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J de vingança

Era uma vez um casal de classe média, Juliana e Jairo. Na primeira gravidez Juliana teve gêmeas: Josefina e Joaquina. Como se percebe, era um casal sem muita imaginação.

Pouco imaginativos mas antenados com as modernas teorias psicológicas para criação de filhos, o casal fez questão de criar suas filhas de forma independente, sem que uma precisasse ser a cópia da outra. Por causa disso, Josefina e Joaquina cresceram bem diferentes.

Josefina era quieta, introspectiva, estudiosa e tímida. Joaquina era o oposto: alegre, carismática, limitada e namoradeira. Mas as duas se deram bem até a adolescência.

A coisa começou a mudar quando as duas, por pressão dos pais, prestaram vestibular para Medicina. Na bolsa de apostas da família, todo mundo apostava que Josefina ia passar. Mas quem passou, para a surpresa de todos, foi Joaquina, o que fez a alegria de Jonas, o avô das duas, que ganhou um bom dinheiro com as apostas.

Enquanto Josefina se esfalfava doze horas por dia num cursinho para tentar novamente o vestibular, Joaquina não dava muita importância ao curso, para desespero da sua irmã. No ano seguinte, Josefina não conseguiu passar de novo e teve que se contentar com Enfermagem, sua segunda opção. Mas a grande notícia do ano foi quando Joaquina anunciou, na noite de Natal, que iria trancar o curso para se casar com José, 20 anos mais velho do que ela e imensamente rico.

Essa última desfeita acabou com a amizade das irmãs. Nos anos seguintes, Josefina se formou em Enfermagem. Rígida, perfeccionista e detalhista, ela facilmente conseguiu um bom emprego num dos melhores hospitais da cidade. Enquanto isso Joaquina levava uma vida de dondoca e teve dois filhos: João e Juliana, o que prova que a falta de criatividade pode ser genética.

Joaquina engravidou de novo, mas uma complicação no parto a levou a fazer uma cesárea no hospital em que sua irmã trabalhava. Mas houve um problema com a anestesia e ela entrou em coma após o parto de Jeferson. Josefina, demonstrando que havia esquecido das rusgas do passado, cuidou com muito desvelo da irmã. Quando os médicos decretaram que a morte cerebral de Joaquina era irreversível, ela tomou para si a penosa tarefa de desligar os aparelhos de suporte à vida da irmã.

A família ainda se recuperava da tragédia quando Josefina anunciou que ia se casar com seu ex-cunhado José e assumir a criação dos três filhos da irmã. Ela foi uma madrasta exemplar para as crianças, até que engravidou pela primeira vez.

Sua gravidez ia adiantada quando João começou a apresentar graves problemas de saúde. Diarreia, vômitos e sangramentos. Josefina cuidou com carinho de seu enteado, não saindo do lado da sua cama por dias, mas nem seus cuidados nem os melhores médicos puderam evitar a morte precoce do menino.

A dor pela perda de João foi amenizada pelo nascimento, na semana seguinte, de Joaquim, o primeiro filho de Josefina e José. E logo a família se confortou ao tipo de existência feliz que cerca uma criança em crescimento.

Mas a felicidade não duraria muito. Menos de um ano dos trágicos eventos havia se passado quando Juliana, num descuido da babá, acabou morrendo atropelada por um Trabant azul. A polícia chegou a prender o jornalista Flavio Gomes para averiguação, mas como ele tinha um excelente álibi – estava postando no Twitter – foi liberado. E ninguém acabou punido pelo atropelamento, o que infelizmente acontecia no Brasil naquela época.

A dor da perda de Juliana fez com que José levasse toda a família para morar em uma das fazendas que ele tinha no sertão de Goiás. E os anos se passaram felizes. Josefina, por insistência de José, engravidou de novo e teve uma menina, batizada, a contragosto dela, de Joaquina. Tornou-se uma excelente mãe para seus dois filhos e uma boa madrasta para Jeferson. Fazia trabalho voluntário no único posto de saúde da pequena localidade onde estava a fazenda e era adorada pelos empregados.

E então, como o tempo passa rápido, os três já eram adolescentes. Jeferson pensava em fazer faculdade de Administração para tocar os negócios do pai, já velho e aposentado, quando apareceu morto com uma seringa ainda enfiada no braço. Overdose por heroína foi a causa declarada da sua morte, para espanto de todos, que não sabiam que o garoto era viciado nem que existia heroína no sertão de Goiás. Depois de mais essa perda trágica, José não durou muito tempo e também morreu, “de tristeza” como disse depois Josefina.

