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Pensamentos ao vento

“Estou atrasado de novo !” – Adenilson Silva, 21, contínuo, universitário de Psicologia e neto amoroso, dois segundos antes de atravessar uma esquina sem olhar para os lados e ser atropelado por um ônibus.

“Não vai dar tempo !” – Severino Barbosa, 45, motorista de ônibus, churrasqueiro “oficial” da firma e ex-alcoólatra, ao tentar parar o coletivo que dirigia antes que atingisse um pedestre que apareceu do nada na sua frente.

“Motorista filho da puta !” – Verinha Almeida, 32, corretora de imóveis, contralto no coral da Igreja e nenhum acidente de trânsito na vida, antes de bater na traseira de um ônibus que freou bruscamente num cruzamento.

“Tinha que ser loira. Barbeira !” – Valdomiro Souza, 59, fiscal de trânsito, roncolho e pedófilo, ao ver um carro bater na traseira de um ônibus parado.

“Adoro homem de uniforme. Hummmm….” – Carlinha Pikninha, 22, garota de programa e mãe dedicada de uma futura bailarina, ao se virar para ver um fiscal de trânsito passar apressado para atender uma ocorrência na outra esquina.

“Garotinha nojenta” – Carolina Rerrera, 47, comerciante e fã de Roberto Carlos, gesticulando depois de esbarrar numa garota de saia curta e maquiagem carregada.

“Hahahaha. A gordinha ficou puta da vida” – Josenildo Françoaldo, 27, advogado e mestre em bondage, com especialização em Shibari, ao ver uma mulher acima do peso quase ser derrubada por uma jovem apressada.

“Aff, usando terno com esse calor. Isso é que é gostar de sofrer” – Clara dos Anjos, 15, estudante, leitora do Paulo Coelho e a oito meses de ficar dezoito horas em trabalho de parto do seu primeiro filho, ao passar por um engravatado sorridente.

“Ah, se eu tivesse idade…” – Ataxerxes de Almeida, 68, aposentado, diabético e torcedor do Santos, ao reparar nas belas pernas de fora de uma estudante com cara de enfezada.

“Velhinho tarado. Hehehehe” – Letisgo dos Santos, 24, motoboy, rapper e pai não conhecido de cinco filhos, ao reparar num velhinho reumático comendo com os olhos uma estudante gostosa.

“Odeio motoboys. Gentinha. Humpf.” – Isabelli Costa, 26, secretária bilíngue, estudante de bruxaria e homossexual enrustida, ao receber um maço de documentos e uma péssima cantada quase ao mesmo tempo.

“Gostosa ! Pena que não dá bola para mim…” – Marinaldo Coelho, 41, executivo, pai de três filhos e duas pontes de safena, ao dividir o elevador com a secretária bonitona do departamento em frente.

“Aí, seu Marinaldo já chegou e nada do Adenilson ! Desse jeito ele perde o emprego, coitado.” – Clotilde das Dores, 45, faxineira, filha-de-santo e casada com um jovem 20 anos mais novo, ao ver o chefe do seu departamento chegando.

“Sabia que esse moleque não ia durar muito tempo aqui” – Suzenildo Santiago, 34, ajudante de departamento de pessoal e com um câncer ainda não diagnosticado no pâncreas, ao preencher mais uma papelada de demissão.

“Espero que esse jovem aprenda a valorizar a pontualidade em seu novo emprego” – Josenilda Joaquim, 59, chefe de departamento de pessoal, ao assinar uma demissão e cinco minutos antes de receber uma ligação do IML.

Eu confesso, sou confuso

O Rica Perrone é um blogueiro de esportes. São paulino e com uma simpatia pelo Flamengo, para desgosto dos leitores acéfalos dele. Comenta sobre Fórmula 1 também, e apesar de ser uma típica “viúva do Senna”, tem até umas opiniões legais. E sim, já que este é um post confessional, vou começar pela introdução mesmo: eu torcia era pelo Piquet.

Na terça-feira o Rica escreveu um post dizendo que não tinha entendido o clássico renatorussoniano (adoro neologismos, vocês não ?)  “Faroeste Caboclo”. Não sei porque, o texto foi apagado do blog dele, mas está disponível na minha página de itens compartilhados do Google Reader.

O texto dele me inspirou a dizer algo praticamente inconfessável para alguém da minha geração: eu também não entendi “Faroeste Caboclo”.

E também não entendi o clipe de “Amor I love You”. Mas decorei o trecho de “O primo Basílio” que o Arnaldo Antunes recita no meio da música, se é que isso pode ser usado na minha defesa.

No campo do cinema, eu não entendi “Matrix”. E nem venha tentar me explicar as referências psicológicas, históricas, filosóficas, antropológicas, sociológicas ou tecnológicas do filme, que aí é que eu fico mais confuso mesmo. E, convenhamos, você encontra referências desse tipo até em “Branca de Neve” se você souber procurar. Aposto que a Naomi sabe várias. De cor e salteado (sempre quis usar essa expressão, sabia ?).

