Quando o Maurício de Souza resolveu criar a “Turma da Mônica Teen” eu nem dei muita bola. Afinal, eu já passei da idade de ler quadrinhos desse tipo, e o cara tem que sustentar 10 filhos, o mercado não está fácil, as crianças deixam de ser crianças cada dia mais cedo, etc. Apesar de eu achar que se ele quisesse atingir o público jovem ele devia investir na Turma da Tina, mas tudo bem.

Mas agora eu fico sabendo que a Turma da Luluzinha também vai ter uma versão teen ! E com o Bolinha magro ! E a Lulu de cabelo liso ! Isso é heresia das grossas. Na Turma da Mônica Teen dá para pelo menos reconhecer os personagens. Como eu vou chamar de “Bolinha” um cara magro ?

O que mais falta acontecer no mundo dos quadrinhos agora ? Tive algumas ideias do que podiam dar certo. Ou não. Vejamos se vocês gostam.

A Mafalda podia entrar na “onda teen” e aparecer como uma estudante de Sociologia e fazendo greve na USP.

mafalda

Mafalda leva jeito de líder estudantil, não acham ?

Tintim de volta à ativa, cobrindo a guerra do Iraque ou conseguindo uma exclusiva com o Obama.

tintin

Vai ter que dar um jeito no cabelo dele também, está demodê...

O Zé Carioca trabalhando numa obra do PAC nas favelas do Rio. Essa ideia é tão boa que quando o presidente Lula tiver o blog dele eu vou deixar um comentário sugerindo isso. Sério.

ze_carioca

Zé Carioca se daria bem como servente de pedreiro ?

O Recruta Zero sendo promovido a sargento. E o sargento Tainha à tenente, claro.

Recruta Zero.pg

Alguém ainda se lembra do Recruta Zero ?

O Demolidor fazer um transplante de células tronco e voltar a enxergar.

Demolidor_

Demolidor enxergando ainda seria demolidor ?

O Capitão América – que morreu – voltar como o “Capitão União-Europeia”. Ou como Capitão América mesmo, lutando contra os investidores malvados de Wall Street.

capitão_america

Capitão América agora ia ter que bater continência para o Obama

Popeye trocar o espinafre por alguma verdura não muito conhecida, tipo rúcula, ou brócolis.

popeye

Vende-se rucula em lata ?

Tio Patinhas, Bruce Wayne e Tony Stark perdendo todo o seu dinheiro por causa da crise financeira mundial.

tony_stark

Sem grana, o Tony Stark ia ter que criar o "homem de lata"

Os X-Men, que se orgulham tanto de serem multiculturais, deveriam ter um integrante muçulmano. Se for da Palestina, fica ainda mais politicamente correto.

xmen

Está faltando alguém de turbante nos X-Men...

E você, meu caro leitor, minha prezada leitora, tem alguma idéia genial para o mundo dos quadrinhos ? Deixe aí nos comentários.

Vendo as estatísticas desse humilde blog, percebi que as poucas listas de “10-alguma-coisa” que eu postei por aqui são bem populares. Well, se é isso que os meus leitores querem, então eu vou saciar a curiosidade de vocês com dez fatos curiosos sobre escritores famosos. Vai ser ótimo para você contar na sua roda de amigos e parecer um intelectual. Sabe como é, cultura inútil é sempre popular…

1 – Lord Byron tinha um pé torto, mas ninguém sabe dizer qual é. Sua mãe dizia que era o direito, assim como os seus editores, que tinham as botas dele para provar. Mas o fabricante dos seus aparelhos ortopédicos dizia que era o esquerdo. Edward Trelawny, amigo de Byron, espiou as pernas dele depois de morto e disse que eram nenhum dos dois, opinião compartilhada por um médico que examinou as botas dele 100 anos depois e concluiu que ele sofria na verdade de um distúrbio cerebral chamado diplegia espástica.