Josefina levou os filhos de volta para a “cidade grande”. Para seu orgulho, os dois se formaram em Medicina. Joaquim se tornou andrologista e Joaquina dermatologista. Ela viveu muitos anos e morreu em casa, cercada pelos filhos e netos.

Durante o inventário, Joaquim encontrou entre os papéis de sua mãe uma carta endereçada a ele. Depois que a leu ele passou várias horas pensando sozinho. Em seguida queimou a carta. Na semana seguinte, a tragédia se abateu novamente na família: o carro em que sua irmã Joaquina, seu marido Jobson e sua filha Julieta estavam perdeu os freios, caiu numa ribanceira e todos os ocupantes morreram, tornando Joaquim o único herdeiro da fortuna da família. Em algum lugar do Além, Josefina sorriu. Podia ter demorado, mas seus planos deram certo.

PS: Meus penhorados agradecimentos à @dehcapella, @fwtoogood e @lunaomi pela ajuda com os nomes dos personagens pelo Twitter.

Sobre epifanias e telefones

Sexta-feira, 18 de dezembro de 2009, por volta das cinco da tarde. Uma das salas da escola técnica de Osvaldo Cruz. Dia abafado, ar condicionado funcionando a todo vapor. E lá estava eu, suando em bicas, praticamente sozinho – só os vigias estavam rondando pelo local – debugando uma macro VBA na versão de desenvolvimento da minha principal planilha – ou, dizendo de modo mais inteligível, resolvendo um problema complexo numa planilha do Excel – quando, subitamente, tive uma epifania.

Uma epifania, um “insight”, uma revelação, chame como quiser. A minha primeira reação foi uma indisfarçável surpresa. Afinal, eu pensava que isso só aconteceria depois de anos, décadas, de meditação, jejum, abstinência sexual e mortificação corporal. E num lugar apropriado, claro: uma cela úmida de alguma abadia, um templo religioso qualquer ou algum lugar “de poder” como debaixo de uma figueira sagrada, por exemplo.

Mas o fato é, que contra todas as possibilidades, eu estava ali, tendo uma epifania. E não era uma epifania qualquer, era “A” epifania. Subitamente, as respostas de todos os problemas do Universo estavam na minha cabeça. Desde porque afinal as mulheres vão acompanhadas ao banheiro até a Teoria do Campo Unificado, estava tudo ali, incluindo a Pergunta Fundamental cuja resposta é 42.

E era tudo tão terrivelmente simples que chegava a ser óbvio. Agora tudo ia dar certo no mundo. Eu seria feliz, você seria feliz, e a vida de todo mundo seria uma festa. E o melhor, ninguém precisaria morrer crucificado dessa vez, nem nada disso. A Teologia, a Filosofia, a Antropologia, a Sociologia, a Psicologia e muitas outras “logias” tinham acabado de ficar obsoletas.

Mas, antes que eu pudesse contar a alguém, ou anotar num pedaço de rascunho, ou mandar um twetter, ou telefonar, ou fazer um post no blog, o telefone tocou. E a epifania se foi. Durou uns 30 segundos, um minuto, no máximo. Foi tão rápida como chegou, deixando a sensação que eu era indigno de tamanha honraria.

Por isso se você está hoje aí, na merda, cheio de dúvidas existenciais como, por exemplo, se Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais, pode culpar a mim. Eu tive as respostas, eu tive “A” resposta,  me distraí e ela se foi. Pode me xingar aí nos comentários, eu mereço.

E chegou a hora mais aguardada pelos seguidores fãs leitores do Depokafé. A hora do balanço das previsões, profecias e chutes para 2009.

Assim como no ano passado, eu fui muito detonado por infiéis que não compreendem a forma peculiar das minhas profecias. Paciência. Nenhum profeta jamais foi reconhecido em vida mesmo. E, num mundo que não consegue enxergar os sinais óbvios do fim, isso era mais do que previsível. Eu mesmo poderia ter previsto isso, se é que não o fiz e esqueci.

Então, sem mais delongas, vamos aos acertos nas previsões para os esportes.

Acertei os campeões estaduais nos seguintes estados: Bahia, Ceará (acertei o vice também), Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Assim como em 2008, sete acertos, incluindo todos os grandes centros futebolísticos do país. Nada mal, hein ?

No Brasileirão, acertei o terceiro lugar do glorioso São Paulo FC. Acertei ainda, fora da ordem, Palmeiras, Grêmio e Internacional.