Ainda entre os filmes, eu confesso que precisei assistir duas vezes “Vanilla Sky” para entender o filme estrelado pelo garoto propaganda da Cientologia Tom Cruise. E só consegui entender da segunda vez porque eu já sabia o que acontecia no final…

Digo mais: eu sou nerd, mas não gosto de Star Wars. E não entendi até hoje qual a sequencia correta dos episódios. Nem porque tanta gente trata o filme como se fosse a oitava maravilha da sétima arte (trocadilho infame, eu sei). Pronto, falei.

Mas o cúmulo dos cúmulos é que eu precisei ver o making-off no DVD de “O fabuloso destino de Amélie Poulain” para perceber que o filme era todo em tons de verde e vermelho. Mas isso não me impediu de gostar do filme ou da Audrey Tatou. Quem disse que a gente só gosta do que entende ? Ignorância às vezes pode ser uma benção, meus caros.

Mas é nos livros a minha maior vergonha. Confesso que não entendi “O Senhor dos Anéis”. Pronto, podem me linchar. Só tenho a meu favor a desculpa que eu tinha que devolver o livro logo, que não era meu. Mas agora comprei e já li “O Silmarillion“, vou ler “O Hobbit” e depois relerei a grande obra de Tolkien. Se não enlouquecer no processo, eu pretendo entender tudinho, tudinho, até o ano que vem. Ou não.

É isso mesmo, eu não entendi ou não gosto de parte importante da cultura musical-filmística-literária ocidental que faz a cabeça de milhões de pessoas. Como se isso não bastasse, eu provavelmente sou a única pessoa na minha faixa de idade, no hemisfério ocidental, que jamais assistiu “Titanic”. Chupem essa manga !

E você,meu confuso leitor, minha perdida leitora, o que tem para confessar ? Diga aí nos comentários…

Um dia normal

Ela acordou com o despertador do celular tocando. Quem é ela ? Não interessa, é só uma anônima, não precisa de um nome. Quantos anos ela tem, o que faz da vida, em que cidade mora, nada disso importa. Se você quer ler algo com muitos detalhes, vá até uma biblioteca e pegue “Cem anos de solidão”.

Mas bem, ela acordou. Cambaleou até o banheiro e depois de lavar o rosto já estava mais parecida com um ser humano. Uma xícara de café e um pãozinho amanhecido com margarina com baixos níveis de colesterol foi todo o seu desjejum. Voltou ao quarto, que deixou arrumado mais rápido do que recruta novo com medo do sargento, uma troca de roupas, uma lufada de desodorante antitranspirante 24 horas de duração e uma escovada de dentes foi tudo o que ela fez antes de sair e pegar o elevador.

No elevador, a velinha do andar de cima reclamou de novo das dores nas costas, da diabete e da osteoporose. Ela escutou tudo, mas não ouviu. Meneou a cabeça afirmativamente algumas vezes e soltou alguns chavões automáticos. A velinha desceu no térreo, decepcionada. Queria só uma palavra de carinho, ou quem sabe um abraço. Claro, a velinha também não tem nome.

Na garagem, o cheiro de gasolina a deixou enjoada. Estava enjoando com facilidade por aqueles dias. Rezou uma prece muda, pedindo para não estar grávida. Pensou que deveria passar na farmácia e comprar um teste para confirmar. Mas não tinha tempo. Nem para o teste, nem para estar grávida.

O primeiro congestionamento do dia a alcançou – ou ela alcançou o congestionamento ? nunca saberemos – quinze minutos depois de sair. Presa no transito, ela se lembrou que comprar uma bicicleta estava entre as suas resoluções de ano novo. Paciência. Ia ter que adiar essa resolução para o ano que vem. Ou quem sabe para o outro…

Depois de um tempo absurdo perdido engolindo monóxido de carbono alheio, ela desvencilhou-se do trânsito. Acelerou para compensar o tempo perdido. Outros carros ficavam para trás. Fechou uma ou duas motocicletas, mas nem ligou para isso. Ela nem reparava mais nos motociclistas. Eles se transformaram nos mendigos do asfalto: todo mundo sabe que existem, mas não os veem a menos que estejam fazendo algo de errado. Ou atrasando o trânsito.

Chegou ao trabalho, milagrosamente, no horário. Deus existe e gosta de mulheres determinadas, pensou ela. Crachá no peito, passou pelos colegas de trabalho distribuindo sorrisos quem, em sua maioria, eram falsos e foi ocupar seu cubículo, exatamente igual às dezenas de outros que existiam naquela sala artificialmente climatizada.

Passou as próximas 4 horas entre telefonemas, planilhas, emails, xícaras de café e idas ao fumódromo. Um burburinho corria entre os colegas de trabalho, algo que dizia a respeito de corte de custos, fusão, demissão, mas ela não deu atenção. Ninguém em são consciência a demitiria. Era eficiente, determinada, e disposta a vender a própria mãe – e entregar – para subir na carreira. Quem demitiria uma funcionária assim ?