2 – O romancista brasileiro José de Alencar era também advogado – chegou a ser Ministro da Justiça por um breve período – e entrou para a história da advocacia brasileira ao solicitar, em 1868, o primeiro habeas corpus preventivo do país, ao defender o seu sogro de uma acusação de assassinato. O pedido foi aprovado com 8 votos a favor, cinco contra e uma abstenção e fez a fama do escritório de advocacia que Alencar tinha na época.

3 – Honoré de Balzac ingeria cerca de 50 xícaras de café por dia. Ele tinha predileção pelo café turco, preto e forte. Quando não conseguia tomar café, ele mesmo moia os grãos e os comia puros. Imaginem só se ele tivesse conhecido a Coca-Cola…

4 – O mestre do terror Edgar Alan Poe frequentou um internato na Inglaterra que ficava ao lado de um cemitério. As aulas de matemática ocorriam em meio aos túmulos, com os alunos tendo que calcular as idades dos mortos pelas datas marcadas nas lápides. E as aulas de ginástica consistiam em abrir as covas em que seriam enterrados os mortos da cidade. Depois disso, fica fácil entender porque Poe se tornou um dos escritores de terror mais conceituados de todos os tempos.

5 – Charles Dickens era adepto do mesmerismo. Hipnotizava pessoas em festas só por diversão e ajudava amigos a superar pequenas enfermidades. Também era um adepto da interpretação dos sonhos. Pena que ele nasceu antes de Freud inventar a psicanálise, senão o mundo poderia ter ganho um psicólogo – e perdido Oliver Twist.

6 – Leon Tolstói, o autor de “Guerra e Paz”, afirmava que tinha aprendido a falar esperanto em “três ou quatro horas” e passou a defender o idioma universal com unhas e dentes.

7 – O grande escritor estadunidense Mark Twain era fumante desde os oito anos de idade. Durante a vida adulta, consumia cerca de 40 charutos por dia. E eram charutos do tipo mais vagabundo possível, apelidados de “mata-rato”. Seus amigos faziam questão de levar seus próprios charutos quando o visitavam, com medo que ele oferecesse um dos seus.

8 – Consta que as últimas palavras de Oscar Wilde (autor de “O retrato de Dorian Gray”) antes de morrer de meningite em um quarto de hotel em Paris foram: “Meu papel de parede e eu estamos lutando um duelo mortal. Um de nós dois terá de sair daqui.”

9 – Há quem defenda que Franz Kafka, autor de “A metamorfose”, tenha inventado o capacete de segurança civil, quando trabalhava no Instituto de Seguros e Acidentes de Trabalho da Boêmia, apesar de não haver certeza se ele inventou mesmo o objeto ou só defendeu o seu uso generalizado.

10 – “O Hobbit”, obra do grande JRR Tolkien, foi proibida na Alemanha nazista depois que um oficial do governo alemão entrou em contato com o autor britânico em 1937 para saber se ele era judeu e recebeu a seguinte resposta: “Lamento dizer que não tenho ascenstrais pertencentes a este povo tão bem dotado”.

Meus prezados leitores, minhas caras leitoras, eu estive em Pasárgada. Ou, melhor dizendo, eu estou em Pasárgada. Não, eu não estou escrevendo do Irã. Posso ser louco, mas não a esse ponto…:)

ruinas_pasárgada

Eu NÃO estou aqui

Mas existe outra Pasárgada ? Sim, existe. E não estou falando daquela Pasárgada do Manoel Bandeira, apesar do nome ter sido inspirado nela. Eu me refiro à Comunidade Livre de Pasárgada, uma das mais antigas e ativas micronações lusófonas. Micronações ? O que é isso ?

Bom, micronacionalismo pode ser descrito, em termos bem simplificados, como uma “simulação de país”, ou seja, um hobbie. Resumindo, algumas pessoas se reúnem, se organizam, elegem um líder, um parlamento, votam leis, criam partidos políticos, votam leis. Ou seja, simulam toda a estrutura de um país “de verdade”.  Tem gente que leva isso muito a sério e não gosta desta pecha de “hobbie”. Há inclusive trabalhos acadêmicos que tratam da micropatriologia, que é a ciência que estuda as micronações e o seu desenvolvimento.