Já entre os rebaixados, acertei dois de quatro: Náutico e Sport.

A final da Copa Libertadores da América será entre um time brasileiro e um argentino. E vai ganhar o time argentino.

Essa eu acertei na mosca. Tremei, infiéis !

Entre os países europeus classificados para a Copa do Mundo da África do Sul, acertei oito entre treze: Portugal, Grécia, Alemanha, Espanha, Inglaterra, França, Itália e Holanda.

Um jovem piloto de Fórmula 1 vai sofrer um grave acidente em uma corrida na Europa e ficará afastado até o final do ano.

Essa minha profecia para a Fórmula 1 também foi certeira. Pena que foi com o Felipe Massa, que é boa gente…

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Nas previsões para o Brasil, poucos acertos. Acertei a morte de um importante senador – Jeferson Peres. Outros acertos: a popularidade do presidente Lula continuou em alta, mesmo com a tal “crise econômica”, e um deputado federal foi cassado. Sim, acredite, isso aconteceu, é só procurar: Juvenil Alves Ferreira Filho (PRTB-MG) foi cassado. Acredite, se quiser.

Nas previsões para o mundo, só um acerto: a Suíça resolveu apertar o cerco contra a lavagem de dinheiro em seu país e colaborou com o governo americano em um caso gigante de lavagem de dinheiro. Tive também um quase acerto: a famosa Christiane F. não morreu. Só perdeu a guarda do filho mesmo…

Já nas previsões sobre as celebridades e nerds, um acerto na mosca: os netbooks estouraram nas vendas. Um quase acerto foi a saída do ForumPCs do IG para o Terra. Eu tinha previsto que seria para o UOL. Posso considerar essa previsão 50 % certa. Já o bug no Internet Explorer 8 doze horas logo após o lançamento eu nem vou contar como acerto, porque isso era óbvio…

Então foi isso. Fora alguma mudança de última hora nessas duas últimas semanas do ano, esse foi o balanço das previsões, profecias e chutes para esse ano que hora se encerra. Ano que vem tem mais. E no outro também. Em 2012 eu já não garanto, pode ser que o mundo acabe…

Encerrando a série de profecias e previsões do Depokafé para 2010, vamos hoje ver como será o antepenúltimo ano desse planeta, afinal o mundo acaba no fim de 2012. Então sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Personalidades importantes que morrerão em 2010: Linda Blair, Mikhail Kalashnikov, Diane Keaton,  Gérard Depardieu, Mikhail Gorbachev, Jean Reno, Giovanni Battista Re e o Papa Bento XVI.

O novo Papa será um cardeal italiano, começando a cumprir assim a profecia de São Malaquias.

A perseguição religiosa aumentará em 2010. A IURD será processada em Portugal, a Cientologia na França e na Alemanha, a Opus Dei estará sob suspeição na Espanha, haverá um massacre de protestantes na África e a Igreja Católica terá graves problemas na China. E é só o começo, a coisa vai piorar conforme 2012 se aproximar…

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Temporada fraca de furacões em 2010. Mais um de grande intensidade arrasará um conhecido destino turístico no Caribe.

As enchentes decorrentes das monções serão as piores de todos os tempos em Bangladesh. A Índia sofrerá também com as chuvas.

O vulcão Vesúvio irá começar a entrar em erupção no final do ano, mas a grande erupção mesmo só virá em 2011. Poucos morrerão, mas Nápoles será destruída.

A presidente da Argentina sofrerá um pedido de impeachment, mas não vai perder o cargo.

A crise econômica e as reformas pretendidas por Barack Obama farão com que a sua popularidade chegue ao final do ano num nível baixíssimo.

Um atentado terrorista que vai matar centenas de pessoas vai atingir um pais do leste europeu.

O Iraque perderá um pedaço do seu território e será criado o Curdistão.

A Turquia irá reconhecer o genocídio armênio.

Israel atacará “preventivamente” as instalações nucleares do Irã. Mas a guerra entre os israelenses e o mundo árabe ficará para 2011, porque isso acontecerá no final do ano.

As “dores do parto” de 2012 já começarão a ser sentidas pelo subconsciente da população. Por isso o número de suicídios crescerá em todo o mundo, em todas as classes sociais. Em consequência disso, as vendas de antidepressivos irão aumentar, e grandes empresas farmacêuticas internacionais irão comemorar.

E, com essas previsões, infelizmente não muito boas, o Depokafé encerra suas profecias, previsões e chutes para 2010. Amanhã, o balanço das previsões para 2009. Não percam.

