Como é tradição desde 2008, o primeiro post do ano no Depokafé é o ranking dos melhores livros lidos no ano anterior. Esse ano não será diferente, então vamos à lista dos melhores livros lidos em 2011.
Não foi fácil fazer a lista. Lamentavelmente, li pouco esse ano. Acho que eu preciso ficar menos na internet e ler mais. Ops, mas se eu ficar menos na internet tem poucos posts no blog. Estamos num dilema, meus caros.
Mas deixemos o dilema para depois e vamos logo a essa lista, antes que vocês fujam daqui.
Inocência Roubada

Eu não poderia começar esse post com outro livro que não fosse esse, com certeza a melhor leitura do ano. A história de Elissa Wall, uma jovem estadunidense que pertencia a uma seita dissidente do mormonismo e foi obrigada a se casar aos 14 anos com um primo foi contada de forma excelente nesse livro. Sem apelar para o pieguismo, sem tornar a história muito pesada mas mesmo assim sem esconder os piores momentos. As autoras com certeza foram muito felizes no texto, atingiram o tom certo na minha opinião. Recomendadíssimo, principalmente para as descendentes de Eva que abrilhantam esse humilde jardim (poético, não ?).
Sexo com Reis

Amantes. Elas sempre existiram, desde a alvorada do tempo, a se confiar nos apócrifos que dizem que Caim na verdade era filho da Eva com o Cramulhão. E nada mais chique do que ser uma amante real, certo ?
Bem, nem sempre, e é isso que a autora desse livro mostra. Numa época em que o rei ter uma amante era praticamente obrigatório, chegar até os lençóis reais nem era tão difícil. O problema era se manter lá. A concorrência era dura, a começar pela mulher oficial do rei, até outras potenciais amantes. E uma revolução ou a morte prematura do rei podiam colocar tudo a perder. Não tinham vida fácil essas mulheres de vida fácil.
O livro é bem didático e escrito em linguagem simples, mas peca por focar somente nas monarquias inglesa, francesa e espanhola. Acho que faltou a autora pesquisar a agitada vida sexual de Dom Pedro I ou as peripécias da Marquesa de Santos. Por outro lado, ela dá uma boa quantidade de detalhes, é historicamente precisa e não cai no discurso fácil de colocar as amantes como vítimas de reis tiranos. A seleção dos casos que ela apresenta é equilibrada, mostrando as amantes que “se deram bem” e outras que nem tanto. Uma leitura recomendada para todos, principalmente os que gostam de história.
A Metamorfose

Fazia tempo que eu queria ler a obra mais famosa de Franz Kafka. Afinal, quando o seu sobrenome vira um adjetivo é sinal de alguma coisa boa você produziu. Bem, finalmente em 2011 eu consegui colocar as mãos na estranha obra kafkaniana.
Sei que eu serei pouco original, mas A Metamorfose é um livro muito louco. Não tem outra palavra para definir as aventuras de Gregor Samsa, aquele que após uma noite de sonhos intranqüilos, acordou transformando num inseto. Álias, há quem considere que esse é um dos inícios de livros mais memoráveis da história da literatura produzida por esse ciclo de civilização neste planeta. E eu concordo.
Foi bom ter lido A Metamorfose depois de ter lido a biografia de Kafka, coisa que eu fiz a uns dois anos atrás. Deu para perceber toda a tensão de Kafka com sua família, principalmente seu pai, palpável na obra que ele escreveu. Sim, essa observação tampouco é original, mas eu recomendo que você se informe antes sobre Kafka para depois ler o livro. As coisas vão fazer um pouco mais de sentido para você, acredite.
Chatô – O Rei do Brasil

Se você acredita que a “grande imprensa” é manipuladora, está contra o atual governo do PT, é chata, feia e boba, se você acredita que a Rede Globo, a Veja, o Estadão e a Folha, entre outros, são encarnações do mal jornalismo, eu sugiro duas coisas para você: primeiro, pare de acreditar em tudo que o Paulo Henrique Amorim e seus “blogueiros progressistas” escrevem. E depois leia esse livro.
Perto de Assis Chateaubriand os filhos do Roberto Marinho, os Mesquita e os Civita são meros amadores iniciantes. Duvida ? Pois o Chatô conseguiu, entre outras coisas, que fosse aprovada uma lei para que ele não perdesse a guarda da filha e ser nomeado embaixador do Brasil na Inglaterra só porque queria conhecer a rainha.
Claro que estou vendo só o “lado ruim” da massiva biografia dele produzida pelo Fernando Morais. No estilo que lhe é característico, o autor fez uma grande obra, cheia de detalhes, alguns deles desnecessários. Se alonga demais em algumas partes, vai rápido demais em outras, mas o resultado final é bom. Se você quer entender a história recente do Brasil é um livro obrigatório. Se você gosta de biografias também.
Piadas Nerds

Hoje em dia ser nerd está na moda. Para mim, que fui nerd nos anos anos 80/90 (hoje eu sou um ex-nerd) isso é uma coisa muito estranha. Acreditem, não era divertido ser nerd naquela época.
Eu posso estar me transformando num velho rabugento (e provavelmente estou mesmo) mas para mim grande parte do que hoje é produzido com o rótulo “cultura nerd” é lixo da pior qualidade, a começar por aquele seriado-que-não-vou-dizer-o-nome que mostra uma visão estereotipada dos meus ex-colegas e sua sina malsã (procure no dicionário, seu preguiçoso !).
Nesse cenário pouco acolhedor, Piadas Nerds foi um alento bem vindo, praticamente uma Dinamite Pangalática gelada no deserto. Até que enfim conteúdo de qualidade e o melhor, produzido no Brasil.
Para encurtar esse comentário, o livro é hilário. Não vou dizer que entendi todas as piadas, só uns 87,25 %, aproximadamente. E se você não tiver uma boa cultura geral, vai ficar boiando a maior parte do tempo. Mas vale a pena mesmo assim, nem que seja para você estudar até entender as piadas. Como diria o ET Bilu, procure conhecimento, pequeno gafanhoto.