Tecnicamente falando, Pasárgada nada mais é do que uma lista de discussão no Yahoo!Grupos, um site (que está sendo remodelado) e um NING (um “Orkut” privado). Tem cerca de 80 habitantes atualmente. Você se associa à lista de discussão como turista, entende como as coisas funcionam, arruma um emprego ou um cargo público, solicita a sua cidadania e passa a viver a sua “vida micronacional”.

Um das coisas legais no micronacionalismo é que você pode ser o que quiser, só depende do seu interesse e dos seus talentos. Esse pobre escriba, por exemplo, que está em Pasárgada a pouco mais de seis meses, iniciou-se como colunista de um dos jornais pasárgados, evoluiu para editor de jornal (que tem até um blog), ao mesmo tempo que seguia carreira política como vice-presidente de um dos cantões (estados).

Falando em política, uma das coisas que você NÃO pode fazer em Pasárgada é ser amigo do rei. Não que ele seja antipático. É que ele não existe mesmo. Pasárgada é uma república parlamentarista. Mas você pode ficar amigo, por exemplo, do Primeiro-Ministro Felipe Aron, um jovem professor de História de 24 anos. Ou do Chanceler recém-eleito André Cyranka, mais um jovem. Ou talvez você se interesse em fazer amizade com a poderosa Ministra de Estado Juliana Benedetti, a “Margareth Teatcher” bailarina e quem vai autorizar sua entrada por lá. Por ter essa forma de governo, as eleições são muito acirradas e a tensão política entre os dois partidos existentes às vezes chega a extremos. Mas nada que comprometa muito a harmonia do lugar.

Se você se interessou em conhecer Pasárgada, pode pedir um visto de turista através deste link. Prepare-se para receber algumas centenas de e-mails por mês, mas nada muito absurdo. Você provavelmente vai achar tudo meio estranho no começo, mas depois começa a ficar divertido. Alguns dizem que hoje Pasárgada vive hoje um “renascimento”, dado o afluxo de novos habitantes por lá, fruto do longo mandato de Aron como Primeiro-Ministro. Por isso, há muita coisa a ser feita ou refeita em Pasárgada: os nerds são necessários no Ministério de Infra-Estrutura, onde Renan Halpen está remodelando os sites da nação. Acadêmicos de todos os cursos são bem-vindos na Universidade Comunitária Micronacional, comandada pelo impagável McMillan Hunt. Formados ou estudantes de Direito podem aproveitar as oportunidades no Poder Judiciário, sempre carente de talentos (você pode chegar até a Togado, ou seja, juiz). Há ainda esporte: torneios de xadrez, WAR, ligas de Hattrick e CartolaFC, além de concursos diversos (o cantão que eu estou está organizando um concurso de fotografias, por exemplo). Blogueiros também são bem vindos, eles dão (sem trocadilhos) ótimos jornalistas. Há vários blogueiros por lá. Linkei todos eles no blog do jornal que eu edito, e pretendo fazer o mesmo aqui no Depokafé.

E então, meu caro leitor, minha prezada leitora: nos vemos em Pasárgada ?

E série Hoje na História continua monopolizando o Depokafé. Hoje vamos voltar para 1964 para contar como um jogo entre Peru e Argentina não terminou bem.

Era o dia 24 de maio de 1964 e no Estádio Nacional em Lima, no Peru, acontecia um jogo do torneio pré-olímpico entre as seleções sub-23 do Peru e da Argentina. O jogo estava 1 a 0 para os argentinos até os 43 (outras fonte falam em 39) do segundo tempo, quando o peruano Lobatón empatou a partida. Os 45 mil peruanos que estavam no estádio vibraram. Mas..