Conforme prometido ontem, o Depokafé colocou a bola de cristal para funcionar mais uma vez e apresenta agora as suas previsões, profecias e chutes para 2010 nesse querido Brasil varonil.

Começando pela política:

Dilma Roussef será eleita presidente do Brasil no segundo turno.

O PT fará seis governadores, sendo que um deles será num estado que nunca foi governado pelo partido.

O PMDB continuará sendo a maior bancada na Câmara e no Senado.

O prefeito de uma importante metrópole brasileira será envolvido num escândalo de corrupção, mas não será cassado.

Um importante deputado irá morrer durante a campanha ou logo após a eleição.

Falando em mortes, os seguintes atores/atrizes brasileiras irão morrer em 2010: Stepan Nercessian, Lady Francisco, Tato Gabus Mendes, Hebe Camargo, Antonio Abujamra, Maria Alice Vergueiro e Cecil Thiré.

Falando em celebridades, Xuxa terá seu programa semanal cancelado pela Globo no segundo semestre. Mas essa não será a grande notícia sobre celebridades tupiniquins no ano.

Porque Angélica e Luciano Huck vão se separar. Essa vai ser o filé-mignon dos sites de fofocas no ano.

Grandes fatos policiais do ano serão:

A condenação do casal Nardoni pela morte de Isabela.

Champinha será encontrado morto.

Adriana Almeida será condenada pela morte de Reneé Senna.

Um confronto entre policiais e traficantes no Rio de Janeiro deixará gravemente ferida uma celebridade nacional, mas ela não vai morrer.

Paula Oliveira será condenada a três anos de prisão pela justiça suíça.

E, por último, mas não menos importante, falemos de clima e tragédias em geral.

Uma estiagem prolongada atingirá a região Norte do país.

As enchentes em São Paulo ficarão mais graves por causa das novas faixas da Marginal Tietê.

As chuvas em Minas Gerais farão desabar parcialmente uma das igrejas em que existem obras de Aleijadinho, que serão perdidas.

A morte chocante de uma criança de 7 a 10 anos irá indignar o país no primeiro semestre.

Um furação similar ao Catarina atingirá o Rio Grande do Sul.

E por hoje é só. Voltamos amanhã com as previsões para o mundo. Não percam !

E o Depokafé está de volta com as suas tradicionais profecias, previsões e chutes para 2010. Depois do sucesso das previsões de 2008, das previsões para 2009 (o balanço será feito até o fim de semana, aguardem, acertei bastante esse ano também), nós polimos a nossa bola de cristal e partimos para mais uma rodada das melhores profecias da microblogosfera brasileira. E, para começar, as previsões mais aguardadas de todas, as de esportes. Ainda essa semana saem as previsões para o Brasil e o mundo, e o balanço das previsões desse ano. Como diria quem disse isso, quem viver, verá ! Ou não…

Previsões, profecias e chutes para 2010: esportes

Começando pelos tradicionais, defasados e pouco empolgantes campeonatos estaduais, os campeões de 2010 (e vices em alguns estados) serão:

Acre: ADESG

Alagoas: CRB

Amapá: Ypiranga

Amazonas: Fast Clube

Bahia: Vitória

Ceará: Fortaleza. Vice: Ferroviário

Distrito Federal: Gama

Espírito Santo: Jaguaré

Goiás: Atlético Goianiense

Maranhão: Sampaio Correa

Mato Grosso: Operário

Mato Grosso do Sul: CENE

Minas Gerais: Atlético Mineiro. Vice: Cruzeiro

Pará: Remo

Paraíba: Treze

Paraná: Atlético Paranaense. Vice: Paraná

Pernambuco: Sport. Vice: Náutico

Piauí: River

Rio de Janeiro: Fluminense. Vice: Vasco

Rio Grande do Norte: ASSU. Vice: Alecrim

Rio Grande do Sul: Grêmio. Vice: Internacional

Rondônia: Vilhena

Roraima: Atlético Roraima

Santa Catarina: Figueirense

São Paulo: Santos. Vice: Palmeiras

Sergipe: Itabaiana

Tocantins: Tocantinópolis

Na Copa do Brasil, o campeão será o Grêmio. O vice será um time da região Centro-Oeste ou Nordeste.

No Campeonato Brasileiro, vulgo Brasileirão, os sete primeiros colocados serão: Internacional, São Paulo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Palmeiras, Atlético Paranaense e Vasco.

Os rebaixados no Brasileirão serão: Avaí, Corinthians, Barueri e Atlético Goianiense.