O almoço foi no restaurante a quilo a duas quadras do trabalho. Estava acompanhada das mesmas colegas do trabalho de sempre, a loirinha do cubículo ao lado e a gordinha da terceira fileira a esquerda, contando a partir da porta que dava para o elevador. Ou seria quarta fileira a esquerda ? Não importa. Comeu frugalmente, aturou por um tempo as colegas discutindo sobre namoros e dietas – onde mais uma vez exercitou a arte de escutar mas não ouvir – até que sua paciência se esgotou e voltou mais cedo ao trabalho. Não podia se dar ao luxo de ter uma hora de almoço. Era muito eficiente para isso. E, advinha ? Isso, as colegas de trabalho também não precisam de um nome.

O período da tarde foi basicamente igual ao anterior. A reunião agendada com o sub-gerente do Departamento de Marketing foi adiada. Parece que o tal sub-gerente havia sofrido um enfarte. Pena que Marketing não é a minha área, pensou ela. Era uma boa chance de promoção. Paciência. Um dia a sua dedicação e seu trabalho duro seriam recompensados por aquela organização. E o sub-gerente de Marketing é tão insignificante que eu nem preciso dizer que ele…bom, deixa para lá.

Às seis horas, quando saiu do trabalho, o transito estava ainda pior do que de manhã. Pena, não ia dar tempo de passar na farmácia. Quem sabe amanhã…

Chegou ao seu apartamento e a primeira coisa que fez foi tirar os sapatos. Deu um suspiro de alívio. Uma dor de cabeça forte a acometeu de repente. Não teve tempo nem de se levantar do sofá. Foi se sentido cada vez mais sonolenta, até que no fim foi tomada por uma paz quase intra-uterina, uma sensação de estar voltando para casa. Morreu ali mesmo.

Seu corpo só foi encontrado dez dias depois, quando arrombaram o apartamento. Ninguém havia sentido sua falta no trabalho ou no condomínio. Sua mãe já não ligava a anos. No enterro, a firma mandou uma coroa de flores das mais baratas e a gordinha da terceira ou quarta fileira, já disse que não importa, como representante. Quase na hora do enterro chegou um rapaz da Contabilidade. Ajudou até a carregar o caixão, e parecia deveras compungido. Nos dias posteriores a gordinha espalharia o boato de que ele era apaixonado por ela, mas que nunca tinha sido correspondido.

Agora o corpo dela descansa, supostamente em paz, num cemitério absolutamente normal, numa quadra sem graça e num túmulo padrão “não quero gastar muito com essa pessoa mas não posso deixar que seu corpo seja comido pelos cães”. Em algum lugar do Além, um Ser balança a cabeça negativamente, enquanto Outro faz mais um risco na parede…

Hoje, 18 de outubro, é dia do médico. Não por coincidência, também é o dia em que se comemora a festa de São Lucas, que foi médico.

A se acreditar na tradição, Lucas foi o autor do Evangelho que leva o seu nome e também da sua continuação, o Atos dos Apóstolos. É provavelmente o único autor não judeu de toda a Bíblia. Cristãos dos primeiros séculos – inclusive alguns que os católicos chamam de “pais da igreja” atestam que Lucas era grego, nascido em Antioquia, que hoje fica na Síria. Mas como um médico, grego e que nem estava na Judeia na época da vida de Jesus – até onde se sabe, pelo menos – acabou se tornando autor de dois livros da Bíblia ? Para entender isso, temos que começar pelos próprios textos que Lucas escreveu.

O Evangelho de Lucas é o único a se iniciar com um prólogo, dedicado a Teófilo, um personagem desconhecido. No prólogo Lucas diz que escreveu seu texto “depois de ter investigado tudo cuidadosamente desde as origens”. Isso faz o maior sentido, pois Lucas tornou-se um dos companheiros de viagem de Paulo, o grande divulgador do caminho de Cristo. A comprovação disso está no próprio Atos dos Apóstolos, que tem três passagens em que Lucas muda a narração de “eles” para “nós”, dando a entender que participou de algumas viagens de Paulo.

Como Paulo ia regularmente a Jerusalém se encontrar com os apóstolos, levar donativos para os pobres e dar contas do seu trabalho missionário, Lucas deve ter tido várias oportunidades de conversar com aqueles que tinham conhecido Jesus, ouvido suas pregações e visto seus milagres. Talvez influenciado pelas viagens de Paulo, Lucas organizou seu Evangelho como uma série de viagens, com Jesus primeiro pregando na sua terra natal, depois no resto da Judeia e chegando finalmente a Jerusalém, onde se dão os eventos dramáticos da Paixão de Cristo. Ele repetiu o mesmo esquema nos Atos dos Apóstolos, com a mensagem de Cristo sendo pregada primeiro na Judeia, depois nos arredores, indo parar na Grécia por obra de Paulo e chegando finalmente a Roma, a “capital do mundo”.