Mas o árbitro uruguaio Angel Pazos anulou o gol peruano, alegando que Lobatón havia feito falta no lance. Isso fez com que a torcida explodisse de raiva. Temendo pela integridade física dos jogadores, o árbitro terminou a partida na hora, e os dois times foram para o vestiário. Tudo parecia que ia acabar bem. Mas…

Mas não acabou. Um torcedor, chamado Matia Rojas, invadiu o campo e tentou bater no árbitro. A polícia interveio e “delicadamente” dominou o torcedor e o tirou do campo. Vendo a brutalidade com que o torcedor era tratado, a multidão explodiu de vez, avançou em direção aos alambrados e invadiu o campo.

A polícia não estava preparada e nem tinha efetivo suficiente para controlar a situação. Saiu disparando tiros para o alto e bombas de gás lacrimogênio para todo lado, sufocando os que tinham invadindo o campo. Para piorar, os portões do estádio estavam trancados, para evitar a entrada de penetras, e ninguém conseguia sair.

O resultado disso tudo, é claro, só poderia ser uma tragédia. Pessoas morreram pisoteadas. Outras morreram sufocadas pelo gás lacrimogênio. Outras, ainda, esmagadas contra os portões fechados. Foi uma carnificina.

Por fim, a multidão furiosa destruiu os portões e invadiu as ruas de Lima. Alguns foram até a casa do presidente da república para pedir que o jogo fosse declarado oficialmente empatado. O número de mortos pouco importava, o que valia mesmo era o Peru não sair derrotado na partida, o que não faz o menor sentido. O vandalismo correu solto pelas ruas da cidade durante a madrugada e só terminou na manhã seguinte.

Resultado final da tragédia: um estádio completamente depredado, estádio de sítio decretado em todo o país e 318 mortos e mais de 500 feridos, nessa que foi a pior tragédia ocorrida em estádios de futebol, mas que quase nunca é  lembrada, talvez porque aconteceu num país pobre e pouco desenvolvido.

tragedia_lima

Algumas cenas da tragédia em Lima

E a série Hoje na História está de volta, mais cedo do que você esperava, meu caro leitor. Mas hoje não vamos tão longe como na vez passada. Vamos retornar somente 94 anos no passado para relembrar o mais terrível acidente de trem da história da Grã Bretanha.

Estávamos em 15 de maio de 1915. A Primeira Guerra Mundial tinha começado a somente 10 meses e 500 homens da 7ª Divisão Real Escocesa embarcaram em um trem para lutar na Turquia. Era pouco mais de seis horas da manhã.

Enquanto isso, no entroncamento ferroviário de Quintinshill, o sinaleiro George Meakin tinha trabalhado o turno da noite e estava para ser substituído por James Tinsley. Mas os dois tinham um acordo informal – tipo um “jeitinho escocês” – em que Tinsley, que sempre chegava um pouco atrasado, era acobertado por Meakin, que anotava as mudanças de linhas efetuadas depois do seu horário em um papel separado que depois o amigo passava para a sua planilha oficial.

Por descuido, cansaço, falta de atenção ou porque estavam preocupados em disfarçar o atraso de Tinsley – ou tudo isso junto – os dois autorizaram que o trem com os soldados trafegasse pela mesma linha que um trem que vinha em sentido contrário. Quando eles perceberam o que tinham feito, já não dava para fazer mais nada. Os dois trens bateram de frente. Eram 6h50 da manhã. Na Wikipedia em inglês tem um gif animado que explica bem como foi o acidente.

Como desgraça pouca é bobagem, os destroços da batida ocuparam todas as linhas e acabaram sendo atingidos por um trem expresso que trafegava por outra linha. Para piorar mais ainda, se é que isso é possível, o trem que levava os soldados estava carregado de munição, que começou a explodir com o incêndio que se seguiu, soltando bala para todos os lados.

Os bombeiros chegaram logo, mas o incêndio só foi controlado às onze horas da noite. O trem dos soldados, que tinha 60 metros de comprimento, ficou reduzido a 20 metros por causa da força do impacto. O resultado foi 227 pessoas mortas, a maior parte delas vindos do trem que carregava as tropas. Outras 240 ficaram feridas.

