Bula, ou a decisão de algum Concílio (especialmente do Concílio Vaticano II, do qual ele participou). Mas o livro tem algumas passagens belíssimas. Como essa, quando perguntado sobre os muçulmanos:

Todavia, a religiosidade dos muçulmanos merece o maior respeito. Não se pode deixar de admirar, por exemplo, a sua fidelidade à oração. A imagem do crente em Alá que, sem ligar para o tempo e lugar, cai de joelhos e mergulha na oração é um modelo para os confessores do verdadeiro Deus, em particular aqueles cristãos que, desertando suas maravilhosas catedrais, rezam pouco ou não rezam absolutamente em tempo algum.

Já imaginaram o impacto que essas palavras teriam se tivessem aparecido nas TVs do mundo mundo e não num livro que quase ninguém leu ? Um Papa elogiando os muçulmanos em rede mundial (tá certo que um pouco antes ele havia criticado o processo de “redução da Revelação Divina” que se vê no Alcorão, mas tudo bem) teria uma repercussão difícil de avaliar hoje em dia.

Infelizmente essa entrevista não se realizou. Seria um dos grandes momentos do papado de João Paulo II. E as TVs teriam algo para exibir depois da sua morte. Como o Papa Bento XVI é mais linha-dura, temos que torcer para o seu sucessor ser um liberal para poder preparar a pipoca para assitir ao Cid Moreira dublando o Papa (se ele ainda estiver vivo, claro. Senão vai ser o Sérgio Chapelain mesmo). Quem viver, verá. Ou não.