O Evangelho de Lucas tem outras particularidades interessantes. É o único a se ocupar da infância de Jesus, o que leva a crer que Lucas conheceu Maria em algum momento. Narra a anunciação de João Batista e os cânticos de Isabel e Maria, até hoje usados na liturgia católica. A escrita de Lucas também é impecável, seu vocabulário é rico e seu estilo se aproxima muitas vezes do grego clássico. Quase um terço dos versículos são os mesmos que encontramos em Marcos e Mateus e há pelo menos uma dezena de frases que se encontram tanto no Evangelho de Lucas como nas cartas de Paulo.

A associação, ou antes a amizade, entre Lucas e Paulo também é atestada pelas epístolas paulinas. Em três delas Lucas é citado. Em uma delas, Paulo chama Lucas de “o médico nosso amigo” dando a entender que ele era conhecido entre os (poucos) cristãos da época. Em outra, Paulo, preso, se queixa de solidão e afirma que “somente Lucas está comigo”.  E Lucas estava com ele em um momento dramático, quando ele foi preso em Jerusalém e enviado para Cesareia, capital administrativa da região na época. Como Paulo tinha o privilégio de ser “cidadão romano”, pois havia nascido em Tarso, uma das colônias administrada diretamente por Roma, apelou pelo julgamento do imperador e foi enviado à “Cidade Eterna”. Toda a história da viagem, com direito até a descrição do naufrágio da embarcação em que Paulo viajava, é contada em detalhes por Lucas.

Então segundo a tradição, Lucas foi um cristão do primeiro século, discípulo dos apóstolos, que viajou com Paulo, escreveu seu evangelho durante o período em que o incansável pregador esteve preso em Cesareia, aguardando para ser enviado a Roma, o seguiu quando o “apóstolo dos gentios” foi enviado para lá e escreveu os Atos dos Apóstolos, que terminam justamente com Paulo em prisão domiciliar em Roma, aguardando ser recebido pelo imperador. Tudo muito bonito e coerente, mas há algumas dificuldades ainda não superadas.

A primeira é porque, afinal, Lucas não esperou o fim da prisão de Paulo em Roma para terminar seu Atos dos Apóstolos. Depois de dois anos preso em Roma, ele foi libertado e viajou para a Grécia ou para a Espanha. Só depois, no auge das primeiras perseguições aos cristãos, ele seria preso novamente e morto em Roma, junto com Pedro. Porque Lucas não esperou ou pelo menos atualizou seus escritos depois disso ?

A segunda dificuldade diz respeito à crise entre os gálatas. Uma grave crise aconteceu entre os cristãos da Galácia, e Paulo chegou a repreender publicamente Pedro por acreditar que este estava se desviando da doutrina correta ao fazer distinção entre cristãos que tinham sido judeus anteriormente e os “gentios”. Paulo narra isso ele mesmo no capítulo 2 da carta que ele escreveu aos gálatas. Um acontecimento tão importante como este não poderia ter ficado de fora dos Atos dos Apóstolos, ainda mais escrito por um amigo de Paulo.

A terceira e última diz respeito à cronologia. Colocar a redação do Evangelho de Lucas na época que Paulo esteve preso em Cesaréia, o que dá mais ou menos no ano 59, faria dele o primeiro evangelho a ser escrito. Mas hoje há praticamente um consenso que Marcos foi o primeiro evangelho e que depois Mateus e Lucas usaram partes do seu texto – ou um texto ancestral, hoje perdido, chamado de “Manuscrito Q” – para seus escritos. Recuar o Evangelho de Lucas para 59 dC obrigaria a recuar Marcos para mais cedo ainda, o que é inviável para a maior parte dos estudiosos bíblicos.

Afora essa dificuldades, Lucas aparece sem contestação em todos os canones antigos, sendo citado já no ano 200 dC, então seu texto foi aceito desde o começo pelos cristãos. Uma antiga tradição, ou antes lenda, diz que Lucas também foi pintor e que teria pintado uma imagem de Maria em um pedaço de mesa que teria sido feita pelo próprio Jesus ! A pintura, conhecida como “Madona Negra”, hoje está em Czestochowa, na Polônia.

Lucas provavelmente morreu na Grécia, em Tebas, o que faria sentido, afinal ele era grego. Mas há quem afirme que ele chegou a ir para a Bitínia – que hoje fica na Turquia – e teria morrido lá, com mais de 80 anos, “sem filhos e repleto do Espírito Santo”.

Dois grandes livros foram escritos sobre Lucas. Taylor Caldwell passou praticamente metade da vida pesquisando a vida de Lucas e escreveu o monumental “Médico de homens e almas” um best-seller na época em que foi escrito. E Frank Slaughter, que também foi médico, escreveu o excelente “O caminho para a Bítinia“, com certeza o melhor livro que este blogueiro leu em toda a vida. E olha que eu já li muitos. O livro da sra. Caldwell é facilmente encontrado ainda, já o de Slaughter, somente nos sebos. Mas, se você tiver a oportunidade, não deixe de ler os dois livros e aprender mais sobre a fascinante vida do “médico nosso amigo”.

Xadrez, esporte nacional

Narrador: E então, amigos da Rede Bobo, estamos aqui para mais uma partida emocionante de xadrez entre Fulano da Silva e Beltrano de Souza, valendo pela terceira eliminatória do torneio de Xadrez de Pedra Lascada.