1915_quintinshill

Fotos do combate ao incêndio e do socorro aos feridos

Meakin e Tinsley foram presos e julgados por homicídio culposo. Como no Reino Unidos as coisas andam rápido, o júri se reuniu somente quatro meses depois do desastre. Depois de oito minutos de deliberação, o júri popular condenou Tinsley a 3 anos de prisão e Meakin a um ano e meio. Mas os dois sofreram “colapsos nervosos” – um eufemismo para dizer que ficaram muito abalados com o remorso do que fizeram – e foram libertados depois de cumprir um ano de prisão cada. Depois de solto, Tinsley voltou a trabalhar para a mesma empresa ferroviária, como porteiro. Se aposentou depois de 30 anos de trabalho. Meakin trabalhou um tempo como vigia na mesma empresa, depois como comerciante de carvão e numa fábrica de armas. Se aposentou também, com problemas de saúde. Não se sabe quando os dois morreram.

Para relembrar a tragédia foi construído um monumento no Cemitério Rosebank em Edimburgo, onde foram enterrados os valorosos soldados escoceses que morreram sem nunca terem entrado em combate.

Quintinshill_Memorial

Placa no monumento do Cemitério Rosebank em honra dos mortos

E a série Hoje na História vai fundo nos baús históricos, mais fundo do que jamais fomos antes, para contar a história do terremoto em Antioquia, ocorrido a 1483 anos atrás, no dia 20 de maio de 526.

Antioquia foi fundada em 300 a.C. por Seleuco I Nicator, um dos generais que dividiram o império de Alexandre, o Grande, depois da sua morte. A cidade viveu seu auge durante o Império Romano, quando foi a terceira maior cidade da época, atrás somente da própria Roma e de Alexandria, no Egito. Nessa período chegou a ter 500 mil habitantes. O seu ginásio para espetáculos rivalizava com o grande Coliseu de Roma.

Antioquia-no-Orontes, como se chamava a cidade na época, para diferencia-la de Antioquia da Pisídia, outra cidade com o mesmo nome e que também foi fundada por Seleuco, foi um importante polo de difusão do Cristianismo. De acordo com a Bíblia, foi em Antioquia que os cristãos foram chamados por esse nome pela primeira vez. Está no livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por um filho ilustre da cidade: São Lucas, companheiro de viagem e amigo de São Paulo e autor também do Evangelho que leva seu nome, teria nascido na cidade, de acordo com as fontes históricas que dispomos.

Mas, em 20 de maio de 526, a tragédia se abateu sobre os antioquenses. O terremoto, que supõe-se tenha chegado a 7 graus na escala Richter, atingiu a cidade às seis da manhã. A destruição foi total: praticamente todas as casas e edifícios da cidade ruíram. Um dos poucos prédios que permaneceu de pé foi a Grande Igreja de Antioquia, construída no ano 327 por Constantino. Os antioquenses viram nisso um sinal divino, mas logo se decepcionaram, pois um incêndio ocorreu na cidade depois do terremoto e atingiu a Igreja, que desabou dois dias depois.

O número de mortos foi estimado em 250 mil, mais de metade da população da cidade à época. Muitos fugiram de Antioquia para nunca mais voltar, mas alguns resolveram ficar e reconstruir a cidade. A reconstrução estava a todo vapor quando, em 528, outro terremoto atingiu a cidade e matou 5 mil pessoas. Depois dessa, até os mais tenazes desistiram e a cidade foi praticamente abandonada.

Em 538 o que tinha restado da cidade acabou sendo destruído por Cosroes I da Pérsia. Justiniano a reconstruiu em 635, mas a cidade acabou indo parar na mão dos turcos muçulmanos. Porém, em 3 de junho de 1098, os cruzados, depois de um longo cerco, tomaram a cidade e massacraram sem dó nem piedade a população muçulmana. O revide veio com força, como o esperado, e tropas muçulmanas cercaram a cidade. Mas os cruzados resistiram bravamente, animados pelo (falso) encontro da lança do destino (a lança que teria ferido Jesus na cruz) em uma das igrejas da cidade.