Outros campeonatos nacionais e seus campeões: Itália: Inter de Milão. O Chievo Verona vai conseguir uma vaga na Liga da Europa. Espanha: Real Madrid. Alemanha: Bayern de Munique. Portugal: Benfica. França: Montpellier.

Na Copa Libertadores da América, um time brasileiro estará na final, mas irá perder novamente. Esse time NÃO será o Corinthians, que será eliminado nas quartas de final em um duelo contra outro time brasileiro, que será o que vai  chegar à final e perder. Depois disso, o Corinthians entrará em crise e vai ser rebaixado no Brasileirão, como você já viu aí em cima.

Na Copa do Mundo da África do Sul, a Itália será campeã e conseguirá o bi/penta campeonato. A final será contra outro time europeu, que vai eliminar o Brasil nas semifinais. França e Espanha serão eliminados nas quartas de final, e a Argentina será eliminada nas oitavas de final.

Na Fórmula 1, Fernando Alonso será campeão. Felipe Massa será vice, e Rubens Barrichello não vai encerrar a carreira e correrá também em 2011.

E por hoje ficamos aqui. Voltamos essa semana ainda com mais previsões. Aguardem.

A fila anda

- Opa, desculpe, foi sem querer.

- Imagina, não foi nada…

Foi assim, com um esbarrão e duas frases, que José Carlos e Ana Maria se conheceram. E se apaixonaram.

Os dois estavam numa fila de banco. Naquela época, você sabe, os bancos brasileiros tinham um péssimo atendimento. Apesar de ganharem bilhões, as filas eram intermináveis e o atendimento, péssimo. Ainda bem que isso não acontece mais hoje em dia.

Depois de uma hora de conversa na fila, José Carlos e Ana Maria saíram direto para um barzinho. Antes que o dia acabasse, os dois tinham certeza que tinham sido feitos um para o outro.

José Carlos tinha trinta-e-poucos-anos, divorciado mas sem filhos, com um bom emprego e uma vida financeira estável. Ana Maria tinha 23, formada em Geografia mas trabalhando num escritório de contabilidade, o que a fazia ficar boa parte do dia em filas de banco e órgãos públicos. A burocracia, naquela época, também era uma lástima no Brasil.

Quando souberam que José Carlos estava namorando uma mulher mais nova, os seus amigos ficaram animados. Afinal, ele era um cara legal, trabalhador, honesto, e tinha ficado muito mal depois do final do seu casamento de cinco anos, quando ele descobriu que sua esposa torcia secretamente pelo Fluminense. E, como José Carlos era um flamenguista fanático,  não pode suportar essa traição, no que foi apoiado pelos seus amigos. Até por aqueles que também torciam pelo Fluminense, porque futebol era algo sagrado para os brasileiros naquele tempo.

Já Ana Maria não teve vida fácil ao assumir seu relacionamento com José Carlos. Sua mãe, uma italiana de sangue judeu, quebrou todos os pratos de casa quando soube. Uma tragédia maior foi evitada porque Ana Maria escondeu os copos em um lugar seguro, mas a família passou várias semanas  comendo em toalhinhas de papel. Ela suportou a pressão por seis meses, até que se mudou para o apartamento de José Carlos.

E os dois foram felizes juntos. Ana Maria não sabia cozinhar, nem lavar e nem passar, mas José Carlos já tinha se acostumado a comida congelada, roupa amassada e ir à lavanderia semanalmente. E, com o tempo, ele esperava que Ana Maria perdesse a mania de citar trechos inteiros de Paulo Coelho de cor.

E os anos se passaram, um e depois outro. Até que um dia José Carlos parou de ir ao trabalho. Seus amigos não conseguiam falar com ele de jeito nenhum. Quando ele completou um mês de ausência no trabalho e foi demitido, seus amigos foram até seu apartamento e, como ele não respondia, arrombaram a porta.

Encontraram José Carlos deitado no sofá, barba por fazer e cercado de embalagens de salgadinhos e de caixas de pizza de pepperoni. Quando viu os amigos, ele começou a chorar e a dizer:

- A fila andou, a fila andou ! E soluçava ainda mais.

Foi só muitas lágrimas depois que eles souberam que Ana Maria o tinha abandonado. Tinha encontrado um outro homem, mais velho  – “Quarenta anos, imagine !” – numa fila de banco e deixado José Carlos.

José Carlos recebeu tapinhas nos ombros, conselhos-clichês – “Relacionamento com mulher mais nova não dá certo” – e seus amigos acharam que ele ficaria bem. Até ficaram de fazer uma campanha na empresa para eles readmitirem o pobre coitado, mas ele recusou. Tinha outros planos em mente.