Repórter: A expectativa é grande por parte da torcida. E os dois contendores chegaram !

Narrador: E eles se cumprimentam. Fulano começa jogando. E ele mexe um peão no meio !

Comentarista: Ele sempre mexe o peão do meio, é sua abertura favorita…

Narrador (irritado): Beltrano está pensando….

Comentarista (cortando o narrador): Ele vai mexer a torre da esquerda…

Narrador (feliz): E ele mexe a torre da direita !

Repórter: Nessa mesma situação, ano passado, em Pedra Polida, jogando contra o Sicrano, o Beltrano mexeu a mesma torre…

Comentarista (nervoso): Ele vai perder o jogo por causa dessa bobagem…

Narrador: Agora é a vez de Fulano. Não acredito ! Ele fez um roque ! Um róóóóóóóóóóóóóóóóóóóóque !

Repórter: Inacreditável, o público foi ao delírio, teve um senhor na segunda fila que chegou a perder a dentadura…

Narrador: É um momento histórico ! Um roque ! Ninguém tinha previsto isso !

Comentarista (desdenhoso): Eu sabia que ele ia aprontar uma dessas, o Fulano é um gênio…

Narrador: E o Beltrano responde saindo com o bispo da direita…

Repórter: É uma jogada ousada, o público está com a respiração presa por aqui, é muita emoção.

Comentarista: Vai ser uma partida rápida, o Beltrano tá jogando muito mal hoje, vai perder logo…

(4 horas depois)

Narrador: E a situação do Beltrano é desesperadora. Ele já perdeu dois bispos, um cavalo e uma torre, e Fulano está prestes a conseguir uma promoção…

Repórter: Uma promoção com menos de cinco horas de jogo é inédita no confronto entre esses dois, nunca aconteceu…

Narrador: Nunca aconteceu ? E em dezembro de 2007, semifinais do Master Series da Vila Xurupita ?

Repórter: Aquela foi com 5 horas e 15 minutos…

Narrador (sem graça): É verdade. Qual peça ele vai promover ? (se dirige ao comentarista)

Comentarista: Ele vai promover um bispo, precisa defender a diagonal e…

Narrador (interrompendo): E ele promove uma torre ! Surpresa geral na sala, tem gente que não acredita no que vê…

Repórter: Aquele senhor da dentadura agora engoliu ela ao invés de cuspir…está sendo socorrido pelos paramédicos…

Narrador: Beltrano reage saindo com a rainha pela segunda vez. Ele está deixando o rei desprotegido de novo…

Comentarista: Agora não vai demorar muito, o Beltrano está fazendo besteira, todo mundo sabe que não pode sair com a rainha numa hora dessas, ele ficou louco…

(Mais três horas depois)

Narrador (empolgado) E está chegando ao fim mais uma partida entre Fulano e Beltrano. Depois de três xeques consecutivos, Beltrano está a beira de derrota…

Repórter: Beltrano está cansado de tanto se defender, acho que agora entrega o jogo…

Comentarista: O Beltrano começou a perder o jogo no início, quando o Fulano fez um roque, ele fico emocionalmente abalado depois daquilo…

Narrador: É agora. Fulano vai mexer, ele pega a rainha, movimenta em diagonal eeeeeeeeee é xeque mate !

Repórter: A torcida aplaude entusiasmada…

Narrador: Grande vitória do Fulano, o Beltrano, apesar da garra, não teve chances…

Comentarista: Fulano mereceu a vitória, foi mais agressivo o tempo todo, o Beltrano foi muito covarde, no 45º movimento, por exemplo…

Narrador (interrompendo): Não há tempo para mais nada, nosso tempo está estourado. Agora, direto da Esplanada dos Ministérios, mais um espetacular episódio de “Grama crescendo”. Agradecemos sua audiência e sua paciência, até a próxima !

Ideias para novos livros

Desde os tempos da Epopeia de Gilgamesh – que dizem ser o livro mais antigo do mundo, e também que influenciou a narrativa bíblica do Dilúvio – os livros mudaram muito, tanto na forma quanto no conteúdo. Hoje temos milhares de lançamentos todos os anos, nos mais variados gêneros e formatos, desde o “tradicional” livro de papel aos ebooks que, pelo jeito, vieram para dominar o mundo, apesar que eu acho que eles não vão ganhar essa luta facilmente – eu mesmo serei um dos recalcitrantes, adoro um “livro físico” que possa manusear e dispor como bem quiser.

Tudo parece estar indo bem, então. Pessoas cada vez mais tem acesso aos livros, e mesmo a Internet pode ser uma valiosa fonte de leitura. Há blogs por aí que são melhores do que “pérolas” da literatura (sic) brasileira como a Bruna Surfistinha, por exemplo. Mas há muita gente boa que acha que os livros estão ficando maiores, chatos e repetitivos. E eu concordo. Esse último lançamento do Dan Brown, por exemplo, nada mais é do que a mesma história que ele vem escrevendo desde “Anjos e Demônios”,  e que ele requentou – com um sucesso estrondoso, é verdade – em “O código daVinci”. Lamentável.