Os cristãos venceram o cerco e foi criado o Principado de Antioquia, que sobreviveu em meio a muito sangue e guerras até 1268, quando os muçulmanos mais uma vez retomaram o controle da “Terra Santa”, dessa vez para nunca mais perderem.

principado_antioquia

Brasão do Principado de Antioquia. Bonito, né ?

Hoje a cidade se chama Antaquia e fica na Turquia, quase na fronteira com a Síria. Tem 180 mil habitantes.

Antakya

Vista da moderna Antakya

O Apocalipse, o fim do mundo, o julgamento final, o Armagedom, ou qualquer outro nome que você queira dar, já foi tema de vários posts aqui no Depokafé. Por exemplo: até hoje eu levo pancada de neo-pentecostais que tem a mesma interpretação de texto que uma ostra estragada e não entendem que neste texto aqui na verdade eu estava criticando os esotéricos que acreditam que o mundo vai para as cucuias em 2012 por causa do calendário maia e ficam vendo “sinais” em qualquer coisa que acontece.

Mas é forçoso reconhecer que eu estava errado. É um golpe para os meus leitores, eu sei, depois de ter acertado tantas profecias que fiz em 2008. O mundo está mesmo acabando. Eu iria até mais longe: o mundo já acabou, só esqueceram de mandar o email avisando todo mundo.

Só tem uma pequena diferença para o Apocalipse bíblico: ao invés de quatro cavaleiros do apocalipse (Morte, Guerra, Fome e Peste, se você não se lembra), nós temos na verdade três mulas do apocalipse: Júlia Paes, Sabrina Boing-Boing e Carol Miranda, unidas agora na banda “Sexy Dolls”.

Duvida ? Acha que eu estou exagerando ? Então veja o videoclip de “Teu Beijo”, (link aqui, se não estiver aparecendo aí embaixo) a primeira “música” da “banda” e tire suas próprias conclusões. Faça por sua conta e risco: eu não me responsabilizo por sintomas colaterais tais como apoplexia, anorgasmia ou vontade súbita de se suicidar.

Como bem disse o Walter Carrilho, o mais difícil é decidir o que é pior: a letra que faz qualquer professor de português ter espasmos nervosos, a coreografia mal ensaiada de cheeleader americana ou os beijinhos lésbicos mais falsos do que nota de 3 reais no final.

Se isso não for um sinal de que o mundo está acabando, meus perplexos leitores, eu não sei mais o que é. Estou indo agora mesmo confessar os meus pecados e viver em jejum e abstinência. O fim está próximo.

Homens e mulheres não se entendem desde Adão e Eva. Isso é um fato incontestável. Há acusações dos dois  lados: opressão masculina durante milênios, excessiva liberação feminina, etc, etc.

Pois agora o Depokafé vai colocar os pingos nos is. Vamos revelar agora a verdadeira diferença entre homens e mulheres. Ajeite-se na cadeira, meu caro leitor, minha nobre leitora.

estradiol

Estradiol, o hormônio feminino

testosterona

Testosterona, o hormônio masculino.

É essa a diferença entre você ter voz grossa e pelos pelo corpo e não seios e menstruação todo mês. É a diferença entre o hormônio masculino testosterona  C19H28O2 e o hormônio feminino estradiol C18H24O2

Um Carbono e quatro Hidrogênios. É toda essa a diferença entre homens e mulheres. Nunca um abismo foi construído com tão pouco, não é mesmo ?

E a série “Hoje na História” volta explosiva hoje, para relembrar os 107 anos da erupção que riscou uma cidade do mapa: a do monte Pelée, na Martinica, acontecida em 8 de maio de 1902.

Mas essa história começa um pouco antes. Cerca de dois meses antes da data fatídica, o Pelée já dava sinais que alguma coisa ia acontecer. Vapores e muita fumaça saíam da montanha. Mas, surpreendentemente, ninguém queria abandonar Saint Pierre, que era a capital da ilha e ficava aos pés do vulcão.