Quando José Carlos aceitou um cargo de contínuo numa empresa de quinta categoria – justo ele, tão qualificado e experiente – seus amigos acharam que ele tinha enlouquecido de vez. Mas José Carlos está feliz. Passa a maior parte do dia em filas diversas, na esperança de esbarrar de novo em Ana Maria ou encontrar um novo amor. Para José Carlos, agora mais do que nunca, a fila anda.

Harpa na madrugada

Era um prédio normal em uma cidade grande qualquer. Comum, até. Não tinha nada que o destacasse das outras dezenas de prédios quase iguais que existiam na mesma rua. Tinha um nome francês praticamente impronunciável que tentava, sem muito sucesso, dar um ar de nobreza ao lugar, algumas centenas de moradores, um síndico aposentado, problemas no  estacionamento e conflitos entre os vizinhos. Como se vê, tudo normal.

Numa sufocante madrugada de novembro o silêncio do prédio foi quebrado repentinamente. Alguém estava tocando algum instrumento desconhecido. Aos poucos as luzes dos apartamentos foram acendendo e os moradores saindo, atônitos, até as sacadas.

Marcos ainda estava meio sonolento quando cambaleou até a sacada do seu apartamento, puto da vida, para saber da onde vinha aquele som estranho. Levou um choque ao perceber que pelo menos metade dos seus vizinhos tinham feito o mesmo.

- É harpa – disse uma voz a sua direita.

Ele se virou e seu coração quase falhou uma batida ao perceber Gisele, a vizinha ao lado, trajando somente uma camisola diáfana e sorrindo da sacada do apartamento ao lado.

- Harpa ? -  balbuciou ele.

- Harpa – ela confirmou, com segurança. E está tocando “Stairway to heaven” – completou, parecendo embevecida com o estranho show.

Embevecido também ficou Marcos ante a visão da vizinha, que de tão concentrada chegava a fechar os olhos para acompanhar melhor a melodia. Ela parecia não notar que estava só de camisola e sendo observada por vários pares de ávidos olhos masculinos.

- Vem para cama, Marcos… a voz sonolenta de Mariana, esposa de Marcos, o tirou da sua contemplação para o mundo real. Marcos voltou para a cama, mas não dormiu enquanto a estranha música não acabou. Quando finalmente adormeceu, estava sorrindo.

No dia seguinte, Marcos nem ficou bravo quando o estranho som começou de novo, na mesma hora do dia anterior. Um pouco ansioso, ele saiu para a sacada. Gisele já estava lá. Mais vestida do que na noite anterior, ela bebia uma taça de vinho.

- Hoje ele está tocando “La valse d’Amélie” – disse ela, que parecia tão emocionada como na noite anterior.

- A valsa…

- “A valsa de Amélie”. Daquele filme, “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, lembra ?

Ele fez que sim, mas não lembrava. Não lembrava nem da última vez que tinha ido ao cinema. Mas não deixou de notar que o francês dela era perfeito. Com certeza ela devia ser a única que sabia falar o nome do prédio sem errar.

- Tão tocando essa música estranha de novo ? Alguém precisa falar com o síndico – dessa vez Mariana havia se dignado a levantar da cama para reclamar. Viu Gisele, não gostou nada e puxou Marcos, a contragosto, de volta para a cama.

No dia seguinte o síndico foi acionado. Dois dias seguidos de sono perturbado, um absurdo. “Seu” Pereira, o síndico, não tinha ouvido nada. Tomava dois Diazepan 10 mg antes de dormir, justificou ele, que prometeu uma visita ao “Maluco do 402”. Aquilo só podia ser obra dele.

“O maluco do 402” tinha nome, é claro, mas quase ninguém sabia. Raramente era visto no prédio. Não recebia e muito menos fazia visitas. Nunca havia participado de uma reunião do condomínio, nem das festas, nem de nada. Tinha gente que até jurava que ele era uma lenda urbana, só criada para assustar as crianças. Apesar disso, ele pagava o condomínio em dia, e “Seu” Pereira não tinha como expulsá-lo, por mais que quisesse. Era a chance de pegá-lo fazendo algo errado e se livrar dele.

No fim do dia os moradores incomodados foram procurar o “Seu Pereira”. Sim, ele tinha estado no apartamento do Adenílson.

- Adenílson ?

- O “maluco do 402” – explicou o síndico.