Por isso, num arroubo de altruísmo – afinal, eu poderia ficar com as ideias para mim, escrever os livros e ficar milionário – apresento abaixo dez ideias, nunca dantes exploradas, para novos livros. Se você for escrever algum, não esqueça de ler antes as minhas dicas de como NÃO escrever um livro. E boa sorte.

Dez ideias (inéditas) para um livro de sucesso:

O menino que roubava CDs: História de Abdelcáser, garoto iraquiano apaixonado por uma vizinha, que rouba CDs das tropas de ocupação americanas para fazer bailes e distrair seus vizinhos durantes os bombardeios. No fim, toda a família e os vizinhos morrem e ele se muda para a Nova Zelândia. Se quiser dar um tom mais moderno à obra, troque o título para O menino que roubava MP3 e faça as alterações necessárias no enredo.

Vidas Molhadas: Num futuro totalmente caótico pelas mudanças climáticas, retirantes catarinenses fogem do excesso de chuvas em seu estado e vão para o Nordeste, numa longa e penosa jornada através de um Brasil devastado. Dois finais possíveis: um feliz – a família se une cada vez mais durante a jornada, todos chegam em Sergipe e são felizes para sempre – ou morrem todos ao atravessar uma São Paulo pós-apocalíptica.

O Menino Normalzinho: Infantil. História de um menino muito levado que acaba irritando os pais com suas brincadeiras. Eles levam o garoto ao médico, que receita ritalina e rivotril para ele, que a partir de então passa a viver uma vida absolutamente normal e sem graça. Acrescente algumas ilustrações. Se fizer um bom trabalho, pode até ser adotado nas escolas, para ser lido por crianças na mesma situação…

Cem anos de agitação: Conta um século da história dos Bueno, tradicional família luso-brasileira de organizadores (hoje em dia, “promoters”) de festas, desde quando o patriarca organizou o grande Baile da Ilha Fiscal até as primeiras “raves” no alvorecer da década de 90 do século passado. Faça uma boa pesquisa histórica para escrever sobre festas importantes, como a da inauguração de Brasília, por exemplo. No final, mate o último dos Bueno com uma overdose de ecstasy.

O diário de Ana Francisca: Romance histórico baseado na vida de Ana Francisca Rosa Maciel da Costa, 1ª baronesa de São Salvador de Campos de Goitacazes. Escrito em forma de diário, narrado em primeira pessoa pela personagem do título, descrevendo seus onze partos e sua altercação famosa com a Marquesa de Santos, que deve ser o ponto alto do livro. Enriqueça a história com tintas dramáticas, inventando uma vingança da amante do imperador pela desfeita e faça Ana perder todo o dinheiro, luxo e pompa. No final, depois de muita luta, ela recupera os bens da família e todos vivem felizes para sempre.

Frida: Esotérico. História de uma adolescente alemã que acha que é uma bruxa reencarnada e que pede ajuda a um bruxo proscrito que só quer transar com ela. Insira uma bruxa boa e sábia que tenta aconselhar Frida e, se quiser ser polêmico, termine com um relacionamento lésbico entre elas. Referencias à Deusa e ao Paulo Coelho serão necessárias, então é bom ler uns livros do gênero antes de começar a escrever.

Tom e eu: História narrada em primeira pessoa por um filhote de cachorro da raça labrador, que é abandonado e adotado por um malvado chamado Tom.  Conte como é ter o pior dono do mundo, que prende o cachorro o dia todo, só serve ração de péssima qualidade e ainda quer castrá-lo. Termine a história com o filhote fugindo da casa de Tom e sendo adotado por um casal chamado John e Jenny.

Christyellen S., 11, funkeira e prostituída… Polêmica história da personagem título, que começa ainda na infância a ouvir axé e pagode com os amigos, e chega ao fundo do poço ao subir os morros para frequentar bailes funks e se prostituir. No final, ela se recupera quando sua mãe a manda para a casa de uma tia em Goiás e ela começa a ouvir música sertaneja. Deixe o final em aberto para possíveis continuações.

O garoto das tangerinas: Georgina, garota nórdica de olhos azuis e cabelo cor de trigo, encontra uma carta escrita pela sua mãe já falecida em que ela narra como conheceu seu pai, que vendia frutas cítricas importadas do Brasil em Estocolmo, Copenhague ou Reykjavík, tanto faz. Acrescente algumas frases de efeito e pitadas de “filosofia popular”, mas para isso talvez seja melhor fazer uma faculdade primeiro, o que não é problema, já que sempre sobram vagas para Filosofia mesmo…

Êxitos em série: Infanto-juvenil (ainda existe essa classificação ?) História de três irmãos que vivem na mais absoluta pobreza, e que acabam órfãos. Mas ficam pouco tempo no orfanato e são adotados por um casal riquíssimo de aventureiros que estão fazendo uma volta ao mundo e passam a viver uma vida cheia de brinquedos, comida e viagens por lugares excitantes e diferentes. Talvez seja melhor planejar a história como uma série, talvez uma trilogia ou heptologia.