O governador de Martinica, preocupado com as eleições marcadas para o dia 10 de maio, mandou bloquear as saídas da cidade. Mas nem era preciso: não havia pânico entre a população de cerca de 30 mil habitantes de Saint Pierre. No dia 5 de maio um fluxo de lava saiu por uma das laterais da montanha e atingiu um engenho de açúcar, matando 100 pessoas. Mesmo depois disso, foram poucas as pessoas que tentaram fugir da cidade. O jornal local chegou a zombar da possibilidade de haver uma explosão vulcânica. Ah, se eles soubessem…

Então, as 07h49 da manhã do dia 8 de maio de 1902 um lado inteiro da montanha explodiu. O fluxo piroplástico teve a velocidade estimada de 1,5 Km por minuto e uma temperatura de 480 graus. A cidade não teve a mínima chance: em três minutos Saint Pierre foi simplesmente riscada do mapa. A cidade ardeu em chamas por 5 horas. Nenhum prédio se manteve de pé. Até barcos que estavam no porto foram atingidos. Pessoas morreram sufocadas pelas cinzas, queimadas pela lava, soterradas por escombros. Algumas chegaram a explodir, quando o calor fez seus fluidos internos ferverem. Dos 30 mil habitantes da cidade, somente dois sobreviveram.

saint_pierre

O que (não) sobrou de Saint Pierre depois da erupção

Sim, você não leu errado. Somente duas pessoas sobreviveram. Uma era um sapateiro que correu mais do que todo mundo. O outro era Auguste Ciparis, que estava preso em uma solitária aguardando execução. O local era pequeno e sem janelas, o que salvou a vida dele. Ciparis sofreu terríveis queimaduras e ficou preso durante três dias até que foi encontrado por equipes de resgate. Recebeu um indulto da sua pena e excursionou pelos Estados Unidos numa réplica da sua cela, como parte da trupe do circo Ringling Brothers.

celaciparis

A cela em que Auguste Ciparis estava preso

Saint Pierre foi reconstruída e hoje em dia tem 5 mil habitantes, que vivem do turismo. A cidade mantém um museu com lembranças da terrível tragédia. E o monte Peleé continua lá, impávido, só esperando para entrar em erupção de novo um dia. Ou não.

StPierre

Saint Pierre nos dias de hoje. Ao fundo, o monte Peleé

sino_saintpierre

No museu da cidade, um sino da catedral que explodiu na erupção

Na Biblioteca da Catedral de Exeter, na Inglaterra, há um livro curioso. Escrito no século XI, sua capa tem várias marcas redondas, provavelmente por que ele foi usado como descanso para copos (de madeira, como eram os da época) de cerveja. Também apresenta marcas como se tivesse sido usado como tábua para cortar pães e queijo.

Que livro é esse, que parece ter frequentado todas as tabernas da Idade Média ? É um livro de piadas, conhecido hoje  como Exeter Book.

Sim, piadas. Charadas, enigmas, essas coisas. Afinal, a vida na Idade Média não era nada fácil. Comia-se mal, morria-se cedo, as guerras eram constantes. Alguma coisa o pessoal da época tinha que fazer para se divertir, né ? Os nobres bebiam vinho e jogavam xadrez. Aos pobres, restava a cerveja, o jogo da velha e as piadas.

Então vamos ver se o nosso esperto leitor e a nossa sagaz leitora são capazes de acertar um enigma do Exeter Book. Não me decepcionem, vocês tem 9 séculos de vantagem…:)

Sou uma criatura estranha, pois satisfaço as mulheres…
Fico muito alto, ereto numa cama,
Sou peludo por baixo. De vez em quando
Uma linda garota, a brava filha
De algum homem, ousa me segurar
Aperta minha pele avermelhada, puxa minha cabeça
E me põe na despensa. E sempre que essa garota
De cabelos trançados que me confinou
Lembra do nosso encontro, seus olhos umedecem.

O que o enigma acima está descrevendo ? Deixe a sua resposta nos comentários. Vamos ver se você é mais esperto que alguém do século XI.

Próxima Página »