E “Seu” Pereira podia assegurar que o Adenílson era inocente. Não tinha nenhuma harpa no apartamento dele. Foi preciso todo o poder de persuasão – e uma forçada de porta – para que Adenílson autorizasse a entrada do síndico em seu apartamento. Mas, fora uma TV preto-e-branco, uma coleção de selos, uma camisa do Corinthians e uma banheira de hidromassagem de última geração, não havia nada de estranho no apartamento dele.

Na terceira noite, Marcos já estava acordado quando a música começou a tocar. Se levantou rapidamente.

- E hoje, está tocando o que ? – perguntou ele, assim que chegou na sacada, como se aquela fosse a situação mais normal do mundo.

Gisele não respondeu logo. Estava absorta pela música, praticamente em transe. Deu um longo suspirou antes de responder para Marcos.

- “Still loving you”. É lindo, não é ?  – E pareceu para Marcos que ela estava à beira das lágrimas.

- Eu vou chamar a polícia – sentenciou Mariana lá de dentro, e como ela era uma chata, cumpriu sua ameaça. Mas não adiantou nada.

A harpa misteriosa continuou tocando por mais 10 dias. Apartamentos de suspeitos foram revistados, patrulhas noturnas foram organizadas, emboscadas foram planejadas, mas ninguém conseguiu descobrir quem realmente estava tocando o instrumento. O tempo passou, e hoje em dia “A harpa da madrugada” é só uma história que os moradores mais velhos contam, para a incredulidade dos recém chegados.

O prédio voltou a ser o lugar normal e sem graça de antes. Somente uma coisa mudou. Marcos se separou de Mariana e foi morar com Gisele. O escândalo foi tão grande entre os condôminos conservadores e hipócritas – ou seja, a maioria – que os dois tiveram que se mudar do prédio. Na mudança, Marcos encontrou casualmente um CD intitulado “Harpa moderna”. Curioso, abriu o CD e percebeu sem demora que a lista de músicas era igual a da misteriosa e já lendária “Harpa da madrugada”. Parecia até que alguém tinha feito uns riscos de lápis no nome das músicas e depois apagado. Sorrindo, ele colocou o CD de volta na caixa e partiu, mais seguro do que nunca, de que havia encontrado o amor da sua vida.

Pensamentos ao vento

“Estou atrasado de novo !” – Adenilson Silva, 21, contínuo, universitário de Psicologia e neto amoroso, dois segundos antes de atravessar uma esquina sem olhar para os lados e ser atropelado por um ônibus.

“Não vai dar tempo !” – Severino Barbosa, 45, motorista de ônibus, churrasqueiro “oficial” da firma e ex-alcoólatra, ao tentar parar o coletivo que dirigia antes que atingisse um pedestre que apareceu do nada na sua frente.

“Motorista filho da puta !” – Verinha Almeida, 32, corretora de imóveis, contralto no coral da Igreja e nenhum acidente de trânsito na vida, antes de bater na traseira de um ônibus que freou bruscamente num cruzamento.

“Tinha que ser loira. Barbeira !” – Valdomiro Souza, 59, fiscal de trânsito, roncolho e pedófilo, ao ver um carro bater na traseira de um ônibus parado.

“Adoro homem de uniforme. Hummmm….” – Carlinha Pikninha, 22, garota de programa e mãe dedicada de uma futura bailarina, ao se virar para ver um fiscal de trânsito passar apressado para atender uma ocorrência na outra esquina.

“Garotinha nojenta” – Carolina Rerrera, 47, comerciante e fã de Roberto Carlos, gesticulando depois de esbarrar numa garota de saia curta e maquiagem carregada.

“Hahahaha. A gordinha ficou puta da vida” – Josenildo Françoaldo, 27, advogado e mestre em bondage, com especialização em Shibari, ao ver uma mulher acima do peso quase ser derrubada por uma jovem apressada.

“Aff, usando terno com esse calor. Isso é que é gostar de sofrer” – Clara dos Anjos, 15, estudante, leitora do Paulo Coelho e a oito meses de ficar dezoito horas em trabalho de parto do seu primeiro filho, ao passar por um engravatado sorridente.

“Ah, se eu tivesse idade…” – Ataxerxes de Almeida, 68, aposentado, diabético e torcedor do Santos, ao reparar nas belas pernas de fora de uma estudante com cara de enfezada.

“Velhinho tarado. Hehehehe” – Letisgo dos Santos, 24, motoboy, rapper e pai não conhecido de cinco filhos, ao reparar num velhinho reumático comendo com os olhos uma estudante gostosa.