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Aos leitores habituais: não se preocupem, eu não vou transformar o Depokafé num blog só de tirinhas. Meus textos voltam em breve, e com uma promoção para a minha meia dúzia de féis leitores. Aguardem.

Nasce um grande cartunista…ou não…

Pode parecer estranho para os mais jovens, mas houve uma época em que a economia no Brasil era uma bagunça. Nossa moeda perdia três zeros ou mudava de nome numa velocidade que ficava difícil de acompanhar, o que não agradava (quase) ninguém. Acho que só os numismáticos gostavam dessa situação. A inflação, então, chegava até as alturas. Todo mundo recebia o salário e corria para gastar antes que desvalorizasse o que, é claro, só gerava mais inflação. E os planos econômicos, com nomes nada criativos (Cruzado, Cruzado II, Bresser, Verão) não ajudavam em nada. Tempos difíceis aqueles.

Em 1988, no meio de mais uma crise econômica, o presidente era um certo “escritor” maranhense que só tinha chegado à presidência porque cancelou uma viagem à Paris em 1973. Enquanto isso, em Minas Gerais, Raimundo Nonato Alves da Conceição, conterrâneo de Sarney, havia perdido o emprego de tratorista. Aos 28 anos, não conseguiu outro emprego e culpou o presidente pela recessão e desemprego. Então ele decidiu que ia matar o presidente. Jogando um avião sobre o Palácio do Planalto.

Raimundo podia ser um simples tratorista, mas não era ingenuo. Ele viajou três vezes entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro e constatou que em nenhum dos dois aeroportos havia revista nas bagagens. Depois disso, foi só comprar um revólver – um 32 – e embarcar. Mais simples, impossível. E o Bin Laden gastou anos treinando os seus homens nos Estados Unidos para fazer praticamente a mesma coisa que um  tratorista brasileiro desempregado planejou sozinho.

O voo 375 da hoje extinta VASP fazia o trajeto Porto Velho – Rio de Janeiro. Foi esse voo que Raimundo pegou, em Belo Horizonte, no dia 29 de setembro de 1988. Às 10h52 o avião, um novíssimo Boeing 737-300, com quase 100 passageiros, decolou rumo ao Rio de Janeiro. Mas Raimundo tinha outros planos para esse voo…

Ia tudo bem no voo. Os pilotos e os passageiros almoçaram, e o avião já havia entrado no espaço aéreo do Rio de Janeiro quando Raimundo se dirigiu até a cabine de comando. Um comissário tentou impedi-lo, mas Raimundo atirou nele, acertando a orelha – e só não o matou por centímetros. A tripulação na cabine – o piloto, o co-piloto e um terceiro tripulante que viajava para o Rio para fazer um treinamento – fechou a porta, mas Raimundo atirou cinco vezes na fechadura, tentando abri-la. Um dos tiros atingiu o tripulante extra, Gilberto Renhe, na perna. Sem alternativa, o comandante, Fernando Murilo de Lima e Silva (será que ele era parente do Duque de Caxias ?) abriu a porta da cabine. Raimundo entrou e ordenou que o avião mudasse de rumo para Brasília, o que Murilo fez na hora, não sem antes avisar, via um código no trans-poder, que o avião havia sido sequestrado. Quando a torre de comando pediu para o avião confirmar a mudança de rota, o co-piloto Salvador Evangelista se abaixou para pegar o fone e responder. Mas Raimundo, ainda nervoso com o tiroteio, o matou a sangue-frio, com um tiro na cabeça.

O comandante Murilo ficou então numa situação desesperadora. Seu co-piloto estava morto, dois tripulantes feridos, e ele não tinha certeza se haveria combustível para chegar até Brasília. E, só para ajudar, decolou da base de Anápolis um caça Mirage III para “escoltar” o seu avião. Ou derrubá-lo, se fosse preciso. Mas tudo que está ruim pode piorar, como diz o ditado. Raimundo revelou para ele que pretendia jogar o avião contra o Palácio do Planalto.

Mas a sorte começou a virar quando o Boeing chegou à Brasília. A cidade estava muito nublada, e Murilo conseguiu enganar o sequestrador dizendo que não dava para ver o Palácio do Planalto e nem pousar no aeroporto de Brasília. Ficou acordado então que eles iriam pousar em Goiânia. Era o limite do que o comandante acreditava que tinha de combustível. Mas, quando ele já se preparava para pousar, Raimundo mudou de ideia. Queria ir para São Paulo. Estava completamente louco. Murilo então resolveu arriscar. E fez algo tecnicamente impossível: um tonneau, ou seja, um giro completo sob o eixo da aeronave. Ele pretendia derrubar o sequestrador, que estava de pé na cabine.