“Odeio motoboys. Gentinha. Humpf.” – Isabelli Costa, 26, secretária bilíngue, estudante de bruxaria e homossexual enrustida, ao receber um maço de documentos e uma péssima cantada quase ao mesmo tempo.

“Gostosa ! Pena que não dá bola para mim…” – Marinaldo Coelho, 41, executivo, pai de três filhos e duas pontes de safena, ao dividir o elevador com a secretária bonitona do departamento em frente.

“Aí, seu Marinaldo já chegou e nada do Adenilson ! Desse jeito ele perde o emprego, coitado.” – Clotilde das Dores, 45, faxineira, filha-de-santo e casada com um jovem 20 anos mais novo, ao ver o chefe do seu departamento chegando.

“Sabia que esse moleque não ia durar muito tempo aqui” – Suzenildo Santiago, 34, ajudante de departamento de pessoal e com um câncer ainda não diagnosticado no pâncreas, ao preencher mais uma papelada de demissão.

“Espero que esse jovem aprenda a valorizar a pontualidade em seu novo emprego” – Josenilda Joaquim, 59, chefe de departamento de pessoal, ao assinar uma demissão e cinco minutos antes de receber uma ligação do IML.

Eu confesso, sou confuso

O Rica Perrone é um blogueiro de esportes. São paulino e com uma simpatia pelo Flamengo, para desgosto dos leitores acéfalos dele. Comenta sobre Fórmula 1 também, e apesar de ser uma típica “viúva do Senna”, tem até umas opiniões legais. E sim, já que este é um post confessional, vou começar pela introdução mesmo: eu torcia era pelo Piquet.

Na terça-feira o Rica escreveu um post dizendo que não tinha entendido o clássico renatorussoniano (adoro neologismos, vocês não ?)  “Faroeste Caboclo”. Não sei porque, o texto foi apagado do blog dele, mas está disponível na minha página de itens compartilhados do Google Reader.

O texto dele me inspirou a dizer algo praticamente inconfessável para alguém da minha geração: eu também não entendi “Faroeste Caboclo”.

E também não entendi o clipe de “Amor I love You”. Mas decorei o trecho de “O primo Basílio” que o Arnaldo Antunes recita no meio da música, se é que isso pode ser usado na minha defesa.

No campo do cinema, eu não entendi “Matrix”. E nem venha tentar me explicar as referências psicológicas, históricas, filosóficas, antropológicas, sociológicas ou tecnológicas do filme, que aí é que eu fico mais confuso mesmo. E, convenhamos, você encontra referências desse tipo até em “Branca de Neve” se você souber procurar. Aposto que a Naomi sabe várias. De cor e salteado (sempre quis usar essa expressão, sabia ?).

Ainda entre os filmes, eu confesso que precisei assistir duas vezes “Vanilla Sky” para entender o filme estrelado pelo garoto propaganda da Cientologia Tom Cruise. E só consegui entender da segunda vez porque eu já sabia o que acontecia no final…

Digo mais: eu sou nerd, mas não gosto de Star Wars. E não entendi até hoje qual a sequencia correta dos episódios. Nem porque tanta gente trata o filme como se fosse a oitava maravilha da sétima arte (trocadilho infame, eu sei). Pronto, falei.

Mas o cúmulo dos cúmulos é que eu precisei ver o making-off no DVD de “O fabuloso destino de Amélie Poulain” para perceber que o filme era todo em tons de verde e vermelho. Mas isso não me impediu de gostar do filme ou da Audrey Tatou. Quem disse que a gente só gosta do que entende ? Ignorância às vezes pode ser uma benção, meus caros.

Mas é nos livros a minha maior vergonha. Confesso que não entendi “O Senhor dos Anéis”. Pronto, podem me linchar. Só tenho a meu favor a desculpa que eu tinha que devolver o livro logo, que não era meu. Mas agora comprei e já li “O Silmarillion“, vou ler “O Hobbit” e depois relerei a grande obra de Tolkien. Se não enlouquecer no processo, eu pretendo entender tudinho, tudinho, até o ano que vem. Ou não.

É isso mesmo, eu não entendi ou não gosto de parte importante da cultura musical-filmística-literária ocidental que faz a cabeça de milhões de pessoas. Como se isso não bastasse, eu provavelmente sou a única pessoa na minha faixa de idade, no hemisfério ocidental, que jamais assistiu “Titanic”. Chupem essa manga !

E você,meu confuso leitor, minha perdida leitora, o que tem para confessar ? Diga aí nos comentários…

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