Fazer um tonneau com um Boeing 737-300 é algo totalmente fora de cogitação, nunca tentado e antes e nunca repetido depois por ninguém. Mas Murilo, desesperado, executou a manobra. Raimundo se segurou e não caiu. Com uma turbina falhando por falta de combustível, Murilo emendou um “parafuso” logo depois do tonneau. Entre os passageiros, reinou o pânico. Alguns acharam que o sequestrador tinha matado o piloto e que o avião estava descontrolado. Outros acharam que o caça da FAB tinha atirado no avião. Apesar da situação desesperadora, Murilo conseguiu se recuperar do parafuso e pousou em segurança em Goiânia. Seu objetivo não tinha sido alcançado. Apesar de ter caído durante o parafuso, Raimundo se recuperou rapidamente.

O que aconteceu depois que o avião pousou foi, como o Brasil na época, confuso. Raimundo queria que o avião fosse reabastecido para ir à Brasília, mas o Boeing estava danificado depois das peripécias de Murilo. Depois de muita negociação, já era noite quando ele concordou em embarcar num Bandeirante cedido pela Polícia Federal. Mas era tudo uma armadilha, montada por ninguém menos que o hoje político Romeu Tuma, na época delegado da PF. Mas o plano deu errado. O agente que estava dentro do avião para render Raimundo acabou se precipitando e atirou antes da hora. Raimundo revidou, atirou para todos os lados e acabou atingindo Murilo na perna. Foi atingido também. Preso, foi levado para um hospital.

Raimundo não foi atingido gravemente. Dois dias depois, chegou a dar entrevistas algemado no leito do hospital. Então, subitamente, morreu. É, morreu. Sua morte foi tão estranha que os legistas do hospital se recusaram a assinar o atestado de óbito. Foi chamado então de São Paulo o legista Fortunato Badan Palhares, que estava na “crista da onda” por ter identificado os restos mortais do Josef Mengele. Ele disse que Raimundo havia morrido de uma infecção porque era portador de uma doença chamada anemia falciforme. Na época todo mundo acreditou. Só tempos depois que ele foi acusado de ter forjado o laudo de morte do PC Farias. Se você está pensando em “queima de arquivo”, não é o único, meu sagaz leitor, minha esperta leitora…

E, como tudo no Brasil, o herói da história acabou esquecido. Trabalhou mais alguns anos na VARIG, até que ela mudou os aviões que usava e mandou todos os pilotos antigos embora, Murilo incluído. Aposentado a contra gosto, hoje ele mora no Rio de Janeiro, e ninguém mais lembra dele. E o Sarney foi quem se deu melhor nessa história toda. Como sempre, aliás.

<TIRANDO AS TEIAS DE ARANHA DO BLOG>

Cof, cof, cof…

A maior não-notícia automobilística dos últimos tempos foi a permanência de Nelsinho Piquet na equipe Renault. Teve quem reclamasse, e com razão na minha opinião, que a Globo precisa perder essa mania de querer ser a “porta-voz” não-oficial do Brasil e que as pessoas tem que se acostumar que a toda poderosa também erra as vezes…

Pouca gente se lembra, mas antes de ser Renault a equipe se chamava Benetton. E que em 1991 fez algo inédito até então: contou com dois pilotos brasileiros. Foi a primeira vez que isso aconteceu em uma equipe estrangeira, já que os irmãos Fitipaldi e a sua Copersucar já tinham feito isso na década de 70.

Piquet tinha ido para a Benetton em 1990, vindo do fiasco vivido na Lotus no ano anterior. Nas duas últimas corridas daquele ano ele fez dupla com Roberto Pupo Moreno, que substituiu Alessandro Nanini, que havia sofrido um acidente aéreo e perdido um braço (que depois foi reimplantado !). Naquele ano, no GP de Susuka, no Japão, aconteceu  uma dobradinha com Piquet em primeiro e Moreno em segundo. Teríamos que esperar até 2007 para ver outra dobradinha dessas na Fórmula 1…

Para 1991, a Beneton manteve a sua dupla de pilotos brasileiros. Isso motivou até um comercial bem bacana da Pirelli, que fornecia pneus para a escuderia, vejam só:

O carro, inclusive, chegou a ser pintado de verde, azul e amarelo, em homenagem ao Brasil. Ficou lindo.

Benetton-Ford

Nelson Piquet pilotando a Beneton em 1991

Aliás, a Benetton sempre teve carros muito bonitos. O de 1990 foi, na minha opinião, um dos mais bonitos F1 de todos os tempos.

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A belissíma Benetton de 1990

Mas, voltando à 1991, foi nessa temporada que Nelson Piquet conquistaria a sua última vitória na Fórmula 1, no GP de Montreal, no Canadá. Mas alegria de pobre dura pouco. Nas cinco últimas corridas daquele ano Roberto Moreno foi substituído por um tal de Michael Schumacher, que estava na Jordan. Numa situação bizarra, Moreno acabou indo substituir Schumacher na equipe de Eddie Jordan. Foi literalmente um troca-troca de pilotos. No final daquele ano, já com o bolso cheio de grana e três títulos mundiais, Piquet se aposentaria da Fórmula 1. Como vocês podem ver, Nelsinho está a perigo. O diretor da Benetton daquela época era o mesmo de hoje: Flavio Briatore…

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